Quem ama mais é o mais fraco, merece sofrer

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O namoro da gente acabou e foi tão fácil.

Eu disse umas palavras, apontei descontentamentos. Você retrucou, choramos, discutimos. Acabou. E, pelo que vi nos seus olhos, doeu muito mais em você do que em mim.

Recentemente um casal de amigos reviveu essa experiência tão comum a todos, tão nossa – o fim de um relacionamento. Alguém virou pro outro e disse: acabou. E isso me fez lembrar de um trecho do menor livro mais incrível de Thomas Mann – Tonio Kroeger:

“Aquele que mais ama é o mais fraco e tem que sofrer” (14).

Que horror, né?

É. Mas, ei, pode ser verdade também.

Pense nos relacionamentos que você já teve. Alguma vez qualquer deles te deu a impressão de desnível, desigualdade? Sim, tem dois. Duas pessoas. Cada um ama do seu jeito, e tudo bem. A questão é: você já teve a impressão de que alguém ali ama mais? A sensação de que há uma banda mais podre da fruta, uma metade mais dependente.

tumblr_ma0f8jt52D1rn4pt6o1_500Às vezes sim, muitas vezes. E, nesses casos, Thomas Mann aponta uma coisa que parece simples (mas talvez não seja): quem ama mais é o mais fraco. Quem está mais envolvido fica mais dependente da relação, daquele carinho, da companhia – deixou-se amolecer e ficou fraco. E, se há um lado mais fraco, comparativamente tem de haver um mais forte. E há. É justamente essa banda boa que vira pra outra num dia de sol e diz: acabou. Porque pra ela é mais fácil.

Veja bem, eu não disse que é fácil. Quase nunca é. Eu falei: mais fácil. Porque somos todos diferentes, ora. Reagimos diferentemente aos mesmos estímulos. Inevitavelmente, o som do “acabou” vai parecer mais grave pra um dos dois. Culpa da estrutura mais vagabunda que quem é mais frágil tem – mas não só isso. A outra culpada esconde o jogo, esconde o rosto: a ignorância. Alguém não sabe, mas já acabou, já tinha acabado. Antes mesmo das palavras serem ditas, a relação já tinha morrido. Certo, e você me diz: Como? Eu não tinha percebido. É porque a relação morre primeiro em um pra depois morrer no outro. Agoniza o casal, sofre junto o desgaste, mas o sentimento escolhe uma cama só pra seu leito final – um peito por vez. E quando alguém fala acabou, não está comunicando uma decisão recente, fresca, ainda quente. Morreu já há dias, há horas. Esfriou até o defunto. É mais fácil, portanto.

A pergunta que fica é: quem quer ser mais fraco?

Ninguém, né. Parece óbvio. Mas, repara: são dois num casal, só tem duas opções. Ou você escolhe se entregar mais, envolver-se, acolher a vida em si (a perigosa e maravilhosa vida). Ou faz como eu fiz e, cedo ou tarde, seu coração vai virar tumba. Leito final de um sentimento que mal chegou e já anuncia a partida.

Eu sei, os dois caminhos também me parecem difíceis. Mas o que é a vida senão encruzilhadas eternas?

Escolha.

Two roads diverged in a yellow wood, and sorry I could not travel both.

Robert Frost – The road not taken

Eric

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Personalíssimo (só para raros):

Trilha sonora pra cada uma das estradas que você resolver seguir.

Primeiro, o letrista mais subestimado deste país falando sobre o caminho do entregar-se e um possível fim:

Por último, uma versão incrível do Tame Impala (It feels like I ooonly go backwards, baby) pra já maravilhosa Confide in Me, da Kylie Minogue:

Ajudei?

Espero que sim.

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