Mil vezes boa noite

Cinco filmes sobre mim

Olá, queridxs! Ontem Eric fez um post aqui no blog pra falar mais sobre ele e como as músicas serviram para mostrar a personalidade dele, assim como as pessoas que o influenciaram. Pessoas comuns, esta é a parte mais linda! Pois bem, hoje é o meu dia. Não sou muito ligada a música, poucas me emocionam e não sou a melhor crítica dessa linguagem por não saber interpretar com clareza. Por isso, fiquei em dúvida entre a literatura e cinema. Os livros me acompanham desde sempre. Minha mãe é daquelas que não mede esforços pra formar uma leitora, até hoje. Mas acredito que o cinema é o que me cativa mais… Talvez porque seja uma mídia que une literatura, teatro, música, fotografia e o que mais tiver de bom… Ou sabe-se lá o motivo. Escolhi cinco filmes que falam um pouco sobre mim: medos, sonhos, prazeres, amores e a minha própria história.

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Mil vezes boa noite

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Mil vezes boa noite é um drama de 2013 que traz a história de Rebecca (Juliette Binoche), uma fotógrafa, esposa e mãe. Como uma pessoa comum, ela tenta unir o lado profissional e o pessoal ao mesmo tempo. No entanto, há um certo detalhe no seu trabalho: Rebecca fotografa guerras! E tem que ter muito coração pra estar na guerra, mais ainda pra amar uma pessoa que está lá.

Revoltada com a pouca visibilidade que a miséria das zonas de conflito tem na maioria dos países e com o sofrimento das pessoas no outro lado do mundo, a fotógrafa deixa em casa um marido e duas filhas, que já esperam o pior acontecer. A filha mais velha, Steph (Lauryn Canny), é a sua advogada e promotora ao mesmo tempo… Cobra presença da mãe, cautela… Mas é quem entende o desejo e a necessidade do mundo.

Rebecca sabe a situação política, sabe o motivo de tudo aquilo acontecer, mas tenta colocar um ponto final no desespero, através dos seus registros. Considerada uma das cinco melhores fotógrafas do mundo, denuncia o que acontece nos países esquecidos da África e, às vezes, até tem as suas fotos censuradas por mostrar a verdade nua e crua, já que é muito mais fácil fechar os olhos pra guerra. Durante a trama, Rebecca tem que escolher entre a família perfeita e o trabalho mais difícil de todos.

Eu esperei a morte de Rebecca em cada clique da sua câmera. E pude também sentir o drama da dúvida em cada olhar, em cada lágrima, em cada sorriso da filha mais nova.

O filme é impactante por essa escolha. Rebecca tem tudo para ser a melhor mãe e a melhor fotógrafa de todas, mas não pode ser os dois ao mesmo tempo, alguém vai ter que ficar comprometido. A decisão mais fácil é escolher a família, onde ela se sente feliz, onde ela está segura… Por outro lado, o mundo precisa daquelas fotos! Órfãos, cidadãos desesperados precisam daquelas fotos.  Mas é justo deixar duas filhas sem mãe? A justiça e o final feliz viram utopia diante de tanta dor!

 Neide Andrade