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Como superar? em 6 passos com Amaral

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Rompendo nosso silêncio de dois meses pra fazer uma enquete com vocês, daquelas de amigos em fim de festa, sabe?

Salão esvaziou, música baixinha tocando e a galera começa a falar sobre a vida. Familiar a cena? Nessa hora, sempre tem aquele mais afetado que levanta e faz uma pergunta aleatória. Hoje, sou eu. E a pergunta: no mundo, há dois tipos de pessoas, 1) as que superam o passado de boa, sacodem a poeira e dão a volta, etc e 2) aquelas que não superam, que se negam.

Adivinha em que grupo eu tô? (Risos) E você?

Mas, olha, trago hoje uma boa notícia: pode levar um ano, três, mais – a gente vai superar! #Oremos No caso de Amaral, porém, foram 19 anos, 7 CDs lançados e eles ainda estão tentando. Coragem! Aí você me pergunta: quem danado é Amaral? Pois bem, este post inteiro é pra te responder essa pergunta. (Ain, Eric, mas nunca ouvi falar… Eu sei! Confia em mim que vai valer a pena.) (mais…)

Eu gosto é do gasto

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Ventura: Destino (bom ou ruim); sorte.

Relacionamento é, por ora, a palavra que mais define os Hermanos. Tanto pelo próprio nome da banda, que conota companheirismo, como pela temática que cantam: Um eterno relacionamento com a vida, com o que está por vir, uma eterna coragem para abraçar o futuro, independente do que ele possa trazer, um público fiel que se relaciona. Com uma águia e um lindo horizonte, a banda se declara escrava sã e salva de vencer. Corre para o próprio destino e se coloca presa a amores, ao samba, como música de entrada, como um recado: A vida, a ventura, o destino, tudo que importa é um samba.

Quando os meninos falam em relacionamento, em público e fãs, é impossível não lembrar da época de adolescente, em que alguém dedicou uma frase de Último Romance para um amor também adolescente. O tempo passou, as lágrimas derramadas diante de Conversa de Botas Batidas completaram 12 anos e, nesse meio tempo, o disco Ventura foi considerado um dos 100 mais importantes da música brasileira e se destacou como a obra prima da banda que marcou gerações apaixonadas no Brasil.

A banda parou. Mas é possível perceber que Los Hermanos não acabam, pelo estrago que Ventura pode causar. Será que os meninos de 12 anos atrás sabiam o que diziam com o nome e a capa daquele disco? A partir dali, seriam capazes de alçar voos de escolha própria, grandes ou curtos. Parar. Desistir. Cantar. Compor. Poderiam conjugar os seus próprios verbos porque Ventura foi um manifesto de liberdade e, entretanto, uma eterna prisão no relacionamento sério com a música brasileira.

Roqueiro não sabe fazer samba? São roqueiros? Afinal, olha só que disco estranho que chegou! Sem se definir como Mpb ou pop-rock. Mas essa estranheza de Ventura trouxe a inesquecível sorte e o sucesso à banda. A imortalidade e o eterno relacionamento, com um público que, embora adormecido, ao ouvir qualquer faísca de música vai acompanhar, e gritar, e dizer que continua acompanhando e pedindo pra voltar.

Neide Andrade

Pra gostar de: The Magnetic Fields

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Suas definições de indie foram atualizadas.

Em minha defesa, tenho a dizer que não escuto só coisa bizarra e desconhecida, eu juro! Pagar de cult não faz a minha linha, tanto que já publiquei aqui um post com as 5 músicas mais vergonha alheia que eu tô ouvindo no momento – sim, no momento, pois variam muito as músicas, mas a vergonha é a mesma. ;]

Pois bem, tava lendo o final de um livro muito fofinho chamado Extraordinário, de J. R. Palacio. E eis que a autora cita uma banda. Normalmente, quando isso acontece, eu sempre anoto no celular o nome da banda/música pra procurar depois, e acabo esquecendo. Mas, nesse dia, como o livro tava nas últimas páginas e o laptop do meu lado, digitei no youtube o título da música e apertei play.

O nome da banda era Magnetic Fields e a música se chamava The Luckiest Guy On The Lower East Side – uf! Não gostei na hora. Achei meio bizarra. Mas sabe a barrinha de vídeos relacionados? Fui clicando, clicando e quando dei por mim nem tentei fugir já tinha ouvido quase dois cds inteiros deles! E estava apaixonado. Perdidamente.

Uma das razões foi essa música aqui:

(mais…)

Mika, eu quero falar sobre você!

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O dia tá abafado, meio triste.

Você não aguenta mais aquele trânsito, aquela apostila, tua mesa de trabalho. Cansou!

Então deixa eu resolver teus problemas. ;]

Essa pessoa bizarra da foto se chama Mika. Nasceu no Líbano e foi criado em Londres. Vendeu rios de cópias do seu primeiro cd Life in Cartoon Motion, lá em 2007. Pronto. É tudo o que você precisa saber por enquanto. O que você realmente precisa é ouvir a primeira música de trabalho do cd novo dele, Talk About You:

Agora me diz: como lembrar do chefe? Dos prazos? Do monte de coisa que você tem pra estudar?

A vozinha de Mika tem encanto, faz a gente esquecer de tudo e abrir um sorriso, daqueles de verdade. De repente, tudo o que é importante fica besta e o que é pesado perde o valor. Tudo o que a gente quer é lembrar de como é bom estar apaixonado, como é bom ter alguém pra amar.

Essa música fala daquele momento do amor em que a tua vida tá tão cheia da pessoa que você é todo ela: só fala dela, só pensa nela.

Então dá play e deixa teu coração se encher de alegria!

Walk through the city
Like stupid people do
A million faces
But all I’m seeing is you
I’m stopping strangers
And telling them your name
Convincin’ haters
One day they’ll feel the same

I said you’re the only one I wanna talk about
Yeah it’s true
All I do is wanna talk about you


* O cd novo do Mika vai se chamar No Place in Heaven, a capa é a foto que ilustra esse post. Agora, um recado pro próprio: desde o The Boy Who Knew Too Much que eu espero outro cd decente, homem. Não me decepcione!

** Edit: Saiu o clipe, minha gente! E tá, olha, a coisa mais linda. Uma cidade inteira se montando e desmontando atrás dele, ganhando cores à medida em que o bichinho vai falando de como tá apaixonado, de como não consegue pensar em outra coisa. Repara:

Eric

Pra gostar de: Sky Ferreira

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Não, ela não é brasileira. O pai dela que é. E eu sei que você provavelmente nunca ouviu falar dessa criatura. Mas, ei, a proposta dessa seção “Pra gostar de” é justamente essa: falar de coisa boa – que normalmente eu ouço sozinho – pra vocês conhecerem e, quem sabe, ouvirem junto comigo.

Então, paciência, que eu vou (tentar) te convencer a gostar de Sky Ferreira.

Minha história com essa pessoa foi singular: ouvi a primeira vez uma música dela, achei estranha, fechei o vídeo. Meses depois, ouvi de novo. Achei estranha. Salvei o blog que falava dela nos meus favoritos. Fechei o vídeo. Tempos depois, ouvi, reconheci, gostei e me apaixonei. Baixei os dois EPs e o CD dela e hoje sou fã. Obrigado, internet!

Vamo deixar de conversa e aprender logo a gostar dessa mulher? Listo 5 músicas pra tentar te convencer.

A primeira que ouvi de Sky – e que desencadeou a coisa toda – foi essa aqui:

1) Eveything is Embarrasing

Entendem o meu estranhamento? A música começa com uma batida marcada e – do nada – um acorde bem triste dá início à melodia. Ou seja, é uma música triste com uma batida dançante – poucas coisas são tão indie. Mas, depois do estranhamento inicial, o que fica é a idéia legal da letra e a vontade de dar play nisso numa festa qualquer. Imagina as pessoas se movendo no ritmo da batida e pensando nas desventuras dessa vida! <3

2) Red Lips

Daí que depois de já viciado na primeira música, fui caçar o EP em que ela estava (o Ghost) pra ver se gostava de mais alguma. E eis que escuto uma canção de rock. Sim! Guitarra e bateria bem marcadas, letra provocadora e clipe… Meu deus, o clipe. É simplesmente ela de roupa de baixo enquanto uma aranha caranguejeira anda em cima dela. hahahah E, veja bem, isso não é o mais surpreendente! Vale o play. A música é uma delicinha e o clipe é bem interessante, por assim dizer.

3) Sad Dream

Ok, já tinha gostado de duas músicas e já simpatizava com Sky. Faltava só alguma coisa que me convencesse a ficar, a acompanhar de verdade o trabalho dela. E eis que, não mais que de repente, abro o clipe da primeira música do EP Ghost: Sad Dream. O clipe é muito bonito, delicado, suave, cheio de melancolia e vazio de pieguice, mas a música… Linda demais! É uma baladinha simples, com o baixo bem marcado e muito destaque pros instrumentos acústicos, mas te pega tanto que não sei dizer. Deve ser o jeito como a voz dela soa desprotegida sob os instrumentos, ou a letra. Ou as duas coisas. Destaque pra uns graves lindos que Sky dá no fim dos refrãos.

Gosto tanto de Sad Dream que incluí na minha lista de 10 músicas mais tristes do mundo.

4) Sex Rules

Depois de ouvir o Ghost até furar, fui ouvir o EP anterior dela: o As If!. Nele encontrei o que faltava pra completar o pacote. Quem disse que as músicas dessa mulher são todas tristes? Nesse EP tem uns dancezinhos legais – tipo minha querida 108 – e músicas mais raivosas/divertidas. Minha favorita desse álbum é justamente uma bem engraçadinha e o nome dela é… Sex Rules. hahah Imagina! A música é gostosa demais. Dá vontade de dançar e ser feliz, ou de fazer o que a letra dela sugere. Vê só: We are animals / No matter what we deny. / Our bodies strong like magnets / In the darkening sky. / Sex rules/ Use your God-given tools / Sex Rules / I pity the fools / Who realize too late / Love, sex, and God are great / Oh-oh, oh-oh / Sex rules.

5) You’re not the One

Ouvi os dois EPs, gamei e tal mas CADÊ O CD, MULHER? Demorou anos pra essa pessoa lançar um CD e todo mundo (eu) estava curioso pra saber qual vertente de som ela ia explorar, já que nos EPs ela foi do indie ao dance-pop sem nenhuma vergonha na cara, e competentemente. You’re not the one foi o primeiro single do CD dela, que chama Night Time, my Time e, olha: coisa linda! Pega aquela vibe dance, mistura com o rock de uma guitarrinha nervosa, bota uma letra bem provocativa (you. are. not. the. one.) e tá feito o sucesso. Delícia de música e certeiro pra um primeiro single!

6) Bônus: Heavy Metal Heart

Se eu gostei do primeiro single, eu ENDOIDEI com essa aqui. Nem é single, mas é minha favorita do CD inteiro, de todos os trabalhos de Sky. Delícia de rockzinho! Uma pegada bem 80’s, tipo Blondie e Joan Jett, mas com uma letra bem bobinha, bem a minha cara. Às vezes eu tô no chuveiro e dá vontade de gritar YOU MAKE ME FEEL THE PULSE OF MY HEAVY METAL HEART / YOU MAKE MY HEAVY METAL HEART BEAT BEAT OH OH. E, olha: se a música dá vontade de gritar no chuveiro, é porque ela é boa mesmo. Esse é o melhor termômetro! Totalmente despretensiosa e extremamente acertada. Ponto pra Sky. De novo.


Pra finalizar: de todos os trabalhos dela, tenho que dizer que o meu favorito foi o EP de 2012 (Ghost). É o mais tristinho e o que mais é a minha cara. #gueba O cd dela eu não amei não, mas achei consistente/coerente, e gostei mais dele que do ep de 2011 (As if!). De músicas ainda não mencionadas, destaco a tristeza de Ghost; a rave de Lost in my bedroom; o dance delícia de 108 (de novo!) e a construção perfeita que é I Blame Myself (cujo clipe, aliás, também é ótimo!). Enfim: Sky, vem cá. <3

Eric