
Nesta última semana, meus pais vieram me visitar em casa. Banal, né? Mas eu me mudei de país, saí de casa 18228 vezes, eu não via esses rostinhos há mais de 4 anos. Tô vivendo tudo isso, turbilhão de emoções, tanta coisa na cabeça e, ao mesmo tempo… Nada. Não tenho tempo pra pensar.
Culpo as redes sociais, os algoritmos, vlogs do youtube, vídeos curtos de como fazer cerâmica fria e tutoriais de como enfrentar os póprios medos. A culpa é do Mark. Não minha. Não eu, que decidi não almoçar com calma porque quis ver o conteúdo mais recente do meu criador favorito, nem eu que pausei esse mesmo vídeo pra rolar o feed eterno do instagram à procura de outros vazios. Ei, não tem nada de mal em ter influenciador favorito, não quero demonizar a internet, etc, conversa chata, dane-se xD A questão é: E eu, não decido mais nada? Quando vou me responsabilizar pelas decisões que tomo?
Tenho 36 anos já (imagine você… Eu, que comecei esse blog com uma amiga no auge da pós-adolescência, agora olha-pra-nós tão adultos… etc xD). Divaguei. Old habits die hard ou nunca daem, acho eu. Enfim, tenho 36 anos e cansei um pouco… De várias coisas, aliás (possíveis temas de posts que nunca virão), mas especialmente: cansei de me eximir de responsabilidades. Não quero culpa, não quero carregar o peso do mundo, nem me fazer de vítima (chega!). Quero olhar pra mim e perceber que sou sim capaz de tomar decisões. De pegar as rédeas da minha vida, nem que seja pra soltá-las depois. Amém.
“Não tenho tempo pra pensar”
É tão ridículo este pensamento e me vem à mente tantas vezes: Poxa… Tira a cara do telefone, homem, olha pro céu, sei lá. Passa 10 minutos no banheiro no intervalo do trabalho olhando pro teto. Dirige mais devagar. Sente o vento na tua pele. Para de abrir um buraco vazio eterno à procura de quem tu eras 10 anos atrás. Ah, angústia juvenil e a intelectualidade… Cara, aceita que não lê por prazer direito há mais de 5 anos e compra o novo de sidney sheldon, sabe? Lê só por ler. Escolhe uma árvore e abraça (eu sei que tu gosta… (pior que gosto mesmo…)). Olha os lírios do campo, diria érico veríssimo e a bíblia. Duplo lastro teórico, olhaí. Sobretudo, abre a janela e olha pra além de ti. Contempla a tua pequenez e a integração a esse sistema doido, a essa terra estranha e insensível. Deixa teu peito derramar de novo, outra vez.
Acho que chegou a hora de parar de fugir do que a gente se tornou, e aceitar…
Tu estás aqui. Para pra respirar, pra sentir, pra pensar.
Há tempo, eu juro, sempre haverá.
Um beijo,
Errric (num sotaque meio novo, mas sempre igual porque sou inescapável, ou como diria hilda hilst: tu não te moves de ti.
Amém.)







