Elton John

Como foi viajar pra Europa? – parte I

Hoje, olhando meus arquivos antigos, redescobri 2 Gb de pura nostalgia: as fotos da minha primeira (e única, até agora) viagem internacional. Foi um mochilão que eu fiz na Europa, junto com meus amigos da faculdade, nos idos de 2010/2011. Junto com as imagens, achei também um texto emocionado que eu escrevi sobre a experiência, dias depois de voltar pro Brasil. Resolvi dividir com vocês (quase) sem cortes, em duas partes. Uma sai hoje, a outra amanhã.

Com vocês, o glorioso eu, aos vinte aninhos de puro sonho, sangue e América do sul.

(Clique nas fotos pra ver em tamanho maior)


Eu acredito na teoria de que certos lugares podem mudar uma pessoa. Na verdade, não o lugar em si, mas a experiência de ouvir músicas diferentes, de decorar rostos novos. Sair do lugar de conforto é bom, mas melhor ainda é voltar pra ele com outras idéias, com histórias pra contar, cheio de experiências, cheio de vida. Eu me sinto meio assim depois desses míseros vinte dias longe do meu idioma e do meu povo. =~ Por mim, eu tinha passado mais 20, pra conhecer melhor cada cantinho que eu visitei e percorrer as ruas sem me preocupar com a hora do trem/ônibus/avião. Mas a saudade apertou (e o dinheiro acabou! hahah). O fato é: cá estou eu de novo. Mas, como disse, a gente volta com algumas coisas novas na bagagem: coisas que a gente não encontra no freeshop, mas numa ruazinha de Montmartre ou no meio do vento frio de Haia. Enfim, eu poderia passar um dia inteiro falando de cada lugar que eu conheci, mas prefiro fazer algo diferente: uma playlist especial, com músicas que me lembram cada uma das cidades que eu visitei. So… Andiamo. – (tudo o que tá sublinhado é link)

Comecemos, então, pela primeira cidade que eu conheci: Londres. Rapaz, confesso que, antes de ir, eu achava que não ia gostar muito de Londres. Na minha cabeça, ela parecia agitada demais e cheia de pessoas frias: duas características que, definitivamente, não têm nada a ver comigo. Mas nem foi assim. Eu conheci Londres em pleno natal, em meio a um friozinho bom e a parques enormes, cheios de árvores sem folhas. As casas iguais, a temperatura agradável e os parques lindos só me acalmaram e me deixaram encantado com essa cidade. Impossível andar em um lugar desses e não lembrar da voz de Elton John cantando “Your Song“. Achei muita paz nessa música e nos parques dessa cidade. Ora, Eric, mas e os pubs e boates e a vida noturna, cadê? hahah É… Londres não é só calmaria, e esse lado mais londrino da própria Londres me lembra muito “Move Along”, de uma banda norte-americana chamada The All-American Rejects. Sim, escolhi uma banda americana. A Inglaterra quase nem tem bandas de rock famosas, né? (BEATLES, OI? haha) Mais incoerente impossível. Mas um dos bordões dessa minha viagem foi “As pessoas não são coerentes”. Isso mesmo, nem as pessoas, nem eu.

Eis que depois de uma penosa e cara travessia, chegamos à Holanda, mais precisamente à Den Haag, ou melhor, Haia. Nossa intenção era pernoitar nessa cidade vizinha pra conhecer Amsterdam sem ter que perder perder mil euros em hospedagem. E, se desse, ainda conheceríamos a parte histórica de Haia e outra cidade chamada Leiden. Pois bem, devido a mil vicissitudes e alguns desencontros, conhecemos Amsterdam em um só dia e não vimos a cor da parte mais famosa de Haia: o centro. Ficamos, na verdade, numa zona bem mais afastada da área central, mas pertíssimo do mar – do nosso albergue até a praia eram cinco minutos de caminhada. Mas o albergue era tão bom, as pessoas eram tão gentis e a área onde estávamos era tão charmosa que acabou valendo à pena. Andar pela areia da praia, no meio de um vento frio nível Twister, só me fez lembrar de “Goodbye Yellow Brick Road“, composta por Elton John, mas interpretada muito bem por Keane. Apesar da original sempre ter me parecido melhor, a vibe da versão que Keane fez tem tudo a ver com as ruas da Haia em que eu fiquei. À noite, tudo meio silencioso e vazio, mas cheio de vento.

Depois da Holanda, veio Paris (falo dela na segunda parte desse post) e, saindo das terras francesas, chegamos no Barajas, em Madrid. De lá, fomos pra Salamanca no mesmo dia. Mais uma grata surpresa! Essa cidadezinha espanhola tem duas partes: uma histórica e toda de pedra, onde fica a faculdade, e a “parte nova”. Nossa visita se deteve a essa parte antiga e não poderia ter sido melhor! Além de acharmos um combinado de três pratos delicioso (e por um preço ótimo), ainda conhecemos uma cidade quase medieval em dois dias COMPLETAMENTE ensolarados, em que não se via nenhuma nuvem no céu e quase ninguém pelas ruas. Assim que eu comecei a andar por Salamanca só me veio uma música na cabeça: “En que Estrella Estará”, de Nena Daconte. Amo música em espanhol e nem gosto das outras músicas de Nena, mas foi impossível não lembrar dessa andando por aquelas ruas. Aliás, outra grata surpresa em Salamanca foi que ouvi muitas das minhas bandas espanholas favoritas (dentre elas, Amaral <3) em lojas, no meio da rua, em todo canto! Quase que eu surto, né? hahah Probabilidade zero de ouvir isso no Brasil. =/

Saindo da cidade de pedra, a capital. Ei-la: Madri! =D Uma das cidades que eu mais queria conhecer, pela língua, pela cultura e… por essa música aqui hahah É, Madrid é meio suja e, em vários pontos, apresenta aquela balbúrdia típica de países subdesenvolvidos (#burguesinho #teamorecife <3). Falando sério agora: nem tudo é lindo em Madrid, mas Madrid é linda. E encantadora! O Prado, os prédios históricos, o palácio, o Parque del Retiro (incrível!), o templo egípcio. Tudo vibrante e cheio de vermelho por todos os lados.

Ainda deslumbrado, eis que no meio da Gran Vía me aparece num alto falante o cantor que eu menos esperaria ouvir no mundo: David Bisbal. Isso porque, na minha cabeça, ele nem era tão famoso assim e a música mais “conhecida” dele tocava anos atrás, tipo 2006. Ela é besta, gueba, mas eu amo. Poderia se chamar “Vergonha alheia”, mas o nome é “Quién me iba a decir”. Não clique nesse link! Enfim, adivinha que música tocou nesse dia, no meio da rua em Madrid? Pois é. Muito fera e inesperado =D Mas, depois de passar um dia inteiro na cidade, não foi bem David Bisbal que me veio à mente não. Pop/rock adolescente não combina com Madrid. Essa capital é tão impregnada de si mesma, de cultura, de espírito espanhol ou sei lá o quê que só me lembrei de Ella Baila Sola, uma dupla de música romântica, tipo sertaneja (risos). Mas sério, comendo paella e visitando os parques, quase consegui ver Marta e Marilia dedilhando o violão e cantando juntas minha favorita: “Quando los Sapos Bailen Flamenco”. (O título é uma expressão idiomática, tipo o nosso “nem que a vaca tussa”. No caso ela canta: você foi embora e eu sei que pensa em voltar algum dia… quando los sapos bailen flamenco. :# )

O roteiro inteiro da viagem foi o seguinte: Recife – Frankfurt – Londres – Haia/Amsterdam – Paris – Salamanca – Madrid – Roma – Florença – Veneza – ViennaFrankfurt – Recife. Como eu não conheci de verdade Frankfurt, ela foi só uma cidade-passagem, a última cidade que eu realmente conheci encerra o post de hoje: Vienna. Não poderia haver fechamento mais estonteante pra nossa viagem! Digo estonteante porque “linda” é um adjetivo simplório perto do palácio a céu aberto que é essa cidade. Você pode até pensar que eu tô exagerando, mas Vienna não tem só um ou dois palácios, mas um complexo deles, alguns aglomerados e outros pela ““periferia”” da cidade. Quando você entra em Vienna, é impossível não se sentir automaticamente transportado pra uma época diferente. Os prédios lindos, decorados com cobre e ouro parecem um lembrete constante de que ali viveu um império. Sabe uma impressão que eu tive vendo aquilo tudo? É como se alguém, pra se tornar imortal, tivesse construído essa cidade. E o mais incrível: conseguiu! Só que tem um paradoxo aí. Apesar de Vienna ser uma cidade imperial – histórica, portanto – cada prédio daquele tem um quê de imortalidade, de jovialidade. Pensando nisso, na hora me veio à mente “Forever Young”, de Alphaville. Tem tudo a ver com o que eu tava falando e com a cidade em si. É uma cidade velha, mas que vai ser jovem pra sempre, não vai morrer nunca.


Amanhã tem Paris, Roma e Veneza. Por ora, algumas fotos a mais e muita saudade.

Eric.

 

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Quem sou eu?

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Não sei se vocês já perceberam (risos), mas o Escrevo A|penas é um blog escrito em coautoria. Dois amigos escrevendo sobre música, cinema, literatura e, eventualmente (quase sempre), sobre a vida.

Na parte de cima do blog, tem uma aba chamada “sobre”. Clicando lá, você vai ler uma descrição curta e bem elaborada sobre cada um de nós, ilustrada por uma foto poética. (ao menos, foi essa a intenção) A idéia do post de hoje é ampliar aquela aba e contar pra vocês quem somos nós de verdade – Eu resolvi começar.

Oi, meu nome é Eric.

(mais…)

Tudo Acontece em Elizabethtown

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Duas horas e três minutos é muito tempo de duração. Especialmente pra uma comédia romântica.

Eu pensava assim (acho que ainda penso), mas essa ideia não funciona com Elizabethtown por duas razões: 1) esse filme não é uma comédia romântica, 2) duas horas aqui duram muito mais de 120 minutos. parece uma vida, uma vida inteira! – Eu explico.

imageedit_13_7802360851Primeiro, esqueça aquele conceito de moça encontra rapaz, o amor vem, dificuldades assustam, o sentimento prevalece. Não é assim que funciona aqui. Na verdade, tem uma moça, um rapaz, amor, problemas: tudo igual. Então, o que é diferente? A essência.

Elizabethtown não parece um filme, é bonito demais, é real demais. Daquele tipo de realidade tocante e nostálgica que só Cameron Crowe sabe fazer (lembra dele? o mesmo diretor de Vanilla Sky e Quase Famosos <3).

Vou me explicar melhor: sabe aqueles momentos preciosos que a gente vive poucas vezes? É tão especial, tão diferente, a pessoa é tão única que inevitavelmente você pensa: parece que eu tô vivendo um filme! É assim. Elizabethtown é um filme que parece a nossa vida ou aquele momento da vida da gente que parece um filme.

imageedit_19_2826229680Drew (Orlando Bloom) acabou de falhar miseravelmente na carreira. Perdeu tanto dinheiro que está prestes a ficar famoso como o maior exemplo de fracasso da história na profissão dele. Tanto tempo investido pra nada. Pra completar, a irmã do cara liga e conta que o pai dos dois morreu no interior do país, numa cidade chamada Elizabethtown. Tem mais: ele, o filho mais velho, teria que ir lá e cuidar das coisas do corpo. Bem no interiorzão do país, onde mora aquela parte distante da família que fala: “olha como você cresceu”, “tá a cara do pai”. Imagina!

Na viagem de ida, ele conhece uma aeromoça – Claire (Kirsten Dunst) – uma daquelas pessoas que você só encontra uma vez na vida. Diferente, cheia de ideias próprias, cheia de vida. Tudo o que ele não é no momento. Os dois se despedem, Drew vai encarar os parentes. Sozinho, em meio à família barulhenta, às dificuldades do enterro, ele procura alguém pra ligar. Acha o número de Claire. Os dois começam a conversar, a se conhecer melhor. Uma noite e uma madrugada inteira falando sobre tudo, sobre nada (alguém aí já viveu isso?). Pronto. Um momento bonito numa circunstância pontual. Daquele tipo de coisa que passa, que está destinada a não durar.

Será?

Nas conversas de Drew e Claire é impossível não se reconhecer um pouco. É tudo muito universal e, ao mesmo tempo, pessoal demais. A gente viveu aquilo também, nossos amigos choraram pelas mesmas razões. Medo do fracasso, mágoas antigas, tempo perdido, a angústia de não saber amar. Num dos momentos mais bonitos do filme, Claire fala sobre seus amores do passado, numa auto-avaliação. Eu sou uma pessoa substituta, ela diz. No começo, eu não entendi. Drew também não. Mas ela explica: nunca vou ser uma Ellen (Deus me livre!), nunca vou ser uma Cindy, eu sou só a substituta. Alguém destinado a ocupar um lugar que não lhe pertence, o lugar de outro|de outra.

Doeu. É verdade demais na cara da gente. E pior, dita de um jeito leve, despretensioso. Como se, com o tempo, as coisas que doem também fizessem a gente se acostumar.

No fim, descobri porque Elizabethtown dura duas horas inteiras. É preciso. Como um amigo, essa história vai se apresentando aos poucos: cena por cena, frase por frase – vai nos desarmando. E o tempo é necessário: ele faz a gente se apaixonar.

GIF1Numa das última sequências do filme, Drew sai numa viagem de carro de volta pra casa, jogando as cinzas do pai morto pelas curvas do caminho. Os dois finalmente juntos, numa viagem que deveria ter sido feita há muito tempo. Há tempo demais. E, se você me perdoa a metáfora besta (mas verdadeira): como as cinzas do pai se espalham pelo vento, as sensações que esse filme traz se pulverizam na mente da gente. Uma saudade, uma melancolia doce. Aquele desejo de fazer o que é especial durar pra sempre.

Desejar não faz mal. Faz?


Personalíssimo (só para raros):

tumblr_n0ptcyMu8Q1rrm2zoo2_500A cena em que Drew começa a conversar com as cinzas, com a urna do pai, afivelada no banco da frente do carro. Minha garganta aperta só de lembrar. Como a gente deixa o que é valioso se perder no tempo!

Essa sequência já seria linda sem som, mas Cameron Crowe é mau demais pra deixar isso acontecer. Vou te contar uma coisa: a trilha sonora toda desse filme é incrível. De verdade! Mas a música que toca nessa hora é especial. Foi Elizabethtown que me apresentou esse single de Elton John chamado My Father’s Gun. Eu amo Elton, muito mesmo, mas ainda não conhecia essa música.

Se você chegou até aqui, me faz um favor, um último? Clica embaixo e vê esse vídeo com Elton e algumas cenas do filme.

É verdade demais pra seis minutos só. É bonito demais.

Eric

Todo carnaval tem seu fim

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Tem coisa mais clichê que esse título? Difícil. Mas lide com isso.

Lide também com essa sensação pós-carnaval. Cadê a festa agora? Cadê os dias alegres, o descanso? Pois é, carnaval acabou e a rotina parece mais pesada do que nunca. Infelizmente (mesmo) não é sempre que a gente pode ter um fim-de-semana de cinco dias. ;/

Pensando nessa deprezinha pós-carnaval, a gente resolveu postar hoje uma lista muito especial: as 10 músicas mais tristes do mundo. Sim, nada de animação, hoje a barra vai ser pesada!

10) The National – Pink Rabbits

De todas, essa é a música mais hipster da lista. Eu nunca tinha ouvido falar sobre essa banda e muito menos dessa música; uma dia, um amigo meu twittou sobre ela, dizendo que era a música mais triste do mundo. Fui ouvir e, olha, ele tá certo. É uma delas. Começa logo com a voz desse cara que é assim… Parece que você tá entrando num outro mundo, sabe? Ela é grave e delicada ao mesmo tempo e a melodia segue a mesma ideia: combina a fragilidade do piano com a força da percussão, mais o reverb ao fundo. O efeito é sombrio, encantado. E a letra… uma paulada! Aliás, uma não, várias: “It wasn’t like a rain, it was more like a sea. I didn’t ask for this pain, it just came over me” (putz) | “I’m so surprised you want to dance with me now. I was just getting used to living life without you around” (chorando) | E o melhor, um dos versos mais incríveis do mundo: “You didn’t see me I was falling apart. I was a television version of a person with a broken heart.”

9) Sky Ferreira – Ghost

Sky eu já conheço há um ou dois anos. Acompanho o trabalho dela desde a incrível Everything is embarrassing e já ouvi os dois EPs (As if! e Ghost) e o cd, “Night time, my time”. Inclusive, ela apareceu no blog nesse post aqui. Mas sabe quando você ouve tantas vezes um disco que acaba enjoando das favoritas e começa a se apaixonar pelas “lado b”?

Aconteceu exatamente isso comigo: me apaixonei pelo EP Ghost (gosto mais dele que do cd, que veio depois) e ouvi à exaustão todas as músicas, só depois que enjoei de todas é que fui prestar mais atenção na faixa três do EP, que dá título a ele. E Ghost finalmente me tocou. Os acordes iniciais dão logo a dica de que… não tem solução. A letra fala de alguém que era importante e cuja presença era necessária, mas que, de repente, perdeu a consistência, se tornou um fantasma. “I loved you most and now you’re a ghost I walk right through.”

8) Elton JohnDaniel | I Guess That’s Why They Call It The Blues | My Father’s Gun

Já falei desse homem com muito carinho aqui, mas um post não é suficiente, dois não são, esse blog inteiro não seria. =~ Amo Elton demais, o jeito dele cantar, as letras, as melodias, tudo. Sou fã mesmo. Por isso tudo, não poderia deixar de citá-lo nessa minha lista, mas o problema é (sempre será) o seguinte: qual música escolher? Fiquei dividido entre três e resolvi citar todas. Me julgue.

Daniel fala de um amigo-irmão querido que se vai – sempre lembro do meu irmão quando ouço essa | I Guess… o próprio título já entrega tudo: é só uma música, mas também é o que se pode chamar de tristeza | My Father’s Gun fala de quando seu pai morre e você tem que começar a tocar a sua vida, sozinho.

As três são incríveis. Sei nem o que dizer mais… Clica em play aqui embaixo, por favor. ;]

7) Stênio Marcius – Alguém Como Eu

Um dos maiores problemas das músicas de louvor hoje em dia é o foco: os cantores tentam escrever coisas legais, instigantes e esquecem que a essência era pra ser outra, era pra ser simples. E “Alguém como eu” é justamente isso: essência. Mais do que problematizar a questão de como Jesus poderia ser homem e Deus ao mesmo tempo, a letra fala da amizade entre uma pessoa comum e alguém não tão comum assim.

Olha, tá pra nascer música mais delicada e mais tocante que essa. Chorei tanto da primeira vez em que ouvi que dava pra encher um balde.

6) Padre Zezinho – Utopia

Mantendo a vibe do número 5, não tem como não citar essa pessoa. Minha gente, esse padre acaba com o meu coração. As melodias são simples, a voz não é grande coisa, mas as letras… Gosto de várias dele, mas Utopia sem dúvida é a minha favorita. Ela é cheia de nostalgia – saudade mesmo – e fala daquela época em que os pais e filhos se sentavam ao redor de um rádio pra dividir as vidas uns com os outros. É o tipo de música que dá um aperto no peito e deixa a gente sentindo falta do que nunca viveu, sabe?

5) Roberto Carlos – Proposta

Me julgue mais uma vez: eu amo esse homem. A despeito de toda breguice e da pessoa bizarra que ele parece ser, o conjunto da obra de Roberto é precioso. Esqueça “Emoções”, “Esse cara sou eu” e o especial de fim-de-ano da Globo! Ouça Desabafo, Você não sabe, Cavalgada: vá além. Não deixe seu preconceito te impedir de conhecer coisas novas, coisas boas.

“Proposta” era uma música banal pra mim. Até eu voltar no banco de trás de um carro, com a cabeça encostada no ombro do meu ex-amor. Enquanto eu fingia dormir, essa música tocava e a letra soava alto pelas janelas abertas. “Eu te proponho nós nos amarmos, nos entregarmos. Nesse momento, tudo lá fora deixar ficar…” Que proposta ambiciosa a que eu tava fazendo! Ambiciosa demais pras minhas possibilidades naquele momento.

4) Bruce Springsteen – Stolen Car

Essa música é clássico Bruce: a história da nossa vida + voz + violão. Nessa aqui, a letra vai descrevendo a história de dois namorados, como eles se conheceram, se apaixonaram e acabaram se casando. Tem como não se cativar? Pois é. Aí vem o cara e diz: Then little by little we drifted from each other’s heart. PAM. Acabou-se. E Bruce passa as outras cinco estrofes falando das expectativas que os dois tinham e de como, uma por uma, elas foram substituídas por decepções. Te lembra alguma coisa?

3) Scott Matthew – Abandoned

Essa não precisa justificativa. Dá play e deixa a voz quebrada dessa pessoa acabar com teu coração.

2) Anthony and the Johnsons – Hope There’s Someone

Mencionei essa música aqui. Ela é cruel porque, no fim das contas, fala exatamente do que a gente espera da vida: que haja alguém. Alguém que tome conta do nosso coração e que seja bom pra encostar, quando a gente estiver cansado. É o tipo de música que se basta.

1) The Carpenters – Goodbye to Love

A minha música mais triste do mundo é também uma despedida. E, aqui, o adeus não se destina a alguém: é do amor que Karen se despede. Eu poderia falar mil coisas agora: como sou fã dessa banda, o quanto eles já falaram comigo, como nos identificamos… Resolvi não fazer nada disso. Vou só pedir uma coisa a você que resistiu até aqui: abre as janelas da tua casa, senta no chão e deixa essa música tocar.

Repara na suavidade da voz e no solo de guitarra. Repara na letra. Ou só ouve e pronto, porque esse é o tipo de música que entra pelo ouvido e vai direto pro coração.


Oi, você que resistiu a esse texto gigante! =]

Essa é a minha lista, as músicas que mais tocam o meu coração. Num ato de amor, dividi com você.

Agora, quero saber: quais são as tuas músicas mais tristes do mundo?

Feliz fim de carnaval!

Eric

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Músicas dos nossos pais

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Tan dan dan DAN!

I’ve got sunshiiiine ☼, on a cloudy daay ☁ ♪

Como não ver esse filme lindo (falamos dele aqui) sem lembrar da música tema?

“My girl”, dos Temptations foi uma das músicas mais emblemáticas dos anos 60. Hit na Billboard da época e um sucesso estrondoso, mas – como tudo na vida – passou. A poeira dos Temptions baixou e só trinta anos depois – em 1991, pra ser exato – essa música voltou a ser ouvida, justamente por causa do casalzinho apaixonado na foto aí de cima.

“Meu Primeiro Amor” foi lançado nos anos 90 e repara: todo mundo acha que esse filme é mais antigo! Isso porque ele se passa nos anos 70 e tudo, inclusive a trilha sonora, remete a essa época. Mas, se a gente for parar pra pensar, nos anos 90 era muito comum as pessoas ouvirem músicas antigas, especialmente as internacionais. Por quê? Não tinha música boa nos anos 90? Saudades N’Sync Não, gente! … Nostalgia.

O que teus pais ouviam quando tu era pequeno? Músicas de quando eles eram pequenos, que os pais deles ouviam. E estes, também ouviam música de quando eram pequenos, que os pais… Entende? É o tipo de música que vem com bagagem emocional, com lembranças. Se você tem vinte e poucos anos, como eu, você nasceu nos anos 80/90. Então vivenciou fenômenos como Backstreet Boys, Britney Spears e os representantes brasileiros Éotchan e Mulekada. Mas também passava pela sala e ouvia seu pai ou sua mãe ligados num rádio ou fita k7 (!) ouvindo aquelas músicas melosas “do tempo deles”.

Meu pai, por exemplo, era conhecedor dos expoentes musicais que despontavam nos anos 90, como U2, Shakira e Harmonia do Samba, mas as músicas que ele realmente gostava eram as que tinham marcado a infância e adolescência dele: Eagles, Bee Gees, Cyndi Lauper e Elton John. Essa era a música pop da época dos nossos pais. E de dez músicas que meus pais ouviam naquela época, dez eram sobre amor. Inclusive, nos anos 90 e comecinho dos 2000, tinha rádios inteiras com programação voltada a essas músicas românticas antigas. [Confesso, inclusive, que eu ouvia toda noite um programa da Rádio Clube chamado The Old Songs, só com esse tipo de música. A madrugada todinha chorando e sofrendo ao som do melhor dos anos 80/90 ♡] – Vergonha alheia de mim mesmo.

Em homenagem aos nossos pais, e a você também (confesse!), resolvi fazer um post listando o melhor da música de amor da nossa infância/adolescência. Vem comigo lembrar do primeiro beijo, das fitas k7 do teu pai e da nostalgia de quem viveu o Castelo Rá-tim-bum mas queria mesmo era ser da época do Balão Mágico.

13) The Temptations – Ain’t too proud to beg

A minha idéia era focar só em músicas de 80/90, mas quando falei sobre The Temptations lá em cima, lembrei na hora dessa música deles. Uma das mais rastejantes que eu já ouvi na vida! Se você der play, vai ver que é bem animadinha, mas lê a letra: Eu sei que você quer me deixar / mas eu me recuso a te deixar ir / se eu tivesse que implorar, pedir sua simpatia / eu não me importo, você significa muito pra mim. / Eu não sou orgulhoso demais pra implorar / POR FAVOR, não me deixe garota! MINHA GENTE! É o fundo do poço emocional, mas ele canta isso sorrindo, se divertindo, como quem pensa: “É, tô apaixonado mesmo. Que se dane!”. E, olha, ele canta bem que só, e a música é muito divertida!

12) The Housemartins – Build

Minha gente, por favor vejam esse vídeo! Como lidar com o cabelo lambido do vocalista? Com a dancinha, (que atinge o ápice em 0:50)? Mais: como lidar com o fato dessa música ser conhecida como “Melô do Papel“? hahah Eu juro por Deus! Só ver o título do vídeo. Enfim, essa música nem fala de amor, mas tá na lista justamente por isso: pra representar todas as músicas “românticas” que nossos pais dançavam coladinho e não tinham nada a ver com amor. Tipo, nada mesmo. Essa inclusive fala sobre a sociedade e o papel das empresas que constroem edifícios (?), mas é tão lentinha e fofinha que dá mesmo pra jurar que é uma canção de amor: o melô do papel.

11) The Cars – Drive

O título do vídeo dessa tem corações! Como não amar? ♡ Mas não se engane pela fofura do título, a mensagem aqui é mais seca, direta mesmo. Nós dois: acabou. E agora? Quem vai te levantar, quando você cair? Quem vai te segurar quando você tremer e aparecer quando você se quebrar? … Quem vai te levar pra casa essa noite?

– Eu não.

10) Chris de Burgh – Love is my decision

Lembra do remake da novela Anjo Mau, aquela que tinha Glória Pires como protagonista/antagonista? Love is my decision era uma das mais lindas daquela trilha sonora, e é a música perfeita pra quando você quer acabar uma DR. O casal discute, grita, reclama de tudo, mas tem aquele momento em que alguém decide parar a briga. Nos anos 80, essa pessoa olharia a outra nos olhos e diria: Ei, eu quero continuar com você! Se eu tiver que escolher… love is my decision.

Mais brega, tá pra nascer! Mas a música é ótima!

9) U2 – With or without you

Alguém aí fã de Friends? Lembra quando Rachel e Ross acabam o namoro pela primeira vez? Cada um fica sofrendo num quarto, olhando pra chuva que cai lá fora e ouvindo With or without you. Não sei explicar por que eu gosto tanto dessa música. Ela começa meio lenta, grave, sombria, e vai crescendo até chegar na desesperança, no desespero mesmo. Aí o eu-lírico finaliza: eu não posso viver, com ou sem você. Eu não posso viver.

8) Solomon Burke – Cry to me

Mais sexy que essa música tá pra nascer! De verdade. Imagina você abandonado/a pelo seu amor, pensando nas suas desventuras, chega aquela pessoa no teu cangote e diz: Tá com vontade de chorar? Vem cá… chora aqui pra mim. Ela é trilha sonora de um filme que COM CERTEZA seus pais já viram e, se brincar, no cinema: Dirty Dancing – Ritmo Quente. Solomon canta justamente no momento em que os protagonistas estão se aproximando mais fisicamente e os dois dançam bem sensualmente ao som dessa canção que, olha… Mexe com a pessoa. O clipe aqui é justamente dos dois dançando ao som da música, sente a pressão:

Ps. sim, tenho o DVD do filme. Me julgue!

7) Bon Jovi – Always

Chora, coração bandido! Se apaixonou, achou que ia ser pra sempre, mas acabou? Essa é a música perfeita pra você passar por esse momento, só dar play e pronto. Se puder decorar a letra pra gritar junto, fica melhor – experiência própria Se não bastasse isso, o clipe dela ainda é ótimo, uma historinha de amor bem complexa: a paixão inicial, traição, arrependimento, tudo. Olha:

6) Aerosmith – Crazy

Certeza que você já viu esse clipe! Poucas coisas são tão anos 90 quanto Aerosmith e essa música em especial. Duas ninfetas doidinhas fogem do colégio e vão tirar onda por aí. É divertido, sexy, romântico e nostálgico. Acho, inclusive, que é um dos meus clipes favoritos. Olhe, confie em mim, só dê play e seja feliz:

5) Bryan Adams – Please forgive me

Esse homem quer tocar seu coração. A primeira cena do clipe é um pastor alemão fofinho correndo pra dentro do estúdio de gravação, enquanto ele se prepara pra cantar uma música chamada… Please, forgive me. Olha, difícil apelar mais do que isso! Mas a gente perdoa, porque a música é ótima (de verdade) e ele parece muito sincero. Aliás, você não conhece Bryan, mas ele é um dos cantores que mais tocavam nas rádios de madrugada. É tipo o principezinho das Old Songs! Só música boa e roedeira.

 4) Elton John – I guess that’s why they call it the blues

Palavras não podem dizer o quanto foi difícil escolher só uma de Elton pra colocar aqui. Sou muito fã desse homem e não tenho vergonha de dizer que já chorei inúmeras vezes, ouvindo ele cantar. A voz dele é triste, as letras são lindas e os arranjos com piano forte acabam com os corações partidos. </3 Escolhi essa em especial por causa do título e da força que ela vai ganhando, graças ao piano. Linda, tocante. Acho que é por isso que chamam de tristeza.

3) Kiss – Forever

Daí que uma banda de metaleiros, couro preto e jeito de mau, resolve compor uma baladinha. Várias das bandas de rock dos anos 80 e 90 fizeram isso, mas pra mim ninguém fez melhor que o Kiss. Impossível imaginar que esses caras sãos os mesmos que cantavam de cara pintada e cuspindo sangue. Aqui, eles só falam das coisas do coração. De um jeito brega, de um jeito lindo!

2) George Michael – Careless Whispers

Não dá pra acabar uma lista sobre música dos anos 80/90 sem mencionar essa música. NÃO DÁ! Eu não sei nem como começar a explicar o porquê, mas em resumo: ela representa o que há de mais brega, exagerado e melodramático dessas décadas. O que é o brinquinho de George Michael, as caras de sensualidade, a história de amor absurda? As cordas e refletores? – Minha gente, sério mesmo? Enfim, se tem um clipe nessa lista inteira que vale à pena ver, é esse. Então corre, aproveita:

Personalíssimo: Sabe aquela música que você coloca pra tocar quando quer pôr tudo pra fora, chorar de se acabar? Confesse vá, você tem uma! Eu tenho algumas (risos) e poderia citar várias delas, mas como o post já tá gigante, vou colocar só uma. Mas, olha, essa vale por dez. Desde 1996 – quando eu ganhei o CD de Cara e Coroa Internacional – que ela toca meu coração. Faça um teste: ouça de olhos fechados e pensa na tua vida amorosa. Duvido tu não chorar!

1) ?

Difícil escolher uma pra essa posição. Gosto demais dessas músicas “do tempo dos nossos pais”, então me reservo ao direito de não ter que escolher uma pro primeiro lugar. Deixo essa tarefa pra vocês! Alguma música que os pais de vocês (ou vocês mesmos) ouviam e que faltou aqui? Diz aí nos comentários. =]

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Como eu me sinto quando dou play nessa lista

Eric

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