Autor: ericschnaider

Olha-me de novo. Com menos altivez e mais atento. Hilda Hilst

Como superar? em 6 passos com Amaral

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Rompendo nosso silêncio de dois meses pra fazer uma enquete com vocês, daquelas de amigos em fim de festa, sabe?

Salão esvaziou, música baixinha tocando e a galera começa a falar sobre a vida. Familiar a cena? Nessa hora, sempre tem aquele mais afetado que levanta e faz uma pergunta aleatória. Hoje, sou eu. E a pergunta: no mundo, há dois tipos de pessoas, 1) as que superam o passado de boa, sacodem a poeira e dão a volta, etc e 2) aquelas que não superam, que se negam.

Adivinha em que grupo eu tô? (Risos) E você?

Mas, olha, trago hoje uma boa notícia: pode levar um ano, três, mais – a gente vai superar! #Oremos No caso de Amaral, porém, foram 19 anos, 7 CDs lançados e eles ainda estão tentando. Coragem! Aí você me pergunta: quem danado é Amaral? Pois bem, este post inteiro é pra te responder essa pergunta. (Ain, Eric, mas nunca ouvi falar… Eu sei! Confia em mim que vai valer a pena.) (mais…)

Quem ama mais é o mais fraco, merece sofrer

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O namoro da gente acabou e foi tão fácil.

Eu disse umas palavras, apontei descontentamentos. Você retrucou, choramos, discutimos. Acabou. E, pelo que vi nos seus olhos, doeu muito mais em você do que em mim.

Recentemente um casal de amigos reviveu essa experiência tão comum a todos, tão nossa – o fim de um relacionamento. Alguém virou pro outro e disse: acabou. E isso me fez lembrar de um trecho do menor livro mais incrível de Thomas Mann – Tonio Kroeger:

“Aquele que mais ama é o mais fraco e tem que sofrer” (14).

Que horror, né?

É. Mas, ei, pode ser verdade também. (mais…)

Lista: cinco músicas delícia

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Feita a prévia do tema dessa lista, dado o recado (obrigado Fly Art pela graça alcançada!), venho aqui fazer uma breve introdução (como é do meu feitio) e discutir rapidamente um problema com vocês, um problema seríissimo.

ENEM 2015 acabou de dar as caras e muito se falou da prova de português. Ah, é muito texto, é pouco tempo, português é uma língua difícil. Sim, concordo. Português é uma língua complicada de aprender, cheia de regras e não poupa na quantidade de palavras – são inúmeras. Beleza. Mesmo assim, acho que ainda falta. Calma, eu explico: sabe quando tu ouve aquela música gostosa, envolvente, cheia de malemolência? Daí você vai indicar pros amigos e acontece tipo assim: Ei, tu tem que ouvir tal música! / Por quê? / Ela é massa, é muito… (…cadê o adjetivo certo? nenhuma palavra parece se adequar).

Pra resolver esse problema (e justificar as falhas do meu vernáculo), apresento a vocês: as músicas-delícia. Sim, no singular. E concordo, é jegue mesmo. Mas tamos aí pra isso, né? Pra que ser cool se a gente pode ser jegue? Músicas-delícia, esse gênero subestimado do cancioneiro popular, compreende aquelas canções cheias de molejo, borogodó, ousadia&alegria. É o tipo de música que pega você no ato e te deixa no chão, sem ar, sem palavras. On the first night. Já pensasse? Pois é. Vem, get down comigo:  (mais…)

Abrace alguém agora!

imageedit_3_4723661120Ando com uma vontade louca esses dias.

Sabe aquelas pessoas que vão pra um lugar movimentado no meio da cidade e penduram uma placa no pescoço? A frase varia: abraços grátis, free hugs, ganhe um abraço; a intenção é a mesma: pôr os braços ao redor do corpo de estranhos sem receber nada por isso. Certo, lindo. Mas a coisa toda me parece louca, por várias razões.

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O QUE EU TÔ OUVINDO ❖ 09/2015

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Sim, estávamos escondidos. Não, o blog não acabou. Sei que é meio temerário dizer “nunca”, mas me arrisco: esse blog nunca vai acabar. A proposta é muito bonita e dá muito prazer a seus colaboradores. Mas é certo que há momentos em que precisamos de pausas, a vida pede. Pois bem, ela pediu. Nós demos. Voltamos, entretanto. Com uma frequência de posts ainda irregular, porém honesta.

Estou escrevendo difícil só pra soar profissional e atarefado, mas na verdade tamo aí na vagabundage desempregada. Mas tá bom de falar da minha vida, né? Vamo às 5 músicas maravilhosas de (julho, agosto e) setembro? Vamos.

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Amanhã é 23

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As entradas no meu rosto | e os meus cabelos brancos | aparecem a cada ano | no final do mês de Agosto.

Quando a gente começa a contabilizar as primeiras rugas, os primeiros sinais de idade?

Lembro que fui uma criança muito atenta pra algumas coisas e muito desatenta pra outras. Sempre perdia coisas, esquecia onde tinha colocado as chaves, os cadernos, os óculos e, ao mesmo tempo, observava demais as pessoas – suas expressões, os detalhes do rosto. Observava primeiro elas, pra depois observar a mim mesmo.

E com que atenção! Desde muito pequeno sempre me olhei no espelho de um jeito diferente: não pra conferir se meu cabelo estava arrumado ou se meu olhos ainda estavam sujos de manhã. Eu procurava alguma coisa a mais, um indício, uma marca deixada pelo tempo ao passar pelo meu rosto. Sempre fui fascinado por linhas de expressão e marcas de idade. Observava meu pai rir e as marquinhas surgirem nos seus olhos, tias que eu não via há tempos voltando envelhecidas de viagens, da vida. E eu esperava acontecer comigo.

Repare: não desejava, ansiava – só esperava. Poque não se deseja o que parece inevitável.

E é assim que eu lembro do primeiro risco que surgiu abaixo dos meus olhos e dos outros três que o seguiram. Lembro da minha primeira barba e do riso que parecia dividido nas inúmeras linhas que meu rosto formava. Como se só riso de criança fosse inteiro. O do eu adulto já parecia viciado, repartido em mil pedaços, em traços que iam dos olhos fechando à boca que se abria.

Envelhecer é ficar mais gasto, mais fosco. Perder o brilho de coisa perfeita, bem acabada. É abandonar o perfil viçoso, imaculado e ir assumindo os traços, os rasgos que a vida faz quando caminha pelo corpo, pelo nosso corpo.

Nessa quase adolescência, percebendo-me envelhecer, descobri uma música que virou amor, uma tradição. Amanhã é 23.

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de Agosto

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo

Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou?

Amanhã! Amanhã!
Amanhã! Amanhã…

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez…

Não coincidentemente, amanhã realmente é 23 – são oito dias para o fim do mês. E desde o fim da infância, todos os anos eu contabilizo a minha vida, o passar do tempo, nesse mesmo dia. Fico pensativo, me olho diferente no espelho, acompanho o traçar de diversos caminhos na minha cara. É como se, por alguma mágica, eu envelhecesse todo o montante anual nessas 24 horas. Não dá pra evitar.

É inevitável a passagem do tempo pela nossa vida, pelo nosso rosto. Mas esse texto besta é pra dizer que não somos totalmente reféns, sabe? A gente pode escolher se o que risca a nossa cara nos enfeia ou nos enfeita, que marcas a gente deixa ficar, que arrependimentos. Às vezes, no final de agosto, me imagino na posição da mulher descrita nessa letra. E é tão triste quando a gente não reconhece o outro, não se reconhece mais. O tempo passou e a gente preso, feito refém. Da vida, do tempo, de nós.

Mas, calma. Amanhã é 23, então hoje ainda é 22. Dá tempo de mudar, de ser melhor, de amar mais. Ainda é tempo da gente escolher o que fica

e o que vai embora.

Eric

Foto: flickr

 

Madame Bovary sou eu!

httpwww.pedrinhofonseca.com

O livro, ao ser publicado,  gerou um processo por “ofensa à moral pública e religiosa e aos bons costumes”. Começou a caça pra saber quem era a devassa retratada na história, qual a verdadeira identidade de Madame Bovary? Pressionado, finalmente o autor responde: “Sou eu! Madame Bovary sou eu!”

Tem certos livros que a gente nunca vai saber por que teve de ler na época do colégio. Quem aí não lembra daquele clássico que seu professor de literatura mandou estudar porque caía no ENEM/vestibular? (mais…)

TEM ABBA NO TEU CELULAR E TU NEM SABIA

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YOU ARE THE DANCING QUEEN, YOUNG AND SWEET, ONLY SEVENTEEN

Eu sei, você conheceu ABBA graças àquele DJ que tocava Dancing Queen, junto com I Will Survive e Robocop Gay, no fim de todas as festas de 15 anos (ainda existe isso?). Mas aí em 2008 vieram Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan, a galera toda e ABBA passou a ser a música daquele filme, o Mamma Mia! (<3)

Para mim, pelo menos, foi desse jeito. Sempre ouvi muita coisa antiga na minha adolescência, mas me detinha nas músicas de chorar (#gueba) As animadinhas, feitas pra dançar, eu odiava antes mesmo de ouvir. Pra mim, ABBA era bem isso: aquele popzinho rasteiro, poperô, feito pras tias dançarem. E eu estava certo! Mas hoje eu sou tiozão quem disse que isso é um problema? Aliás, quem disse que as bandas de hoje tão distantes disso?

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6 músicas de verdade (ou Por que Amy Winehouse foi importante?)

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Hoje, 23 de julho de 2015, faz exatamente quatro anos que ela foi embora. Acabou a esperança de um cd novo – talvez tão bom quanto Back to Black – e, junto, acabou também a angústia de esperar os novos vexames que ela invariavelmente protagonizaria. Um documentário inglês lançado agora, no mês de aniversário da sua morte, promete trazer todas essas memórias de volta. A história de uma vida contada através de vídeos caseiros e depoimentos. Mata um pouco da saudade, mas não muda o fato: Amy Winehouse morreu. Vítima de causas indeterminadas, do álcool, de si mesma.
Certo, e o que te importa tudo isso?

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