Mulher

Madame Bovary sou eu!

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O livro, ao ser publicado,  gerou um processo por “ofensa à moral pública e religiosa e aos bons costumes”. Começou a caça pra saber quem era a devassa retratada na história, qual a verdadeira identidade de Madame Bovary? Pressionado, finalmente o autor responde: “Sou eu! Madame Bovary sou eu!”

Tem certos livros que a gente nunca vai saber por que teve de ler na época do colégio. Quem aí não lembra daquele clássico que seu professor de literatura mandou estudar porque caía no ENEM/vestibular? (mais…)

Anticristo: de quem se fala?

Anticristo. Ao assistir ao filme, uma página ficou completamente rabiscada. Com letras garrafais grifadas com um marca-texto amarelo, uma pergunta gritava: sobre quem Lars fala? Muitas respostas foram encontradas, entre elas, a história dos gêneros, a dualidade medieval entre mulher e mãe, a culpa. Mas até agora nenhuma das respostas expressou o que a pergunta pede: Quem? A indagação pede um substantivo próprio, uma personalidade, alguém. Mas de quem esse diretor fala?

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Especial mulher: suma

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É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.

Nós ensinamos as garotas a se retraírem pra se tornarem menores. Nós dizemos às garotas: “Você pode ter ambição, mas não demais. Você deve buscar ser bem-sucedida, mas não tanto, senão você vai ameaçar os homens.” Nós ensinamos as meninas a se verem como concorrentes, não por empregos e conquistas – o que eu acho que seria algo bom – mas pela atenção dos homens. Nós as ensinamos que elas não podem ser dotadas de sexualidade, como os meninos são.

Feminista: pessoa que acredita na equivalência social, política e econômica dos sexos.

[Chimamanda Ngozi Adichie, em “Sejamos Todos Feministas”]


TEXTOS:

O que 50 tons de cinza tem a ver com a minha vida (e com a sua)?

5 músicas pra aprender a ser mulher

Fim do império: as mulheres do comendador

A imagem do que sou: Mulan – o filme

A imagem de quem sou

Era uma vez uma menina desengonçada, aquela ali – todos sabiam – nunca iria arrumar um casamento. Não conseguia se arrumar, nem mesmo se comportar, mal parecia uma mulher. No dia em que todas as moças da cidade foram à casamenteira, lá estava ela, mas óbvio: Não agradou a megera. Não adiantava esperteza, nem grilo falante, nem mesmo todo o esforço da família, Mulan seria uma desonra para os seus pais. Nunca arranjaria um marido, toda a China saberia que ela não serve pra nada, que é uma mulher sem dono e sem filhos.

Será?

mulanO filme Mulan foi produzido pela Disney em 1998, baseado em uma lenda chinesa. Não se sabe, ao certo, se a mulher existiu na realidade, mas – existindo ou não – é considerada, até hoje, como um exemplo de coragem, determinação, amor e, acima de tudo, ideologia. Na China da época (século VII), as mulheres tinham que aprender a conquistar um marido e mulher bem casada era a maior honra que uma família chinesa poderia ter. Um certo dia, o exército dos Hunos invade a China, apesar da muralha, e um homem da cada família seria obrigado a ir para guerra. O pai da nossa protagonista, Fa Zhou, era o único homem dos Fa, mas já trazia sequelas de outra guerra, era um alvo fácil em um campo de batalha e a moça, apesar de desajeitada e sem muita inteligência aparente, se disfarçou de homem durante toda a guerra para salvar a vida do pai.

Com curvas ou músculos, Mulan foi o melhor homem da China e voltou pra casa recebendo saudações honrosas até mesmo do imperador. O filme também mostra um noivo maravilhoso para ela: o capitão Shang. Mas ela não volta submissa como a cultura manda, os dois voltam parceiros, planejando as próximas missões e com respeito mútuo. O amor dos dois foi além da posse de alguém, além das honrarias obrigatórias e isso foi lindo! Eu gosto desse filme porque mostra resistência ao sistema extremamente machista, mostra amor pela família e coragem em fazer diferente. Mostra, ainda, a mudança que se pode proporcionar fazendo algo de bom. Mulan é diferente da maioria dos filmes da Disney porque rompe com a fórmula princesa + príncipe encantado. É uma história mais palpável – embora a chance de acontecer seja mínima – mas o público feminino consegue se encontrar mais em Mulan do que na Branca de Neve, por exemplo. Foi um filme necessário, que é atual até hoje.

A trilha sonora é fantástica, como a maioria dos filmes da Disney. As músicas acompanham as cenas e, na maioria das vezes, revelam sentimentos e fazem uma diferença danada na narrativa.

Neide Andrade