Trilha Sonora

SE EU FICAR

Sem título

Poucos sons têm mais beleza que os dos músicos apaixonados… Apaixonados, não necessariamente por alguém, mas por qualquer coisa. Quem sabe se expressar com música faz isso muito bem e poucos sabem entender. Mas, quando dois se entendem, a história fica linda! Eu fiquei dividida, sem saber se deveria escrever sobre a trilha sonora ou sobre o filme, então resolvi fazer os dois de uma vez. Vou colocar a música e é pra ler ao som dela.

Mia (Chlöe Grace Moretz) é uma menina quieta, filha de roqueiros, mas que logo na infância descobriu o amor pela música clássica. Tinha uma família perfeita, mas nunca se sentiu da tribo deles, apesar de amá-los. Durante o colégio, enquanto ensaia com o violoncelo, passa a ser observada por Adam (Jamie Blackley), o vocalista de uma banda local. Diferente dos filmes comuns que usam a fórmula menina tímida + menino popular = confusão na escola, não tem confusão e Mia é bem recebida pelos amigos dele.

Adam logo é aceito pelos pais de Mia, que viram seus amigos, afinal, ele também é roqueiro. Mia rompe preconceitos e passa a conviver mais com o mundo e, apesar de continuar apaixonada pelo violoncelo, agora outra paixão rouba o seu tempo: Adam. Os dois já fazem planos pro futuro e  não observam que, mais cedo ou mais tarde, a separação será necessária… Teoricamente, rock não combina com clássico.

Mia é o suporte de Adam. É nela que ele encontra a família que nunca teve, a amizade verdadeira, a confiança. Mas esse relacionamento, apesar de verdadeiro, é constantemente ameaçado. Os dois têm planos diferentes, em lugares diferentes. Mia quer estudar em Nova Iorque, enquanto ele quer correr o país inteiro em turnês com a banda.

O casal se separa. Adam vai para as suas turnês e Mia começa a lutar por uma vaga na renomada escola de música Julliard. Entretanto, apesar de realizar sonhos, não estão felizes um longe do outro.

Em uma manhã de neve, a família de Mia decide sair pra se divertir e, na estrada, sofre um acidente. Enquanto ela está em coma, repensa as suas escolhas e no que importa, de fato. Pensa em quais são os seus sonhos e o que mudou enquanto isso. Ouve histórias da melhor amiga, do avô, até mesmo de Adam.

O filme não passa de mais um drama romântico clichê. Entretanto, um clichê contado de uma maneira fabulosa, linda e apaixonante. Já quero ver de novo!

Neide Andrade

O Corcunda de Notre Dame – filme

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Destino de hoje: Paris/França, 1482

Você gosta de animação?

É daqueles que vão correndo pro cinema assim que a Pixar lança qualquer coisa ou é do time que se acha “adulto demais” pra isso? Confesso que faço parte do segundo grupo. Isso mesmo, sinto muito. Não é que eu ache animação uma coisa besta ou que eu me ache “inteligente demais pra perder meu tempo vendo desenho” (sim, tem gente que pensa assim). A questão é a seguinte: chorei com O Rei Leão, ri muito com Dori em Procurando Nemo, achei incrível a proposta de Wall-E, mas animação não é um gênero que me prende em especial. Nunca foi. Gosto de alguns filmes, admiro outros, mas não consigo me envolver tanto por aquela aura de fantasia, sabe? Terapia deve explicar.

Essa introdução toda foi pra vocês encararem esse texto com o mesmo espanto que eu: Eric. escrevendo. sobre. animação. – Sim. E mais: eu escrevendo sobre um dos filmes mais incríveis que assisti na vida e que, por acaso, é um desenho da Disney: O Corcunda de Notre Dame.

imageedit_17_5923395723Você deve conhecer a história, mas, de todo jeito, eu conto rapidinho: um bebê deformado é abandonado na porta de uma Igreja, a catedral de Notre-Dame, em Paris. Um juiz eclesiástico chamado Frolo resolve criar o menino – não por compaixão, mas por culpa – e dá a ele o nome de Quasímodo, que significa “Meio Homem”. E essa criança cresce assim: tratada com indiferença e ouvindo todo dia que não passava de um monstro, um deformado que um dia foi acolhido pela bondade do seu mestre Frolo, a quem deve a vida.

Quasímodo mora só, na Igreja, observando toda a Paris de cima e sabendo que sua condição nunca vai permitir que ele viva entre as pessoas normais. Mas o menino é bom, não se queixa e se sente muito grato ao seu mestre, alheio à indiferença com que ele o trata.  Os anos vão passando, Quasímodo se torna um jovem e, um dia, o desejo de voar e de viver tocam o coração do rapaz e ele resolve descer das torres de Notre-Dame para participar da alegria de um festival de camponeses.

Nesse dia, ele vê como o mundo pode ser mau. E, ao mesmo tempo, conhece o amor: uma das razões mais bonitas para se viver. Mas será que ele tem força pra disputar com outro o amor de uma mulher? E ela, será que consegue ver quem mora atrás daquele rosto deformado? Isso eu não conto, e nem importa, porque o filme vai além dessas questões. Muito além.

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Eu nunca me encaixaria lá fora, eu não sou… normal

Durante as duas horas em que convivemos com nosso amigo corcunda, ele parece nos perguntar o tempo todo: Você já sentiu como se não pertencesse a esse mundo?

É como se tudo parecesse mau demais.

Em 1989, Renato Russo dizia: “Quero me encontrar mas não sei onde estou, vem comigo procurar algum lugar mais calmo. Longe dessa confusão, e dessa gente que não se respeita. Tenho quase certeza que eu não sou daqui!” Nada mudou. As pessoas ainda se respeitam muito pouco, o mundo anda confuso e tão, tão complicado. E o pior: na maior parte dos dias, a gente vive nossa vida alheio a tudo isso. Aquela pessoa pedindo dinheiro na rua – é tão mais fácil fingir que não vi | Uma conversa entre amigos – é tão mais fácil falar mais de mim, falar só de mim | O diferente – é tão mais fácil olhar com desdém, com preconceito.

Difícil é ter empatia, difícil é ser humano.

O corcunda ensina a gente que é normal ser diferente. É normal se sentir desajustado nesse mundo. Estranho é quem se adapta completamente, quem se sente em casa. Estranho é quem olha ao redor e não sente nada.

Mais do que a corrupção da Igreja, as dificuldades dos excluídos e a fraqueza do homem diante do seu desejo. Pra mim, o corcunda fala de duas coisas: empatia e .

Da empatia eu já falei.

imageedit_11_7160618953E a fé se revela numa das cenas mais lindas desse filme, provavelmente uma das mais tocantes da minha vida. Esmeralda, perseguida na rua por ser cigana e  “feiticeira”, entra na Catedral e clama santuário: na época, a garantia de que não poderia ser presa lá dentro.

Respeitosamente, ela observa as pessoas que fazem suas orações. Começa a caminhar por Notre Dame – que, em francês, quer dizer “Nossa Senhora” – e vê a imagem da santa na parede. Os acordes de um piano começam a tocar e Esmeralda se dirige à imagem. Numa conversa simples, ela pede ajuda. Pede não por ela, mas pelos seus amigos, por aqueles que estão na rua e precisam de pão, de amor.

Enquanto canta, ela olha pro céu, esperando encontrar lá em cima alguém que se importe, alguém a quem chamar de amigo:

Tocante demais essa música. Tá entre as minhas cinco ~ músicas de filme ~ favoritas. A letra é simples, mas suficiente.

É isso: a gente precisa acreditar.

Precisa acreditar que as coisas podem ser melhores, que as pessoas podem ser boas. A gente precisa acreditar que amanhã vai ser melhor e que, se um dia a gente cair, uma mão amorosa vai nos ajudar a ficar em pé de novo.

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Só para raros:

O Corcunda de Notre-Dame é considerado um dos maiores riscos que a Disney já tomou. Por duas razões.

A primeira é que em 1994 – só dois anos antes – a empresa tinha lançado seu sucesso absoluto de bilheteria e crítica: O Rei Leão. Como competir com isso? A segunda, e mais importante, é que o público da empresa era basicamente composto por… crianças, e o Corcunda não é um filme feito pra crianças. Claro que tem personagens carismáticos, cenas divertidas e tal (é Disney!), mas o todo dele é sombrio demais e cheio de temas adultos.

Crítica ao clero, injustiças sociais, a fraqueza do ser humano diante do seu desejo sexual – tudo isso é tema do Corcunda. A complexidade da temática se estende ao visual e é impossível não se encantar com a riqueza dos desenhos. A catedral de Notre-Dame é representada em detalhes: a fachada, os santos, os vitrais, até a luz das velas é perfeita.tumblr_n541pyXb6g1s693wso1_500

Por último, a trilha sonora é o oposto do que poderia se esperar de um filme da Disney. Não é pop, contagiante, nem dá vontade de cantar junto. Para contar a história do Corcunda, o produtor usou do mais inusitado: música erudita. Música erudita numa animação! Parece louco, mas funciona perfeitamente com a atmosfera do filme. As músicas têm a letra direta, sem floreios, mas guardam toda aquela grandiosidade da música clássica: os coros, o canto gregoriano, os agudos cheios. Não é o tipo de música que você vai querer ficar ouvindo sempre, mas – ao mesmo tempo – não dá pra ouvir sem se arrepiar, é incrível de verdade.

Vê um exemplo aqui (especialmente a partir de 1:27):

Todo esse risco assumido rendeu ao estúdio uma bilheteria inferior à de seus maiores sucessos. Mas esse foi um preço pequeno demais a pagar diante da obra de arte que esse filme é. Tá certo, sei que parece exagero meu – e pode até ser -, mas repare: o Corcunda tá no Netflix! Então proponho um desafio: assiste e volta aqui pra gente conversar sobre ele! Daí tu me conta se eu exagerei ou não.

E aí, vai encarar o desafio?

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* Desculpa a quantidade de gifs. Não resisti!

Eric

Top 5 – trilhas sonoras originais

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Duas observações antes de você começar a ler essa lista:

1) Teve uma discussãozinha teórica aqui sobre o que faz uma música ser classificada como trilha sonora original. Alguns dizem que só são classificadas assim canções que foram compostas especialmente para aquele determinado filme. Eu discordo. Para mim, músicas antigas que, num determinado filme, foram repaginadas ou cantadas por pessoas diferentes das originais também contam como trilha sonora original. Em resumo: eu fiz a lista sem roubar sim!

2) Certamente, essa é uma das listas mais ecléticas do mundo

Filme cult? Tem. | Animação? Tem. | Filme brega? Também.

3) Não consigo fazer uma lista sem roubar


5) T. V. CARPIO – I WANNA HOLD YOUR HAND

[Across The Universe]

Sim, é versão de uma música dos Beatles. Se você é fã xiita, lide com isso. O filme – Across the Universe – é um musical de 2007 só com versões de músicas deles. O diretor costura os maiores sucessos desses 4 rapazinhos junto com o enredo, como se as canções contassem uma história: o mocinho sai da Inglaterra e vai pros Estados Unidos procurar o pai. Lá, conhece outro mocinho rebelde e sua irmã e todos juntos entram em contato com a psicodelia dos anos 60, aquela vibe Woodstock e tal. É um filme de descoberta, de auto-descoberta. E I Wanna Hold Your Hand tem um papel importante nisso. A versão é bem diferente da original, é muito mais lenta e cantada por uma mulher. A fragilidade da interpretação e o timbre da voz casam perfeitamente com o sentido que o filme dá a letra da música. Não é só mais uma canção de amor. É como se a intérprete colocasse pra fora quem ela é de verdade, através da voz.

4) MERYL STREEP – THE WINNER TAKES IT ALL

[Mamma Mia!]

Eu sei que é brega, não precisa tirar onda nos comentários. Mamma Mia é um musical todo composto de canções do grupo sueco ABBA (YOU ARE THE DANCING QUEEN, YOUNG AND SWEET)  O filme de 2008 é um musical, com a mesma proposta de Across The Universe: contar uma história através das músicas de um só artista. No caso, como as músicas são de ABBA, não podia ser diferente: Mamma Mia! é alegre, contagiante e tocante em vários momentos. Conta a história de uma menina que nunca conheceu o pai, tudo o que ela sabe é que o diário da mãe menciona três ex-namorados. No dia do seu casamento, a menina espera os três em sua casa para que o pai verdadeiro a leve até o altar. [Eu sei que a sinopse ficou ruim, mas todo mundo já viu esse filme e eu precisava inserir esse link pra valorizar a cultura pernambucana]. Enfim, a música é lindamente interpretada por Meryl e não deve nada à original. Ninguém mais está autorizado a fazer uma versão de The Winner Takes It All depois dessa.

3) ALEX BEAUPAIN – J’AI CRU ENTENDRE

[Les Chanson D’Amour]

Casal jovem com problemas no relacionamento pede a uma amiga em comum que os ajude. Tudo parece bem, mas um fato repentino muda tudo. – É o máximo de roteiro que posso dar sem falar um spoiler. Mas sabe quando a trilha sonora faz o filme? Pronto. Na verdade, tô sendo injusto: os atores também são muito bons e estão todos – TODOS – ótimos nesse filme. Se você analisar o roteiro de Chansons sem esses elementos, o caminho que o filme vai tomando parece meio improvável. Mas, repare: acrescente a trilha + os atores/atrizes e você é levado a pensar que tudo tinha que acontecer daquele jeito, exatamente daquele jeito. As músicas – todas compostas por Alex Beaupain – são tão boas e as letras tão bem-escritas que a função delas não é ornamentar o musical ou criar um clima, mas substituir as falas. Parece que chega um momento em que as palavras não conseguem expressar o que os personagens tão sentindo. Quando isso acontece, eles cantam. E a letra da música diz tudo. No caso de J’ai Cru Entendre, a letra fala de alguém que precisa de um consolo, um amor refúgio, sem-promessas e da outra pessoa, a que aceita. As letras de todas as músicas desse filme são incríveis.

2) GARY JULES – MAD WORLD

[Donnie Darko]

Comprei o DVD desse filme pro meu amigo Pedro no começo de 2013, de aniversário. Até hoje ele não viu. Nem culpo o coitado. Dar uma sinopse de Donnie Darko a alguém é quase impossível. Tem viagem no tempo? Tem. | Tem romance? Também. | Tem filosofia? Tem. | Tem adolescente protagonista? Também. Se eu puder sugerir algo a você, eu digo: esqueça a capa e as sinopses, assista esse filme! É melancólico, bonito, interessante e te amarra na cadeira. Os atores estão espetaculares, especialmente Jake Gyllenhaal e Drew Barrymore. E, arrematando tudo, a versão que Gary Jules fez pro clássico do R.E.M. Ela faz jus à melancolia do enredo e é o final perfeito pra um filme que te faz pensar na vida, em como ela pode ser louca. Mad world.

1) ROSANA – SALVE OS PROSCRITOS

[Disney – O Corcunda de Notre Dame]

Sim, uma animação levou o primeiro lugar dessa lista! E eu nem gosto taanto assim de animação. Mas Corcunda não é só meu filme favorito da Disney, é um dos meus filmes favoritos da vida. E grande parte do amor que eu tenho por esse musical é por causa dessa música. Rosana nunca interpretou tão bem, com tanta delicadeza e tanta entrega. A letra fala de alguém emocionado que tá fazendo uma oração, pedindo proteção para os perdidos, os proscritos. É tocante de verdade. Não consigo ouvir sem me arrepiar.

1) LANA DEL REY – RIDE

[O Filme que Não Existe]

Se você leu até aqui, observe-me dar uma roubadinha nessa lista. Ride não faz parte de nenhum filme. Mas, olha, deveria fazer. Na verdade, o clipe é praticamente um curta-metragem, e transmite bem o sentido da letra, mas sabe quando o vídeo acaba e você fica querendo mais? Pronto. Nesse clipe, Lana tá perdida. Ela quer se desapegar, se jogar na estrada, ser livre e – ao mesmo tempo – pede pro amor dela: “não vai embora, não me diz adeus, não vira as costas.” Uma das melhores músicas do Born to Die! Só por ela, já vale comprar a versão deluxe do cd.

‘Been trying hard not to get into touble, but I / I’ve got a war in my mind / I just ride.

⇧ Se quer ouvir só a música, adianta para 3:15


Esqueci de alguma?

Conta aí nos comentários qual é a música de filme que faz você ficar assim:

xxx

Eric