Como superar? em 6 passos com Amaral

amaral

Rompendo nosso silêncio de dois meses pra fazer uma enquete com vocês, daquelas de amigos em fim de festa, sabe?

Salão esvaziou, música baixinha tocando e a galera começa a falar sobre a vida. Familiar a cena? Nessa hora, sempre tem aquele mais afetado que levanta e faz uma pergunta aleatória. Hoje, sou eu. E a pergunta: no mundo, há dois tipos de pessoas, 1) as que superam o passado de boa, sacodem a poeira e dão a volta, etc e 2) aquelas que não superam, que se negam.

Adivinha em que grupo eu tô? (Risos) E você?

Mas, olha, trago hoje uma boa notícia: pode levar um ano, três, mais – a gente vai superar! #Oremos No caso de Amaral, porém, foram 19 anos, 7 CDs lançados e eles ainda estão tentando. Coragem! Aí você me pergunta: quem danado é Amaral? Pois bem, este post inteiro é pra te responder essa pergunta. (Ain, Eric, mas nunca ouvi falar… Eu sei! Confia em mim que vai valer a pena.)

Juan-Aguirre-Eva-Amaral-grupo_EDIIMA20131106_1642_1Amaral é uma banda espanhola liderada pelo ex-casal e agora broders para sempre: Juan Aguirre (guitarra/violão/backing) e Eva Amaral (vocal/violão), que se alternam em seus discos entre os gêneros pop/rock/folk.

E eu sei que você provavelmente tá pensando: Ah, pop rock em espanhol tipo RBD. PARE! Tem nada a ver. hahah Guarde esse danado preconceito na mochila e vamo abrir a cabeça junto pra uma historinha (e algumas canções). ;]

Se hoje parece não haver vida fora dos concursos públicos, a coisa não era muito diferente na Espanha dos anos 90 – a vida andava difícil pros sonhadores, especialmente numa cidade como Zaragoza. Quando o combo faculdade tradicional + escritório não parecia uma opção, o jeito era se virar e, olha, eles tentaram. Eva foi de garçonete a estudante de canto lírico, Juan chegou a cursar filosofia, mas foi no rock que esses dois se encontraram, literalmente. As noites vagando pela rua, de bar em bar, o futuro incerto, uma turma inteira de amigos e duas bandas de punk rock: tudo isso em comum, como não se apaixonar?

Pois é.

Só que, anos depois, o amor acabou. E aí? Os dois tiraram força nem sei de onde e continuaram trabalhando lado a lado. Resultado? Uma carreira premiada, de reconhecimento internacional, que vai completar 20 anos em 2017 [COM O/A EX! – Se isso não é superar, o que é, né? hahah]

Pode ser meu eu-awkward falando, mas acho impressionante trabalhar com um ex-namorado|a por tantos anos seguidos, sem nenhum hiato pós-término. A questão amorosa aparentemente não é mais um problema pra esses dois, mas outras feridas ainda parecem abertas. As dificuldades do começo da estrada, os amigos que foram se perdendo pelo caminho, as mágoas, os medos da existência: muita coisa ainda parece doer. Há outras lutas pra ambos agora.

Mas não importa o quê, superar é difícil. (Eu sei, eles sabem)

Por isso, hoje eu trouxe 6 músicas de Amaral pra ajudar você que nem chegou a pensar na existência e ainda tá tentando superar o|a ex. De quebra, tu se livra dos preconceitos e conhece uma banda incrível.

Bora!


FASE 1: A BAD (ou “está doendo”)

O título diz tudo né? Sin ti no soy nada, simples assim. Detalhe: a letra foi Juan que escreveu pra Eva cantar (#tenso)

FASE 2: A CONSCIÊNCIA (ou: “eita”)

Passa o tempo, aquela dor louca diminui e chega uma clareza finalmente pra tua cabeça – massa, agora dá pra pensar! Seria ótimo, né, se não fosse a conclusão a que você chega. Depois da primeira reflexão equilibrada em meses, sua cabeça conclui que… é, aquela alma sebosa faz mais falta na tua vida do que você gostaria de admitir. Eva chegou ao mesmo resultado. Depois de reviver na letra da música todos os anos de amor, a adolescência compartilhada, ela finaliza: siento que te extraño =/ [Plus: saca essa versão ao vivo incrível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=q9EOnUm05_k ]

FASE 3: O EMPODERAMENTO (ou “tô melhor sozinha|o”)

Sempre chega o dia em que você levanta da cama e começa a se arrumar de novo. Varre a casa, põe uma roupa bonita, perfume, flerta com mil pessoas e sentencia: superei. Tô melhor sozinho|a. Será? O sujeito de Confiar en alguien assume que não sabe bem pra onde está indo, às vezes a vida parece um carro desgovernado, mas, mesmo assim, estar só ainda parece melhor do que voltar.

FASE 4: O FIM (ou “acabou”)

Às vezes você percebe que o final chegou no meio da relação ainda, quando a coisa esfriou de vez e parece capenga demais pra seguir adiante; em outras situações, anos depois é que você pára e pensa: “É, né? Acabou. Melhor seguir com a vida”. Hoy es el principio del final serve pros dois momentos e mais: quando a gente canta junto com a letra…

Si no fueran nuestros sueños pesadillas | Y todos los deseos, utopías | Volvería | En un acto total de rebeldía. | Y ahora que rodamos por el suelo,  voy sintiendo | que volvemos | al comienzo.

…percebe que nem todo término parece um ponto final. Às vezes, é só uma pausa pra começar tudo de novo ou aquele argumento pra pedir pra voltar.

[Ps. a música é uma delícia. Recomendo fortemente!]

FASE 5: A RECAÍDA (ou “mas…”)

Já passou por isso? Não? Então sou só eu. Como me recuso a falar da situação, vou escrever sobre a música hahah: um dos grandes acertos do novo CD dessa dupla, o Nocturnal (2015). A melodia e o arranjo são lindos, a letra é tocante, a interpretação ainda mais. Imagina, depois de toda a dor, a voz grave de Eva lamentando que ainda acredita:

Al despertar estreché tu mano en la oscuridad | un impulso cárnico y carnal, eras lo único real. | Desde entonces ya no creo en nada | que no seas tú | Nuestra frágil condición humana | nuestra inquietud.

A versão ao vivo, acredite, é ainda mais bonita: https://www.youtube.com/watch?v=fIzYSfdH_I0

FASE 6: A SABEDORIA (“se chorei ou se sorri, o importante…”)

A última lição: numas você ganha, noutras você perde. Parece óbvio, mas alguns de nós (muitos) demoram a entender isso. Não dá pra vencer sempre, nem todas as relações foram feitas pra durar. Acontece. O romance acaba, as canções ficam. E, nesse caso, isso é ainda mais verdade. A sabedoria simples da letra e a melodia sincera dessa música são daquelas que ficam com a gente, não vão embora. É do tipo de arte que serve como lição.

He aprendido a lamerme las heridas, renacer de mis cenizas y volver a comenzar.
¿Para qué gastar el tiempo en convencerte?
Unas veces se gana, y otras se pierde.
Y otras se pierde.


imageedit_3_5041126172Bom, é isso. Espero ter sido útil.

Até a próxima!

Eric

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