Crítica

Como superar? em 6 passos com Amaral

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Rompendo nosso silêncio de dois meses pra fazer uma enquete com vocês, daquelas de amigos em fim de festa, sabe?

Salão esvaziou, música baixinha tocando e a galera começa a falar sobre a vida. Familiar a cena? Nessa hora, sempre tem aquele mais afetado que levanta e faz uma pergunta aleatória. Hoje, sou eu. E a pergunta: no mundo, há dois tipos de pessoas, 1) as que superam o passado de boa, sacodem a poeira e dão a volta, etc e 2) aquelas que não superam, que se negam.

Adivinha em que grupo eu tô? (Risos) E você?

Mas, olha, trago hoje uma boa notícia: pode levar um ano, três, mais – a gente vai superar! #Oremos No caso de Amaral, porém, foram 19 anos, 7 CDs lançados e eles ainda estão tentando. Coragem! Aí você me pergunta: quem danado é Amaral? Pois bem, este post inteiro é pra te responder essa pergunta. (Ain, Eric, mas nunca ouvi falar… Eu sei! Confia em mim que vai valer a pena.) (mais…)

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Anticristo: de quem se fala?

Anticristo. Ao assistir ao filme, uma página ficou completamente rabiscada. Com letras garrafais grifadas com um marca-texto amarelo, uma pergunta gritava: sobre quem Lars fala? Muitas respostas foram encontradas, entre elas, a história dos gêneros, a dualidade medieval entre mulher e mãe, a culpa. Mas até agora nenhuma das respostas expressou o que a pergunta pede: Quem? A indagação pede um substantivo próprio, uma personalidade, alguém. Mas de quem esse diretor fala?

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TEM ABBA NO TEU CELULAR E TU NEM SABIA

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YOU ARE THE DANCING QUEEN, YOUNG AND SWEET, ONLY SEVENTEEN

Eu sei, você conheceu ABBA graças àquele DJ que tocava Dancing Queen, junto com I Will Survive e Robocop Gay, no fim de todas as festas de 15 anos (ainda existe isso?). Mas aí em 2008 vieram Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan, a galera toda e ABBA passou a ser a música daquele filme, o Mamma Mia! (<3)

Para mim, pelo menos, foi desse jeito. Sempre ouvi muita coisa antiga na minha adolescência, mas me detinha nas músicas de chorar (#gueba) As animadinhas, feitas pra dançar, eu odiava antes mesmo de ouvir. Pra mim, ABBA era bem isso: aquele popzinho rasteiro, poperô, feito pras tias dançarem. E eu estava certo! Mas hoje eu sou tiozão quem disse que isso é um problema? Aliás, quem disse que as bandas de hoje tão distantes disso?

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6 músicas de verdade (ou Por que Amy Winehouse foi importante?)

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Hoje, 23 de julho de 2015, faz exatamente quatro anos que ela foi embora. Acabou a esperança de um cd novo – talvez tão bom quanto Back to Black – e, junto, acabou também a angústia de esperar os novos vexames que ela invariavelmente protagonizaria. Um documentário inglês lançado agora, no mês de aniversário da sua morte, promete trazer todas essas memórias de volta. A história de uma vida contada através de vídeos caseiros e depoimentos. Mata um pouco da saudade, mas não muda o fato: Amy Winehouse morreu. Vítima de causas indeterminadas, do álcool, de si mesma.
Certo, e o que te importa tudo isso?

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Enlouquecer é preciso (passo a passo)

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Um dia desses, tenta olhar pras pessoas a tua volta. Pra quem vai contigo no ônibus, quem corre apressado na rua, pras mães acalentando seus filhos. Olha em volta e repara naquele homem de paletó, camisa e calça social. Gravata, em plenos trinta e tantos graus de Recife. Esse cara tá indo pro escritório, voltando do trabalho, defendendo um cliente, fazendo uma entrevista, dirigindo uma empresa, desempenhando um papel.

Todos estamos.

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Eu gosto é do gasto

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Ventura: Destino (bom ou ruim); sorte.

Relacionamento é, por ora, a palavra que mais define os Hermanos. Tanto pelo próprio nome da banda, que conota companheirismo, como pela temática que cantam: Um eterno relacionamento com a vida, com o que está por vir, uma eterna coragem para abraçar o futuro, independente do que ele possa trazer, um público fiel que se relaciona. Com uma águia e um lindo horizonte, a banda se declara escrava sã e salva de vencer. Corre para o próprio destino e se coloca presa a amores, ao samba, como música de entrada, como um recado: A vida, a ventura, o destino, tudo que importa é um samba.

Quando os meninos falam em relacionamento, em público e fãs, é impossível não lembrar da época de adolescente, em que alguém dedicou uma frase de Último Romance para um amor também adolescente. O tempo passou, as lágrimas derramadas diante de Conversa de Botas Batidas completaram 12 anos e, nesse meio tempo, o disco Ventura foi considerado um dos 100 mais importantes da música brasileira e se destacou como a obra prima da banda que marcou gerações apaixonadas no Brasil.

A banda parou. Mas é possível perceber que Los Hermanos não acabam, pelo estrago que Ventura pode causar. Será que os meninos de 12 anos atrás sabiam o que diziam com o nome e a capa daquele disco? A partir dali, seriam capazes de alçar voos de escolha própria, grandes ou curtos. Parar. Desistir. Cantar. Compor. Poderiam conjugar os seus próprios verbos porque Ventura foi um manifesto de liberdade e, entretanto, uma eterna prisão no relacionamento sério com a música brasileira.

Roqueiro não sabe fazer samba? São roqueiros? Afinal, olha só que disco estranho que chegou! Sem se definir como Mpb ou pop-rock. Mas essa estranheza de Ventura trouxe a inesquecível sorte e o sucesso à banda. A imortalidade e o eterno relacionamento, com um público que, embora adormecido, ao ouvir qualquer faísca de música vai acompanhar, e gritar, e dizer que continua acompanhando e pedindo pra voltar.

Neide Andrade

Tudo Acontece em Elizabethtown

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Duas horas e três minutos é muito tempo de duração. Especialmente pra uma comédia romântica.

Eu pensava assim (acho que ainda penso), mas essa ideia não funciona com Elizabethtown por duas razões: 1) esse filme não é uma comédia romântica, 2) duas horas aqui duram muito mais de 120 minutos. parece uma vida, uma vida inteira! – Eu explico.

imageedit_13_7802360851Primeiro, esqueça aquele conceito de moça encontra rapaz, o amor vem, dificuldades assustam, o sentimento prevalece. Não é assim que funciona aqui. Na verdade, tem uma moça, um rapaz, amor, problemas: tudo igual. Então, o que é diferente? A essência.

Elizabethtown não parece um filme, é bonito demais, é real demais. Daquele tipo de realidade tocante e nostálgica que só Cameron Crowe sabe fazer (lembra dele? o mesmo diretor de Vanilla Sky e Quase Famosos <3).

Vou me explicar melhor: sabe aqueles momentos preciosos que a gente vive poucas vezes? É tão especial, tão diferente, a pessoa é tão única que inevitavelmente você pensa: parece que eu tô vivendo um filme! É assim. Elizabethtown é um filme que parece a nossa vida ou aquele momento da vida da gente que parece um filme.

imageedit_19_2826229680Drew (Orlando Bloom) acabou de falhar miseravelmente na carreira. Perdeu tanto dinheiro que está prestes a ficar famoso como o maior exemplo de fracasso da história na profissão dele. Tanto tempo investido pra nada. Pra completar, a irmã do cara liga e conta que o pai dos dois morreu no interior do país, numa cidade chamada Elizabethtown. Tem mais: ele, o filho mais velho, teria que ir lá e cuidar das coisas do corpo. Bem no interiorzão do país, onde mora aquela parte distante da família que fala: “olha como você cresceu”, “tá a cara do pai”. Imagina!

Na viagem de ida, ele conhece uma aeromoça – Claire (Kirsten Dunst) – uma daquelas pessoas que você só encontra uma vez na vida. Diferente, cheia de ideias próprias, cheia de vida. Tudo o que ele não é no momento. Os dois se despedem, Drew vai encarar os parentes. Sozinho, em meio à família barulhenta, às dificuldades do enterro, ele procura alguém pra ligar. Acha o número de Claire. Os dois começam a conversar, a se conhecer melhor. Uma noite e uma madrugada inteira falando sobre tudo, sobre nada (alguém aí já viveu isso?). Pronto. Um momento bonito numa circunstância pontual. Daquele tipo de coisa que passa, que está destinada a não durar.

Será?

Nas conversas de Drew e Claire é impossível não se reconhecer um pouco. É tudo muito universal e, ao mesmo tempo, pessoal demais. A gente viveu aquilo também, nossos amigos choraram pelas mesmas razões. Medo do fracasso, mágoas antigas, tempo perdido, a angústia de não saber amar. Num dos momentos mais bonitos do filme, Claire fala sobre seus amores do passado, numa auto-avaliação. Eu sou uma pessoa substituta, ela diz. No começo, eu não entendi. Drew também não. Mas ela explica: nunca vou ser uma Ellen (Deus me livre!), nunca vou ser uma Cindy, eu sou só a substituta. Alguém destinado a ocupar um lugar que não lhe pertence, o lugar de outro|de outra.

Doeu. É verdade demais na cara da gente. E pior, dita de um jeito leve, despretensioso. Como se, com o tempo, as coisas que doem também fizessem a gente se acostumar.

No fim, descobri porque Elizabethtown dura duas horas inteiras. É preciso. Como um amigo, essa história vai se apresentando aos poucos: cena por cena, frase por frase – vai nos desarmando. E o tempo é necessário: ele faz a gente se apaixonar.

GIF1Numa das última sequências do filme, Drew sai numa viagem de carro de volta pra casa, jogando as cinzas do pai morto pelas curvas do caminho. Os dois finalmente juntos, numa viagem que deveria ter sido feita há muito tempo. Há tempo demais. E, se você me perdoa a metáfora besta (mas verdadeira): como as cinzas do pai se espalham pelo vento, as sensações que esse filme traz se pulverizam na mente da gente. Uma saudade, uma melancolia doce. Aquele desejo de fazer o que é especial durar pra sempre.

Desejar não faz mal. Faz?


Personalíssimo (só para raros):

tumblr_n0ptcyMu8Q1rrm2zoo2_500A cena em que Drew começa a conversar com as cinzas, com a urna do pai, afivelada no banco da frente do carro. Minha garganta aperta só de lembrar. Como a gente deixa o que é valioso se perder no tempo!

Essa sequência já seria linda sem som, mas Cameron Crowe é mau demais pra deixar isso acontecer. Vou te contar uma coisa: a trilha sonora toda desse filme é incrível. De verdade! Mas a música que toca nessa hora é especial. Foi Elizabethtown que me apresentou esse single de Elton John chamado My Father’s Gun. Eu amo Elton, muito mesmo, mas ainda não conhecia essa música.

Se você chegou até aqui, me faz um favor, um último? Clica embaixo e vê esse vídeo com Elton e algumas cenas do filme.

É verdade demais pra seis minutos só. É bonito demais.

Eric

(Indesejada) Permanência

Romper um tanto a rotina, os paradigmas esperados e até mesmo com os finais felizes pode fazer bem, pode fazer com que o espectador se enxergue, talvez, em uma fotografia de um filme ofertado durante uma triste, necessária e esperada despedida. Permanência é um filme pernambucano de Leonardo Lacca e trata aspectos da vida, do cotidiano e quão benéficas ou maléficas podem ser as nossas escolhas.

Ivo (Irandhir Santos) é um fotógrafo recifense, que encontra em São Paulo uma galeria para fazer a sua primeira exposição. A película é calma e, por vezes, monótona propositalmente para mostrar aspectos de uma vida infeliz, sem uma paixão explícita em fazer cada coisa. Chegando em São Paulo, Ivo se hospeda na casa de Rita (Rita Carelli), que foi sua namorada. Agora, Rita está casada e Ivo deixou uma namorada no Recife. Entretanto, como se comportar diante do cheiro e da conversa de uma mulher, características que nunca mudam?

Regados a xícaras e mais xícaras de café, o casal do passado bebe e se aprisiona ao próprio silêncio: Sem mais conversas, completamente sem assuntos, uma vida pautada por reticências e por um líquido amargo que se tornou a falta do que foi perdido. Paralelo a isso, Ivo com a sua parceira, no presente, vivem uma relação vazia, de pouca expressão no filme, assim como na rotina.

O filme vale como um exercício para observar a vida. Conseguir se ver, como em um quadro. Se cada momento fosse uma fotografia, qual seria a expressão em cada um deles? O que faz bem? O que sufoca? O que prende? Se alguém que te conhece como ninguém te observar hoje, vai encontrar a tão sonhada felicidade?

Isso é conversa demais. Um café, por favor!

Neide Andrade

O atalho que a dor traz

 

Em nome do pai é uma narrativa avassaladora. O filme conta a história verídica de Garry Conlon (Daniel Day-Lewis), um delinquente dos anos 70, em um contexto político e cultural difícil. Garry é filho de Giuseppe Conlon (Pete Postlethwaite) e é a partir da relação entre os dois que a trama se desenrola, a partir de contrastes como o céu e o inferno. De início, a relação dos dois era extremamente conturbada, o filho não demonstrava amor, nem mesmo vontade de preservar o pai diante das encrencas que arranjava. O pai, por sua vez, sempre zeloso, não conseguia falar a linguagem do filho, que tantas vezes ouviu sermões imensos, mas nenhum deles adiantou.

O que ninguém sabia era o que este delinquente seria capaz de fazer para defender o velho Giuseppe. O inferno da relação entre o pai e o filho se transformou em um céu no contexto horrorizado de uma prisão. Garry foi forçado a confessar um crime que não cometeu sob a ameaça da morte do pai. Xenofobia extrema. Injustiças dos bastidores. Daquelas que nós sabemos que acontecem, daquelas que nós vemos as denúncias, mas nunca são provadas.

Quem um dia imaginou que poderia se compadecer com a história de um ladrãozinho irresponsável? Quem poderia imaginar que diante das metáforas de um velho pai existia sabedoria? Quem foi capaz de enxergar a força diante da fragilidade de Giuseppe? A dor é a resposta pra todas as perguntas. É a alavanca que leva até o topo, ao triunfo. A dor é quem lapida, quem luta por justiça.

E por falar em luta, quantas vezes é mais fácil se conformar com a sua prisão perpétua! A sua vida cheia de nada, a sua condição de injustiçado. Diversas vezes é até possível acreditar no que dizem. Entretanto, é importante encontrar motivos para viver, alguém por quem lutar, foi neste ideal que Garry se abraçou.

Mas como falar em justiça diante de um lugar em que o fraco é sempre o dominado? Como falar de justiça onde quem manda não é justo? Como falar de justiça em um lugar em que não se tem o direito de defesa, digo, na prática? O remo contra a maré foi essencial na trajetória dos Conlon. Todos sabiam que eles não eram os culpados, mas se precisava encontrar um culpado.  E Garry era réu confesso.

Neide Andrade

Pra gostar de: The Magnetic Fields

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Suas definições de indie foram atualizadas.

Em minha defesa, tenho a dizer que não escuto só coisa bizarra e desconhecida, eu juro! Pagar de cult não faz a minha linha, tanto que já publiquei aqui um post com as 5 músicas mais vergonha alheia que eu tô ouvindo no momento – sim, no momento, pois variam muito as músicas, mas a vergonha é a mesma. ;]

Pois bem, tava lendo o final de um livro muito fofinho chamado Extraordinário, de J. R. Palacio. E eis que a autora cita uma banda. Normalmente, quando isso acontece, eu sempre anoto no celular o nome da banda/música pra procurar depois, e acabo esquecendo. Mas, nesse dia, como o livro tava nas últimas páginas e o laptop do meu lado, digitei no youtube o título da música e apertei play.

O nome da banda era Magnetic Fields e a música se chamava The Luckiest Guy On The Lower East Side – uf! Não gostei na hora. Achei meio bizarra. Mas sabe a barrinha de vídeos relacionados? Fui clicando, clicando e quando dei por mim nem tentei fugir já tinha ouvido quase dois cds inteiros deles! E estava apaixonado. Perdidamente.

Uma das razões foi essa música aqui:

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