Disco

Eu gosto é do gasto

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Ventura: Destino (bom ou ruim); sorte.

Relacionamento é, por ora, a palavra que mais define os Hermanos. Tanto pelo próprio nome da banda, que conota companheirismo, como pela temática que cantam: Um eterno relacionamento com a vida, com o que está por vir, uma eterna coragem para abraçar o futuro, independente do que ele possa trazer, um público fiel que se relaciona. Com uma águia e um lindo horizonte, a banda se declara escrava sã e salva de vencer. Corre para o próprio destino e se coloca presa a amores, ao samba, como música de entrada, como um recado: A vida, a ventura, o destino, tudo que importa é um samba.

Quando os meninos falam em relacionamento, em público e fãs, é impossível não lembrar da época de adolescente, em que alguém dedicou uma frase de Último Romance para um amor também adolescente. O tempo passou, as lágrimas derramadas diante de Conversa de Botas Batidas completaram 12 anos e, nesse meio tempo, o disco Ventura foi considerado um dos 100 mais importantes da música brasileira e se destacou como a obra prima da banda que marcou gerações apaixonadas no Brasil.

A banda parou. Mas é possível perceber que Los Hermanos não acabam, pelo estrago que Ventura pode causar. Será que os meninos de 12 anos atrás sabiam o que diziam com o nome e a capa daquele disco? A partir dali, seriam capazes de alçar voos de escolha própria, grandes ou curtos. Parar. Desistir. Cantar. Compor. Poderiam conjugar os seus próprios verbos porque Ventura foi um manifesto de liberdade e, entretanto, uma eterna prisão no relacionamento sério com a música brasileira.

Roqueiro não sabe fazer samba? São roqueiros? Afinal, olha só que disco estranho que chegou! Sem se definir como Mpb ou pop-rock. Mas essa estranheza de Ventura trouxe a inesquecível sorte e o sucesso à banda. A imortalidade e o eterno relacionamento, com um público que, embora adormecido, ao ouvir qualquer faísca de música vai acompanhar, e gritar, e dizer que continua acompanhando e pedindo pra voltar.

Neide Andrade

Pra gostar de: The Magnetic Fields

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Suas definições de indie foram atualizadas.

Em minha defesa, tenho a dizer que não escuto só coisa bizarra e desconhecida, eu juro! Pagar de cult não faz a minha linha, tanto que já publiquei aqui um post com as 5 músicas mais vergonha alheia que eu tô ouvindo no momento – sim, no momento, pois variam muito as músicas, mas a vergonha é a mesma. ;]

Pois bem, tava lendo o final de um livro muito fofinho chamado Extraordinário, de J. R. Palacio. E eis que a autora cita uma banda. Normalmente, quando isso acontece, eu sempre anoto no celular o nome da banda/música pra procurar depois, e acabo esquecendo. Mas, nesse dia, como o livro tava nas últimas páginas e o laptop do meu lado, digitei no youtube o título da música e apertei play.

O nome da banda era Magnetic Fields e a música se chamava The Luckiest Guy On The Lower East Side – uf! Não gostei na hora. Achei meio bizarra. Mas sabe a barrinha de vídeos relacionados? Fui clicando, clicando e quando dei por mim nem tentei fugir já tinha ouvido quase dois cds inteiros deles! E estava apaixonado. Perdidamente.

Uma das razões foi essa música aqui:

(mais…)

Suécia, essa delícia!

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As músicas que fazem sucesso hoje são todas iguais! / Odeio pop! / Não tem nada que preste!

Meu amigo, se algum dia você disse uma dessas frases… Parabéns! Você está certo. O pop tá uma desgraça mesmo, e quase tudo o que faz sucesso parece uma grande repetição do que funcionou anos atrás. A música pop tá totalmente sem personalidade e toda “atitude” dos cantores parece forçada. Quem aguenta mais homem-bonitinho-voz fina-violão? Ou menina-desprotegida-forçando-marra? Mas ei, isso aqui não é um blog indie! E se tu acha que nada do que faz sucesso presta. Vai-te embora!

A situação tá uma desgraça, mas tem muita coisa que se salva. Algumas delas fazem sucesso já, outras tão despontando ainda. E as boas que tão despontando vêm de onde? DE ONDE? Da Suécia, esse lugar maravilhoso.

Suécia é a terra de três cantoras muito boas que vou citar aqui hoje. Provas de que tem música pop boa SIM e com personalidade também. Tô falando de RobynElliphant e – especialmente – Tove Lo. Digo “especialmente” porque vou falar mais dela nesse post, já que acabei de ouvir inteiro o seu primeiro cd: Queen of the Clouds.

Não conhece nenhuma das três? Tá com medo? hahah Relaxa! Bora!

robyn7231) ROBYN – música de boate

É a mais famosa das três suecas, a mais velha e experiente. Começou aanos atrás (1997) fazendo sucesso com uma música chamada “Show me Love”. Rola um boato de que os produtores americanos/europeus queriam transformá-la numa espécie de Britney Spears. Ela não gostou da idéia. Sumiu, e só em 2010 (!) voltou, numa gravadora pequena, com o cd fera chamado Body Talk. Os indie pira! Fez um sucesso relevante e embalou muitos corações. As músicas desse cd são quase todas dançantes, de um jeito pouco óbvio. Já as letras têm aquela vibe sad songs, sabe? Uma tristeza só. Robyn é a cantora pra tocar no meio/fim da festa quando seu coração tá aberto pra cantar coisas do tipo “I’m in the corner watching you kiss her / I’m right over here, why can’t you see me? / I’m givin’ it my all but I’m not the girl you’re taking home… / I keep dancing on my own.” CHORA, coração bandido!

Desse cd, destaco as famosas Dancing on my own > Call Your Girlfriend / a recente Do It Again / e as não tão famosas, mas igualmente boas: Time Machine > Indestructible > Get Myself Together. Um vídeo da última:

 5149b6418c30c2) ELLIPHANT – raiga!

Essa é a mais doida das três e – na minha opinião – a mais criativa e inusitada. Algumas vezes, as músicas dela são loucuras que dá nem pra ouvir, de tanta agonia. Mas, quando acerta, detona. A música dela tem assinatura, sabe? Você ouve e já reconhece: Elliphant. O que é tão controverso? A mistura de sonoridades. Ragga, trap music, reggae, hip hop, pop, dupsteb. Tudo isso cantado/rimado por uma voz forte, num sotaque bem diferente. Imagina! Esse é o tipo de cantora com quem você tem que ter paciência. Vai ouvir uma vez, não vai gostar. Insiste e, quando vê, tá amando. Aconteceu exatamente isso comigo. Estranhei muito de primeira, hoje gosto demais.

Minhas favoritas dela são Down on Life (Essa é um ragga-indie delícia. Que música gostosa de ouvir! Dá vontade de dançar de leve, sabe como?); Could it Be (Ragga, hip hop, sensualidade e AQUELE sotaque carregado delícia. Me lembra Man Down, de Rihanna) e Revolusion (Começa de leve e vai crescendo, crescendo até AQUELE break de trap no fim do refrão. Nervosíssima.)

tumblr_static_tumblr_static_22jiw8lz3ysk48k04800kgoso_12803) TOVE LO – pop

A última é justamente a galega da foto que abre esse post. Das três, ela se enquadra melhor no conceito de pop. Não soa necessariamente como música de boate, nem tem um som tão marcante e cheio de referências. É simplesmente pop, só que bem feito. Pra mim, ela era totalmente desconhecida até minha amiga Débora mandar um link com a música de trabalho dela. Gostei, mas nada demais, sabe? Daí semanas depois entrei num blog aleatório e abri o vídeo de Habits (Stay High). A mesma música que minha amiga tinha me mandado antes. Ouvi à segunda vista e… Débora tinha razão: que música pop, meus amigos! QUE REFRÃO. Uma beleza. Ouvi duas vezes e já estava apaixonado. Nesse dia, peguei um trânsito de 1h no centro da cidade. Passei os-sessenta-minutos ouvindo em loop essa música. Eu juro. E cada vez ficava melhor.

Brevemente: o que Habits (stay high) tem de especial? A melodia vai crescendo aos poucos, acompanhando tudo o que tá sendo dito na música. A estrela, com certeza, é a letra: ela dá o tom de desespero que vai aumentando até culminar com o refrão incrível. Tove Lo canta com sinceridade: You’re gone and i gotta stay high / all the time / to keep you off my mind.

Música pra quem já fez besteira tentando esquecer alguém… Quem nunca?

Pois bem, depois de me viciar em Habits, fui o ouvir o primeiro (e único) cd dela, que chama Queen of the Clouds. Não tem nenhuma música tão boa quanto a primeira ;/ mas o cd tem coisas ótimas. É inegável que a mulher tem talento e cuidado com o que faz,  pouca coisa soa pasteurizada ou genérica.

Depois de compor as letras, essa linda separou o disco em três atos: The Sex | The Love | The Pain. A divisão é bem coerente: cada uma das partes têm músicas que representam um dos temas, embora algumas pudessem se enquadrar em dois deles ao mesmo tempo.

Separei minhas favoritas de cada ato pra dividir com vocês:

I) The Sex

As música safadinha. Das quatro desse ato, destaco Like’ em young – aqui ela conta que curte novinhos hahaha e Talking Body – que fala sobre quando duas pessoas se calam, e deixam os corpos falarem… (Ui!) A letra é muita onda e a música é uma delícia.

II) The Love

Sexo é bom, mas o que acontece quando você começa a gostar de alguém? Nesse ato ela fala sobre isso, com uma das melhores músicas do cd: Not On Drugs. Um dubstepzinho bem-feito e honesto. Nada de nervoso ou extremamente dançante, só o suficiente pra se agarrar. ;] ” Baby listen, please!  I’m not on drugs, I’m just in love.” 

III) The Pain

Foi bom, mas acabou. Só resta se drogar. (oi?)  Lógico: é nesse ato que Habits (stay high) tá, mas pra citar uma diferente destaco This Time Around. Foi a que mais demorou a me pegar, mas fui escutando aos poucos e hoje é uma das minhas favoritas. Quando ela começa, já deixo o player de música no repeat.

 *** Por último, a música mais delícia do álbum. Não é a mais criativa, não serve pra dançar e a letra é pouco profunda. Mas minha gente, Moments é uma delícia! Bem produzida e muito envolvente. I can get a little drunk / I get into all the don’ts / but on good days, I am charming as fuck. (Como não amar essa letra?)


E aí?

Ainda tem música pop boa no mundo?

Eric