Roberto Carlos

Quem ama mais é o mais fraco, merece sofrer

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O namoro da gente acabou e foi tão fácil.

Eu disse umas palavras, apontei descontentamentos. Você retrucou, choramos, discutimos. Acabou. E, pelo que vi nos seus olhos, doeu muito mais em você do que em mim.

Recentemente um casal de amigos reviveu essa experiência tão comum a todos, tão nossa – o fim de um relacionamento. Alguém virou pro outro e disse: acabou. E isso me fez lembrar de um trecho do menor livro mais incrível de Thomas Mann – Tonio Kroeger:

“Aquele que mais ama é o mais fraco e tem que sofrer” (14).

Que horror, né?

É. Mas, ei, pode ser verdade também. (mais…)

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Quem sou eu?

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Não sei se vocês já perceberam (risos), mas o Escrevo A|penas é um blog escrito em coautoria. Dois amigos escrevendo sobre música, cinema, literatura e, eventualmente (quase sempre), sobre a vida.

Na parte de cima do blog, tem uma aba chamada “sobre”. Clicando lá, você vai ler uma descrição curta e bem elaborada sobre cada um de nós, ilustrada por uma foto poética. (ao menos, foi essa a intenção) A idéia do post de hoje é ampliar aquela aba e contar pra vocês quem somos nós de verdade – Eu resolvi começar.

Oi, meu nome é Eric.

(mais…)

Todo carnaval tem seu fim

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Tem coisa mais clichê que esse título? Difícil. Mas lide com isso.

Lide também com essa sensação pós-carnaval. Cadê a festa agora? Cadê os dias alegres, o descanso? Pois é, carnaval acabou e a rotina parece mais pesada do que nunca. Infelizmente (mesmo) não é sempre que a gente pode ter um fim-de-semana de cinco dias. ;/

Pensando nessa deprezinha pós-carnaval, a gente resolveu postar hoje uma lista muito especial: as 10 músicas mais tristes do mundo. Sim, nada de animação, hoje a barra vai ser pesada!

10) The National – Pink Rabbits

De todas, essa é a música mais hipster da lista. Eu nunca tinha ouvido falar sobre essa banda e muito menos dessa música; uma dia, um amigo meu twittou sobre ela, dizendo que era a música mais triste do mundo. Fui ouvir e, olha, ele tá certo. É uma delas. Começa logo com a voz desse cara que é assim… Parece que você tá entrando num outro mundo, sabe? Ela é grave e delicada ao mesmo tempo e a melodia segue a mesma ideia: combina a fragilidade do piano com a força da percussão, mais o reverb ao fundo. O efeito é sombrio, encantado. E a letra… uma paulada! Aliás, uma não, várias: “It wasn’t like a rain, it was more like a sea. I didn’t ask for this pain, it just came over me” (putz) | “I’m so surprised you want to dance with me now. I was just getting used to living life without you around” (chorando) | E o melhor, um dos versos mais incríveis do mundo: “You didn’t see me I was falling apart. I was a television version of a person with a broken heart.”

9) Sky Ferreira – Ghost

Sky eu já conheço há um ou dois anos. Acompanho o trabalho dela desde a incrível Everything is embarrassing e já ouvi os dois EPs (As if! e Ghost) e o cd, “Night time, my time”. Inclusive, ela apareceu no blog nesse post aqui. Mas sabe quando você ouve tantas vezes um disco que acaba enjoando das favoritas e começa a se apaixonar pelas “lado b”?

Aconteceu exatamente isso comigo: me apaixonei pelo EP Ghost (gosto mais dele que do cd, que veio depois) e ouvi à exaustão todas as músicas, só depois que enjoei de todas é que fui prestar mais atenção na faixa três do EP, que dá título a ele. E Ghost finalmente me tocou. Os acordes iniciais dão logo a dica de que… não tem solução. A letra fala de alguém que era importante e cuja presença era necessária, mas que, de repente, perdeu a consistência, se tornou um fantasma. “I loved you most and now you’re a ghost I walk right through.”

8) Elton JohnDaniel | I Guess That’s Why They Call It The Blues | My Father’s Gun

Já falei desse homem com muito carinho aqui, mas um post não é suficiente, dois não são, esse blog inteiro não seria. =~ Amo Elton demais, o jeito dele cantar, as letras, as melodias, tudo. Sou fã mesmo. Por isso tudo, não poderia deixar de citá-lo nessa minha lista, mas o problema é (sempre será) o seguinte: qual música escolher? Fiquei dividido entre três e resolvi citar todas. Me julgue.

Daniel fala de um amigo-irmão querido que se vai – sempre lembro do meu irmão quando ouço essa | I Guess… o próprio título já entrega tudo: é só uma música, mas também é o que se pode chamar de tristeza | My Father’s Gun fala de quando seu pai morre e você tem que começar a tocar a sua vida, sozinho.

As três são incríveis. Sei nem o que dizer mais… Clica em play aqui embaixo, por favor. ;]

7) Stênio Marcius – Alguém Como Eu

Um dos maiores problemas das músicas de louvor hoje em dia é o foco: os cantores tentam escrever coisas legais, instigantes e esquecem que a essência era pra ser outra, era pra ser simples. E “Alguém como eu” é justamente isso: essência. Mais do que problematizar a questão de como Jesus poderia ser homem e Deus ao mesmo tempo, a letra fala da amizade entre uma pessoa comum e alguém não tão comum assim.

Olha, tá pra nascer música mais delicada e mais tocante que essa. Chorei tanto da primeira vez em que ouvi que dava pra encher um balde.

6) Padre Zezinho – Utopia

Mantendo a vibe do número 5, não tem como não citar essa pessoa. Minha gente, esse padre acaba com o meu coração. As melodias são simples, a voz não é grande coisa, mas as letras… Gosto de várias dele, mas Utopia sem dúvida é a minha favorita. Ela é cheia de nostalgia – saudade mesmo – e fala daquela época em que os pais e filhos se sentavam ao redor de um rádio pra dividir as vidas uns com os outros. É o tipo de música que dá um aperto no peito e deixa a gente sentindo falta do que nunca viveu, sabe?

5) Roberto Carlos – Proposta

Me julgue mais uma vez: eu amo esse homem. A despeito de toda breguice e da pessoa bizarra que ele parece ser, o conjunto da obra de Roberto é precioso. Esqueça “Emoções”, “Esse cara sou eu” e o especial de fim-de-ano da Globo! Ouça Desabafo, Você não sabe, Cavalgada: vá além. Não deixe seu preconceito te impedir de conhecer coisas novas, coisas boas.

“Proposta” era uma música banal pra mim. Até eu voltar no banco de trás de um carro, com a cabeça encostada no ombro do meu ex-amor. Enquanto eu fingia dormir, essa música tocava e a letra soava alto pelas janelas abertas. “Eu te proponho nós nos amarmos, nos entregarmos. Nesse momento, tudo lá fora deixar ficar…” Que proposta ambiciosa a que eu tava fazendo! Ambiciosa demais pras minhas possibilidades naquele momento.

4) Bruce Springsteen – Stolen Car

Essa música é clássico Bruce: a história da nossa vida + voz + violão. Nessa aqui, a letra vai descrevendo a história de dois namorados, como eles se conheceram, se apaixonaram e acabaram se casando. Tem como não se cativar? Pois é. Aí vem o cara e diz: Then little by little we drifted from each other’s heart. PAM. Acabou-se. E Bruce passa as outras cinco estrofes falando das expectativas que os dois tinham e de como, uma por uma, elas foram substituídas por decepções. Te lembra alguma coisa?

3) Scott Matthew – Abandoned

Essa não precisa justificativa. Dá play e deixa a voz quebrada dessa pessoa acabar com teu coração.

2) Anthony and the Johnsons – Hope There’s Someone

Mencionei essa música aqui. Ela é cruel porque, no fim das contas, fala exatamente do que a gente espera da vida: que haja alguém. Alguém que tome conta do nosso coração e que seja bom pra encostar, quando a gente estiver cansado. É o tipo de música que se basta.

1) The Carpenters – Goodbye to Love

A minha música mais triste do mundo é também uma despedida. E, aqui, o adeus não se destina a alguém: é do amor que Karen se despede. Eu poderia falar mil coisas agora: como sou fã dessa banda, o quanto eles já falaram comigo, como nos identificamos… Resolvi não fazer nada disso. Vou só pedir uma coisa a você que resistiu até aqui: abre as janelas da tua casa, senta no chão e deixa essa música tocar.

Repara na suavidade da voz e no solo de guitarra. Repara na letra. Ou só ouve e pronto, porque esse é o tipo de música que entra pelo ouvido e vai direto pro coração.


Oi, você que resistiu a esse texto gigante! =]

Essa é a minha lista, as músicas que mais tocam o meu coração. Num ato de amor, dividi com você.

Agora, quero saber: quais são as tuas músicas mais tristes do mundo?

Feliz fim de carnaval!

Eric

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