Especial Amor

Especial Amor – SUMA

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O amor é a inveja do outro: ama-se para roubar do outro a parte que lhe falta.

[Raimundo Carrero]

O amor é quando a gente mora um no outro.

[Mário Quintana]

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

[Paulo Leminski]

Obrigado por acompanhar nossas postagens e por dividir com a gente a sua opinião, através dos comentários. Crescemos muito durante esse especial de uma semana! Especial, aliás, que acabou numa segunda-feira. Sim, numa segunda! Porque amor – daqueles de verdade – pode ser bom ou ruim, mas nunca previsível.

Perdeu alguma coisa? Olha aqui embaixo.


POSTS:

Versão Brasileira: Herbert Richers

Músicas dos Nossos Pais

Um Copo de Cólera, Por Favor

Onde Nasce o Eterno

Risíveis Amores

Música e Amor, em Três Fases

Pássaro Branco na Nevasca

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Pássaro Branco na Nevasca

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Pois bem, meus queridos. Este é o último post do especial amor e o que vem agora é triste, mostra a falta de amor. Vamos falar sobre Pássaro Branco na Nevasca, um filme deste ano que alimenta nossas expectativas até o final.

Fui surpreendida em vários momentos, especialmente por analisar os personagens como humanos, sem um vilão explícito em uma história triste. Temos, aqui, drama, romance, suspense, mistérios, crueldade, sexo, drogas e rock and roll. Apesar de achar que caberia mais 30 minutos de filme para analisar melhor cada história, recomendo muito porque amo coisa que faz meu coração bater forte, que me faz chorar e que me faz descobrir (ou tentar descobrir) mistérios… Este filme fez tudo isso!

Kat (Shailene Woodley – mesma atriz de A culpa é das estrelas) é uma menina que pode ter todos os problemas emocionais possíveis, mas aos olhos do mundo, tinha uma família bem estruturada, sua mãe – Eve Connors, interpretada por Eva Green – era a dona de casa perfeita e o seu pai um homem de respeito e muito tradicional. Já dentro de casa, faltava amor na relação com os seus pais e, consequentemente, isso influenciava de maneira direta a vida de Kat, mesmo que ela tivesse uma vida social maravilhosa e uma vida sexual ativa.

Aquela família era o oposto do que aparentava ser. O casal não era feliz. E, desde muito nova, Kat já percebia isso. Neste filme, percebemos o tipo de amor mais pobre e triste que pode haver: O amor superficial, aparente.

“Ele era o capacho dela, ela o tratava como lixo e ele deixava. Imagine o choque quando eu visitei o meu pai no trabalho e descobri que ele tinha charme. Todas as mulheres estavam na dele. (…) O casamento dos meus pais era um longo gole d’água de uma fonte congelada: Tão fria que transformava os dentes em diamantes. Foi perturbador descobrir a vida sexual péssima deles. Enquanto isso, meu pai tinha a sua gaveta secreta. Então, continuaram assim. Minha mãe nunca gozava e meu pai se masturbava no porão. O tempo todo fingindo que estava tudo bem, que éramos uma família perfeita, vivendo uma vida perfeita.”

Kat carrega nos ombros a culpa de conseguir, aparentemente, o que a sua mãe nunca conseguiu com o pai. Phill (Shiloh Fernandez), o seu vizinho e namorado, fez com que ela conhecesse a vida sexual, coisa que a sua mãe não tinha há muito tempo. E isso, de certa forma, passa a incomodar Kat durante o desenrolar da trama. Eve, uma mulher fria e arrogante, some de casa e deixa o Sr. Connors e Kat sozinhos.

A menina, com 17 anos, aparentemente, não sofreu muito. Mas cresceu com medo de se tornar indesejável, como a mãe era. Viveu em busca de amores descartáveis, que não a levou a lugar nenhum. E a falta de amor entre o casal, além da falta de respeito e admiração, destruiu aquela família e a vida de Kat, que nunca teve paz, até descobrir o que, de fato, aconteceu pra sua mãe sair de casa.

Paro por aqui, porque se não vou falar demais e pouca gente assistiu ao filme :X CALA-TE BOCA! Pra mim, este filme é uma lição do que não deve acontecer com uma família. Mesmo que o amor acabe, todo ser humano é digno de respeito. Espero a opinião de vocês. Boa semana!

Neide Andrade

Leia mais: Música e amor, em três fases

Música e amor, em três fases

FASE UM: The Sex

E começa o jogo.

Claro que nem todo relacionamento começa com sexo! Na verdade, essa fase representa mais a linguagem não-verbal do amor. Aquele primeiro momento de flerte, de aproximação física, os beijos trocados, o toque das mãos:

[Romeu] – Se com minha mão indigna profano este rico santuário, é esta a gentil multa que me disponho a pagar: meus lábios, dois envergonhados peregrinos, encontram-se prontos para suavizar esse toque rude com um beijo terno.

[Julieta] – Bom peregrino, subestimas tua mão e a ela não fazes jus, que assim demonstrou respeitosa devoção. Pois os santos têm mãos que se deixam tocar pelas mãos dos peregrinos, e o beijo do romeiro dá-se palma com palma.

[Romeu] – Mas os santos têm lábios, e os romeiros também.

[Julieta] – Sim, peregrino, lábios que eles devem usar.

[Romeu] – Ah, então, minha santa criatura, permite que os lábios façam o que as mãos fazem; tens de concordar comigo em que elas se unem em prece, para que a fé não se transforme em desespero.

[Julieta] – Os santos não se movem, tens de concordar comigo, em consideração aos fiéis.

[Romeu] – Então não te movas enquanto minha prece eu executo. Assim, desde meus lábios, através dos teus, meu pecado é absolvido.

{página 45}

Romeu danadão!

Parece que é um fio, um visgo que te atrai àquela pessoa. De repente, estar junto parece tão fácil. Difícil é resistir à força que obriga aqueles corpos a se unirem. Coisa de imã mesmo, magnetismo.

A roupas parecem pequenas demais pra conter aquele corpo em chama. A noite inteira de pé. A noite inteira. Embriagados de amor. Difícil disfarçar a fome que mora nos olhos, nos olhos famintos. E quando tudo parece irremediável, a gente se torna por inteiro uma festa, de um convidado só.

FASE DOIS: The Love

[Romeu] – Como posso ir embora, quando meu coração está aqui? Dá meia-volta, corpo meu, terra insensível, e encontra teu centro de gravidade, o teu coração, fora de mim.

[Julieta] – Como vieste parar aqui, conta-me, e por que razão? Os muros do pomar são altos e díceis de escalar, e, considerando-se quem és, este lugar é sinônimo de morte, no caso de algum parente meu encontrar-te aqui.

[Romeu] – Com as asas leves do amor, superei estes muros, pois mesmo barreiras pétreas não são empecilho à entrada do amor. E aquilo que o amor pode fazer é exatamente o que o amor ousa tentar. Assim sendo, teus parentes não são obstáculo pra mim.

[Julieta] – Se eles te vêem, vão matar-te.

[Romeu] – Ai de mim! Teu olhar é mais perigoso que vinte das espadas de teus parentes. Basta que me olhes com doçura e estou a salvo.

{página 53/54}

Quando menos se espera, a pessoa não tá mais morando fora. Tá dentro da gente.

A noite tá fria, solitária, e tudo o que a gente quer é alguém que nos tome pela mão e nos leve pra um lugar diferente. Perto daquele sorriso que nos deixa besta, que faz a pulsação parecer montanha russa. A chuva cai. Dois amantes se deitam numa cama sem lençóis – o quarto tá quente – e a gente tenta não se perder, manter o controle. Controlar os sentimentos do outro. Mas é bom parar de tentar. Cabe ao amor o que há de vir.

FASE TRÊS: The Pain

[Romeu] – Olhos, um último olhar! Braços, o derradeiro abraço!  E lábios, ah, vocês, portais da respiração, selem com um beijo justo este acordo.

{página 145}

Nada dura pra sempre. Ao menos não aqui na terra.

Cecília Meireles já dizia que “sempre” é uma palavra grande demais pra caber no tempo humano. Não cabe. Um dia, de algum jeito, vai acabar.

É um sinal de humanidade. É quando as coisas dão errado. Os socos parecem beijos. E os beijos, o contrário.

Não dá pra evitar o sentimento de que aqui não é o lugar que gostaríamos de estar. A gente se arrepende do que fez, mas é tarde demais. Somente em sonho, nossos braços envolvem de novo aqueles ombros queridos. A boca murmura: você é minha? Volta! Eu não sei se você se importa, mas eu me importo!

E a gente acorda. Sozinho.

E Deus, é estranho! É estranho ser o único com quem dançar, com quem falar. Ser sozinho.

AS TRÊS FASES, UMA PLAYLIST:

Clica aqui


I) Obrigado, Shakespeare, por Romeu e Julieta. Obrigado, Tove Lo, pela idéia de dividir o romance em três fases.

II) Os parágrafos em itálico têm uma razão de ser:

Juntei trechos da letra de cada uma das músicas que eu coloquei na playlist e fiz esses textinhos. Tudo o que tá em itálico é pista pra vocês adivinharem o que coloquei na playlist.

Será que alguém consegue adivinhar pelo menos uma das músicas?

Eric

Leia mais: Esquenta

RISÍVEIS AMORES

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Do dicionário: É o tipo de amor que dá vontade de rir.

Não que seja engraçado! É só ridículo. Dá pena.

Pensei que esse ia ser um texto fácil. Li a obra que dá título a esse post há uns dois anos e lembro de ter gostado muito. Mas sabe quando passa o tempo e você não lembra mais por que gostou, só tem a sensação vaga de que aquilo é bom? Eu estava me sentindo assim, até que peguei Risíveis Amores pra reler essa semana. Lembrei por que o livro é bom, e por que é tão difícil falar sobre ele. Daí, resolvi dividir esse post em dois: a parte objetiva e a subjetiva. Vem comigo, que vale a pena:

❖ PARTE OBJETIVA

Milan Kundera, autor tcheco premiado, reúne em um livro só 7 contos, cada um falando de um tipo de amor diferente.

Sei que já parece metido a besta, né? Autor desconhecido + tcheco + contos + cult = aff. Olha, nem é. Milan escreve de um jeito fácil, palavras simples, assuntos do dia-a-dia. Mas sabe quando a pessoa fala de um jeito fácil sobre coisas extremamente delicadas? Você tá entendendo perfeitamente o que ele quer dizer, mas nunca tinha pensado a fundo sobre coisas tão subjetivas, nunca tinha encarado o amor e os relacionamentos tão de frente.

Vou confessar uma coisa aqui: normalmente odeio livro de contos! Sou meio disperso, então pra mim é horrível encerrar uma história num capítulo e no outro já ler sobre personagens diferentes, contextos diferentes. Sempre demoro a me conectar à próxima história. Com Risíveis amores, isso não aconteceu, e a razão é simples: todos os contos tratam de um tema só – relacionamentos. Mas cada um dos 7 traz um tipo de amor diferente, problemas completamente diferentes. Só pra dar uma idéia, vou falar uma frase sobre cada um deles:

1 – O pomo de ouro do eterno desejo – Dois amigos e a ânsia louca de pegar mulher – a conquista e as ficadas de uma noite só

2 – Ninguém vai rir – O papel da mentira na vida da gente – por que tem horas que simplesmente escolhemos não dizer a verdade?

3 – O jogo da carona – Uma brincadeira entre dois apaixonados – como um joguinho besta pode revelar tanta coisa sobre mim e o meu amor?

4 – O simpósio – Dr Havel, 2 amigos e 2 amigas – como interpretar os sinais que o outro dá? E, meu Deus, como a gente se acha às vezes!

5 – Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos – O passar dos anos, a chegada da idade – por que envelhecer é morrer um e nascer outro?

6 – O Dr Havel dez anos depois – A idade chega e, com ela, angústias novas

7 – Eduardo e Deus – Como o teísmo e o ateísmo podem parecer tanto um com o outro em algumas situações – qual o tipo de amor que as pessoas devotam a Deus?

❖ PARTE SUBJETIVA

Por que os amores são risíveis? – Essa é a parte difícil.

Você já parou pra analisar os relacionamentos da sua vida, tipo um a um? Cada beijo, cada amizade, as ficadas, os namoros? Claro que não! Ninguém faz isso com todo mundo que já passou pela vida! O normal é escolher as que marcaram mais, as que não dá pra esquecer – por uma razão boa ou uma ruim. A sacada desse livro de Milan é justamente pegar certos amores que a gente já teve, certos comportamentos, o jeito da gente se relacionar, pegar tudo isso e ver de cima, sem todo o sentimento que um amor costuma envolver. Analisar as coisas como elas são.

E aí Milan fala sobre dois amigos – um deles casado – que saem paquerando por aí. Eles desviam a rota do caminho, contam mentiras, fazem tudo pra ficar mais tempo dando em cima de desconhecidas, tentando levá-las pra cama. Aliás, o casado diz que tem um relacionamento feliz, uma esposa boa, e mesmo assim não desiste das novas conquistas.

Ele fala também da passagem do tempo, da juventude e de como a gente interpreta os sinais que a outra pessoa dá de um jeito errado, normalmente a nosso favor. Nem sempre aquele carinho a mais é um convite, nem toda amizade fiel é respeitosa e até o striptease (!) pode não ser um convite pro sexo, mas uma coisa triste. Olha:

Você se lembra do strip-tease, lembra de como ela o vivia? Chefe, foi o strip-tease mais triste a que já assisti. Despia-se com paixão, mas sem se livrar da cobertura detestada de seu uniforme de enfermeira. (…) Chefe, ela não se despia, ela celebrava seu ato de se despir, lamentava a impossibilidade de se despir, a impossibilidade de fazer amor, a impossibilidade de viver! [122]

Todos os contos são bons. Bons de verdade! Mas dois me tocaram de um jeito especial:

“Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos” Os anos passam, e um jovenzinho tímido de vinte e poucos anos começa a se ver quarentão, careca, solteiro. De repente, no meio da rua, ele encontra a mulher mais linda com quem transou quando era jovem – ela era graciosa, madura e perfeita demais pra qualquer um, muito mais pra ele. Mas, se a velhice tinha chegado pro jovenzinho, os anos tinham sido muito mais cruéis com a mulher, que já era mais velha naquele tempo. As rugas são tantas e a pele tá tão diferente que ele quase não a reconhece. Mas a chama pra um café em casa e eles começam a conversar.

As coisas que você aprende com esse conto não dá pra contar. De verdade. Como a gente valoriza a juventude! A dos outros e a nossa própria. O valor que damos a quem a gente era, a como costumávamos ser. O passar do tempo é muito mais dolorido do que calendários se sucedendo, parece que cada ano a mais é algo que se perde, não que se ganha. O conhecimento adquirido, os aprendizados, é tudo besteira perto do rosto jovem que vai morrendo, da sensualidade que vai minguando, da coragem que vai nos deixando. Por que a gente ama tanto a juventude? Pra Milan, esse amor dá vontade de rir. Porque, né: ele acaba.

“O jogo da carona”: Um casal de jovenzinhos finalmente tira férias do trabalho! Férias de amor, a dois, nas montanhas. Ela, inocente, envergonhada e extremamente ciumenta. Ele, rodado, vivido, mas agora apaixonado. Eles começam a jogar um jogo. Depois de abastecerem, ele senta no banco do motorista e ela se convida pra entrar no carro. Como se fosse uma estranha, daquelas mulheres experientes, que sabem o que querem. Safadeza no olhar – a inocência tinha desaparecido. Mas era só um jogo… Os dois começam a brincar e, o que era pra ser uma diversão besta na estrada, começa a revelar mais deles do que gostariam.

Incrível esse conto! Acho que um dos melhores que eu já li. Impressionante como o jogo traz tudo à tona: as razões do ciúme dela, o que ele mais amava na namorada, as dificuldades de lidar um como o outro, os desejos secretos e o tipo de amor que eles mais gostavam de fazer.

Já eram comprometidos, já se amavam há um tempo, mas o jogo bagunça tudo:

O que acontecia agora era o que ela sempre temera mais que tudo no mundo, o que sempre evitara: o amor sem sentimento e sem amor. Sabia que atravessara a fronteira proibida, além da qual se comportava sem a menor reserva e em total comunhão. Apenas experimentava uma espécie de medo ao pensar que nunca sentira tal prazer e tanto prazer como dessa vez – além dessa fronteira. [90]


Os personagens são muito bem desenvolvidos, o texto é bom, ele escreve muito bem, mas o que realmente fica na cabeça depois desse livro é: será que eu também não vivi um amor risível, desses ridículos, de que dá vontade de rir? Será que em alguns relacionamentos eu não amei mais a mim que a outra pessoa?

E o que eu realmente senti? Será que foi amor de verdade, ou só uma vontade louca de amar aquela pessoa, de sentir aquilo que eu não estava sentindo?

É quando você tá junto e na verdade quer separar, ficar só. Ou quando você não consegue desgrudar mais, protagonizar a própria vida. É esse amor gasto que a gente dá às vezes, um amor substituto:

“Uma alegria que tem a obrigação de substituir outras alegrias torna-se rapidamente uma alegria gasta.” [179]

Parafraseando Milan: “Um amor que tem a obrigação de substituir outros amores torna-se rapidamente um amor gasto.”

Faz sentido?

You’re falling hard, I push away / I’m feelin’ hot to the touch / You say you miss me the mustAnd I wanna say I miss you so muchBut something keeps me really quiet Your love, your love, your love.

Eric

Onde nasce o eterno

Com spoiler

Sem título

Imagem do filme Tristão e Isolda, de Kevin Reynolds

Entre comédia e drama, prefiro comédia. Entre realidade e fantasia, prefiro fantasia. Entre Realismo e Romantismo, eu sempre preferi o Romantismo. Porque eu procurava, na literatura e nos filmes, uma fuga, um lugar onde tudo pudesse ser perfeito… Um lugar onde eu pudesse sentir a felicidade dos personagens.

Com esse desejo, em uma tarde de férias, quando eu tinha uns 11 anos, fui à velha estante do meu avô e peguei um livro de Ariano Suassuna. Nunca tinha ouvido aquele nome, nem mesmo sabia que ele era Nordestino, nem que seria um dos meus escritores favoritos.

A história de amor de Fernando e Isaura conta sobre um triângulo amoroso, em Alagoas. Um fazendeiro rico: Marcos; o seu sobrinho órfão e empregado: Fernando; a sua esposa arranjada e amante do seu sobrinho: Isaura. Marcos arranja um casamento com Isaura, mas não pode comparecer, devido aos negócios e dá uma procuração pra que Fernando case em seu nome. Antes de descobrir quem é a noiva do seu tio, ao chegar na cidade, Fernando se apaixona por Isaura e a desgraça está feita: É gaia pra todo lado. Isaura, por sua vez, já era apaixonada por Fernando, porque um dia cuidou dos seus ferimentos em uma de suas passagens pela cidade, mas o moço estava inconsciente.

Fernando ficou entre a cruz e a espada, entre a gratidão ao seu tio que o criara e o amor de Isaura. Qualquer semelhança com o clássico Tristão e Isolda, foi proposital.

O sentimento que tive quando li A história de amor de Fernando e Isaura foi de tristeza, de luto, mas – acima de tudo – de surpresa. Eu era uma garota de onze anos, nunca tinha amado e não sabia do que o amor era capaz. Suassuna, um grande assassino do mundo das ideias, fez um Tristão e Isolda no Nordeste, em Alagoas, mais precisamente. Eu não acreditava que poderia ler um livro tão “sem final” como aquele.

Mas pensei.

E pensei de novo.

E penso, até hoje… Livro bom é livro sem final. Porque o nosso final morre, o nosso final envelhece, o nosso final briga… Mas já somos obrigados a enfrentar isso todo dia… Quando conseguimos fugir, nos deparamos com aquele final verdadeiro, em que nada mais se pode fazer, ele está na obra de Ariano.

Por dias eu fiquei sem saber o que dizer, que opinião tomar… Até que li de novo.

E lembro como se fosse hoje: Li de novo pra ter a sensação que Isaura teve… De amar, de se esconder, de fazer de tudo para viver aquele amor proibido, de trair… Por amor. Sensação de fazer de tudo, até morrer. Ao sentir tudo isso de novo, desejei – como sempre desejo – que o meu livro fosse mágico e mostrasse um novo final, agora feliz… Como um presente pra mim, já que li pela segunda vez.

Ariano não satisfez o meu desejo, matou – de novo – o casalzinho.

E, quantas vezes eu ler, o final de Fernando e Isaura estará intacto, eternizado em uma jura de amor. Assim como o final de Tristão e Isolda, inspiração para o romance de Ariano e que os séculos não conseguem apagar.

Durante o velório de Ariano Suassuna, em julho deste ano, o diretor Luiz Fernando Carvalho falou sobre a adaptação do romance de Fernando e Isaura para televisão. Ainda não há data para lançamento, mas se pretende começar as gravações em 2015. E, sim, a ansiedade já está enorme do lado de cá. 

Vale muito a pena ler o livro, assistir ao filme e – já digo crendo que vai ser maravilhoso – acompanhar a adaptação de Luiz Fernando. Tanto pra comparar uma história imortal com o Nordeste, como para se encantar mesmo: Porque os dois têm amor, traição, drama, ação e muito frio na barriga!

Neide Andrade

UM COPO DE CÓLERA, POR FAVOR

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Sabe quando você vê um filme e pensa: eu quero um amor assim?

Esses dias, eu vi um chamado Blue Valentine (em português, “Namorados para Sempre”) e pensei: não é isso que eu quero.

Só que tem um problema: normalmente os filmes de amor acabam na parte boa, ou então dramatizam tanto o amadurecer do sentimento que a coisa toda fica muito irreal. Blue Valentine não. Ele começa justamente num momento de crise – os dois já não se entendem como antes, mas não fica só nisso. Durante o filme, tem vários flashbacks de quando eles se conheceram, dos primeiros dias, do encanto do início. É como ver num filme só, o começo e o fim de um amor: os dois misturados, dividindo o espaço, como que justificando um ao outro.

É real demais. E, às vezes, o real assusta a gente.

A menina de colégio é desiludida pela vida, tem que começar a trabalhar e numa carreira que não escolheu. | O namorado é um sonhador, daqueles bem românticos, e ama a menina mais que tudo. | Os dois se casam. –  Será que dá certo?

Dá. Eles se amam tanto e precisam tanto um do outro, que começam a construir um relacionamento bonito, daqueles que um pouco contato visual já é suficiente pra fazer o olho marejar. Vem o casamento, uma filha, alguns anos. As coisas começam a não funcionar mais. Parece que nenhum dos dois estava muito preparado pra lidar com a realidade. No começo do filme, ele apaixonado diz: “Maybe I’ve seen too many movies, you know.” E realmente, os dois devem ter assistido filmes demais… E, apesar de todas as lições que uma tela de cinema pode trazer, parece que ela não ensina como é a vida de verdade. Mas pô, no começo, quando a gente se apaixona, não é hora de pensar nessas coisas! É só sentir aquele toque e olhar fundo nos olhos. A conclusão é fácil: tô apaixonado. – “I don’t know, I just got a feeling about her. You know when a song comes on and you just gotta dance?” E você dança junto.

Esse é começo, mas o que vem depois?

Depois vem um copo cheio que os dois vão tomar aos poucos: o copo de cólera. As brigas, os lugares diferentes pra dormir, os gritos e a criança deixada ao largo, pra não escutar. No filme, o menino romântico abraça a mediocridade e a menina preocupada fica sisuda, deixa de rir. Todas as coisas se acumulam e culminam numa palavra dura: “Eu não te amo mais. Não tem mais nada aqui pra você.” E aí, como consertar isso?

Raduan Nassar sabe como. E ele tenta ensinar pra gente no seu livro Um Copo de Cólera.

Tudo começa com outro casal, na manhã seguinte ao amor, um banho a dois. Aquela clima bom de intimidade partilhada e a alegria que a saciedade dá. Mas basta uma pequena coisa qualquer – no caso, algumas formigas-saúva e as plantas arruinadas – pra elas acabarem com tudo: as palavras, as palavras duras.

“Não que me metessem medo as unhas que ela punha nas palavras, eu também, além das caras amenas (aqui e ali quem sabe marotas), sabia dar ao verbo o reverso das carrancas e das garras, sabia, incisivo como ela, morder certeiro com os dentes das idéias.” [41]

Os dois começam a brigar: o ex-ativista e a jornalista politizada, jogando na cara os defeitos do outro, ridicularizando seus ideais, seus comportamentos. O livro é curtíssimo – só 85 páginas – mas quase todas são usadas pra descrever uma briga, uma das mais incríveis a que eu já assisti. E, como é a discussão de duas pessoas que a gente não conhece, não vem aquela sensação ruim, sabe? A angústia que uma briga traz. Fica só o aspecto objetivo, o aprendizado. Raduan mostra como coisas pequenas podem trazer à tona nossas raivas, nossos medos e o principal: nossa personalidade.

Por que dissemos aquela frase dura justamente na pior hora? Pra que esconder o que sentimos com palavras vagas? Por que não enfrentamos os problemas cara a cara e não somos mais claros quando vamos falar? Fácil: porque a gente é assim, é assim que a gente age. E diante da nossa personalidade, o que foi dito às vezes importa muito menos do que o “quando”, o “como”. “E já que tudo depende do contexto, que culpa tinham as palavras?” [52]

Nenhuma, Raduan. A culpa é nossa! A gente é que toma o copo de cólera até a última gota. E quando o líquido inflamável passa pela garganta, alguma coisa se move dentro do nosso corpo. Aquela raiva vai subindo, vindo à tona. A pessoa diante de nós parece que nem existe mais, o que existe é aquela raiva, a vontade de pôr tudo pra fora. Perdemos a consciência de quem somos, de quem o outro é e, no momento de briga, parece que só existem duas coisas: nossa mágoa e aquele sentimento ruim que sobe pela garganta.

“Confesso que em certos momentos viro um fascista, viro e sei que virei, mas você também vira fascista, exatamente como eu, só que você vira e não sabe que virou; essa é a única diferença, apenas essa.” [67]

Realmente, a gente não sabe que virou fascista também. Mas virou.

Em algum momento, os dois param de discutir e vem a consciência: quem eu sou; quem ela é; o amor que eu sinto, ou senti. A gente lembra. E é nesse momento que vem a lição mais preciosa do livro de Raduan: a razão não é totalmente subjetiva, ou melhor, não deve ser. Se algumas coisas nos magoam demais e a nossa lógica formula um julgamento, uma sentença praquele parceiro, pro relacionamento: é hora de parar. Por que não colocar um pouco das nossas lembranças nessa objetividade? Por que não macular a lógica com um pouco de subjetividade, com amor? Tudo bem, não está dando certo. Mas lembra aquele dia que vocês dançaram juntos, aquele olhar, os dias bons. Lembra da proximidade física e das mãos dadas. Lembra do que te faz irracional, e enfia um pouco disso na tua lógica. Pode ser que dê certo, talvez não. Mas tenta. Às vezes, a racionalidade pura é meio cruel.

Se Raduan pudesse dar um conselho a vocês e ao casal de Blue Valentine, acho que ele diria o mesmo que disse a mim alguns anos atrás:

Mais cuidado nos teus julgamentos, ponha também neles um pouco dessa matéria ardente.” [74]

Até porque, no fim das contas, nós só esperamos que haja alguém. Alguém que tome conta do nosso coração e que seja bom pra encostar, quando a gente estiver cansado.

Duvido você passar incólume por esse livro, esse filme ou essa música.

Especialmente por essa música.

Eric

Músicas dos nossos pais

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Tan dan dan DAN!

I’ve got sunshiiiine ☼, on a cloudy daay ☁ ♪

Como não ver esse filme lindo (falamos dele aqui) sem lembrar da música tema?

“My girl”, dos Temptations foi uma das músicas mais emblemáticas dos anos 60. Hit na Billboard da época e um sucesso estrondoso, mas – como tudo na vida – passou. A poeira dos Temptions baixou e só trinta anos depois – em 1991, pra ser exato – essa música voltou a ser ouvida, justamente por causa do casalzinho apaixonado na foto aí de cima.

“Meu Primeiro Amor” foi lançado nos anos 90 e repara: todo mundo acha que esse filme é mais antigo! Isso porque ele se passa nos anos 70 e tudo, inclusive a trilha sonora, remete a essa época. Mas, se a gente for parar pra pensar, nos anos 90 era muito comum as pessoas ouvirem músicas antigas, especialmente as internacionais. Por quê? Não tinha música boa nos anos 90? Saudades N’Sync Não, gente! … Nostalgia.

O que teus pais ouviam quando tu era pequeno? Músicas de quando eles eram pequenos, que os pais deles ouviam. E estes, também ouviam música de quando eram pequenos, que os pais… Entende? É o tipo de música que vem com bagagem emocional, com lembranças. Se você tem vinte e poucos anos, como eu, você nasceu nos anos 80/90. Então vivenciou fenômenos como Backstreet Boys, Britney Spears e os representantes brasileiros Éotchan e Mulekada. Mas também passava pela sala e ouvia seu pai ou sua mãe ligados num rádio ou fita k7 (!) ouvindo aquelas músicas melosas “do tempo deles”.

Meu pai, por exemplo, era conhecedor dos expoentes musicais que despontavam nos anos 90, como U2, Shakira e Harmonia do Samba, mas as músicas que ele realmente gostava eram as que tinham marcado a infância e adolescência dele: Eagles, Bee Gees, Cyndi Lauper e Elton John. Essa era a música pop da época dos nossos pais. E de dez músicas que meus pais ouviam naquela época, dez eram sobre amor. Inclusive, nos anos 90 e comecinho dos 2000, tinha rádios inteiras com programação voltada a essas músicas românticas antigas. [Confesso, inclusive, que eu ouvia toda noite um programa da Rádio Clube chamado The Old Songs, só com esse tipo de música. A madrugada todinha chorando e sofrendo ao som do melhor dos anos 80/90 ♡] – Vergonha alheia de mim mesmo.

Em homenagem aos nossos pais, e a você também (confesse!), resolvi fazer um post listando o melhor da música de amor da nossa infância/adolescência. Vem comigo lembrar do primeiro beijo, das fitas k7 do teu pai e da nostalgia de quem viveu o Castelo Rá-tim-bum mas queria mesmo era ser da época do Balão Mágico.

13) The Temptations – Ain’t too proud to beg

A minha idéia era focar só em músicas de 80/90, mas quando falei sobre The Temptations lá em cima, lembrei na hora dessa música deles. Uma das mais rastejantes que eu já ouvi na vida! Se você der play, vai ver que é bem animadinha, mas lê a letra: Eu sei que você quer me deixar / mas eu me recuso a te deixar ir / se eu tivesse que implorar, pedir sua simpatia / eu não me importo, você significa muito pra mim. / Eu não sou orgulhoso demais pra implorar / POR FAVOR, não me deixe garota! MINHA GENTE! É o fundo do poço emocional, mas ele canta isso sorrindo, se divertindo, como quem pensa: “É, tô apaixonado mesmo. Que se dane!”. E, olha, ele canta bem que só, e a música é muito divertida!

12) The Housemartins – Build

Minha gente, por favor vejam esse vídeo! Como lidar com o cabelo lambido do vocalista? Com a dancinha, (que atinge o ápice em 0:50)? Mais: como lidar com o fato dessa música ser conhecida como “Melô do Papel“? hahah Eu juro por Deus! Só ver o título do vídeo. Enfim, essa música nem fala de amor, mas tá na lista justamente por isso: pra representar todas as músicas “românticas” que nossos pais dançavam coladinho e não tinham nada a ver com amor. Tipo, nada mesmo. Essa inclusive fala sobre a sociedade e o papel das empresas que constroem edifícios (?), mas é tão lentinha e fofinha que dá mesmo pra jurar que é uma canção de amor: o melô do papel.

11) The Cars – Drive

O título do vídeo dessa tem corações! Como não amar? ♡ Mas não se engane pela fofura do título, a mensagem aqui é mais seca, direta mesmo. Nós dois: acabou. E agora? Quem vai te levantar, quando você cair? Quem vai te segurar quando você tremer e aparecer quando você se quebrar? … Quem vai te levar pra casa essa noite?

– Eu não.

10) Chris de Burgh – Love is my decision

Lembra do remake da novela Anjo Mau, aquela que tinha Glória Pires como protagonista/antagonista? Love is my decision era uma das mais lindas daquela trilha sonora, e é a música perfeita pra quando você quer acabar uma DR. O casal discute, grita, reclama de tudo, mas tem aquele momento em que alguém decide parar a briga. Nos anos 80, essa pessoa olharia a outra nos olhos e diria: Ei, eu quero continuar com você! Se eu tiver que escolher… love is my decision.

Mais brega, tá pra nascer! Mas a música é ótima!

9) U2 – With or without you

Alguém aí fã de Friends? Lembra quando Rachel e Ross acabam o namoro pela primeira vez? Cada um fica sofrendo num quarto, olhando pra chuva que cai lá fora e ouvindo With or without you. Não sei explicar por que eu gosto tanto dessa música. Ela começa meio lenta, grave, sombria, e vai crescendo até chegar na desesperança, no desespero mesmo. Aí o eu-lírico finaliza: eu não posso viver, com ou sem você. Eu não posso viver.

8) Solomon Burke – Cry to me

Mais sexy que essa música tá pra nascer! De verdade. Imagina você abandonado/a pelo seu amor, pensando nas suas desventuras, chega aquela pessoa no teu cangote e diz: Tá com vontade de chorar? Vem cá… chora aqui pra mim. Ela é trilha sonora de um filme que COM CERTEZA seus pais já viram e, se brincar, no cinema: Dirty Dancing – Ritmo Quente. Solomon canta justamente no momento em que os protagonistas estão se aproximando mais fisicamente e os dois dançam bem sensualmente ao som dessa canção que, olha… Mexe com a pessoa. O clipe aqui é justamente dos dois dançando ao som da música, sente a pressão:

Ps. sim, tenho o DVD do filme. Me julgue!

7) Bon Jovi – Always

Chora, coração bandido! Se apaixonou, achou que ia ser pra sempre, mas acabou? Essa é a música perfeita pra você passar por esse momento, só dar play e pronto. Se puder decorar a letra pra gritar junto, fica melhor – experiência própria Se não bastasse isso, o clipe dela ainda é ótimo, uma historinha de amor bem complexa: a paixão inicial, traição, arrependimento, tudo. Olha:

6) Aerosmith – Crazy

Certeza que você já viu esse clipe! Poucas coisas são tão anos 90 quanto Aerosmith e essa música em especial. Duas ninfetas doidinhas fogem do colégio e vão tirar onda por aí. É divertido, sexy, romântico e nostálgico. Acho, inclusive, que é um dos meus clipes favoritos. Olhe, confie em mim, só dê play e seja feliz:

5) Bryan Adams – Please forgive me

Esse homem quer tocar seu coração. A primeira cena do clipe é um pastor alemão fofinho correndo pra dentro do estúdio de gravação, enquanto ele se prepara pra cantar uma música chamada… Please, forgive me. Olha, difícil apelar mais do que isso! Mas a gente perdoa, porque a música é ótima (de verdade) e ele parece muito sincero. Aliás, você não conhece Bryan, mas ele é um dos cantores que mais tocavam nas rádios de madrugada. É tipo o principezinho das Old Songs! Só música boa e roedeira.

 4) Elton John – I guess that’s why they call it the blues

Palavras não podem dizer o quanto foi difícil escolher só uma de Elton pra colocar aqui. Sou muito fã desse homem e não tenho vergonha de dizer que já chorei inúmeras vezes, ouvindo ele cantar. A voz dele é triste, as letras são lindas e os arranjos com piano forte acabam com os corações partidos. </3 Escolhi essa em especial por causa do título e da força que ela vai ganhando, graças ao piano. Linda, tocante. Acho que é por isso que chamam de tristeza.

3) Kiss – Forever

Daí que uma banda de metaleiros, couro preto e jeito de mau, resolve compor uma baladinha. Várias das bandas de rock dos anos 80 e 90 fizeram isso, mas pra mim ninguém fez melhor que o Kiss. Impossível imaginar que esses caras sãos os mesmos que cantavam de cara pintada e cuspindo sangue. Aqui, eles só falam das coisas do coração. De um jeito brega, de um jeito lindo!

2) George Michael – Careless Whispers

Não dá pra acabar uma lista sobre música dos anos 80/90 sem mencionar essa música. NÃO DÁ! Eu não sei nem como começar a explicar o porquê, mas em resumo: ela representa o que há de mais brega, exagerado e melodramático dessas décadas. O que é o brinquinho de George Michael, as caras de sensualidade, a história de amor absurda? As cordas e refletores? – Minha gente, sério mesmo? Enfim, se tem um clipe nessa lista inteira que vale à pena ver, é esse. Então corre, aproveita:

Personalíssimo: Sabe aquela música que você coloca pra tocar quando quer pôr tudo pra fora, chorar de se acabar? Confesse vá, você tem uma! Eu tenho algumas (risos) e poderia citar várias delas, mas como o post já tá gigante, vou colocar só uma. Mas, olha, essa vale por dez. Desde 1996 – quando eu ganhei o CD de Cara e Coroa Internacional – que ela toca meu coração. Faça um teste: ouça de olhos fechados e pensa na tua vida amorosa. Duvido tu não chorar!

1) ?

Difícil escolher uma pra essa posição. Gosto demais dessas músicas “do tempo dos nossos pais”, então me reservo ao direito de não ter que escolher uma pro primeiro lugar. Deixo essa tarefa pra vocês! Alguma música que os pais de vocês (ou vocês mesmos) ouviam e que faltou aqui? Diz aí nos comentários. =]

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Como eu me sinto quando dou play nessa lista

Eric

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Versão brasileira: Herbert Richers

Vada Sultenfuss é uma garota de 11 anos, que visitou várias vezes as nossas casas durante a sessão da tarde. Ela é a loirinha de olhos azuis que interpretou Meu Primeiro Amor e quanto a mim, pelo menos, me fez dar gargalhadas e derramar lágrimas em várias tardes na globo!

Vada é uma menina comum. Apaixonadinha pelo professor, esperta, engraçada e inocente, extremamente inocente. A mãe morreu quando era criança, o pai tem uma funerária. Vada tem muito medo da morte e pensa que tem as doenças que matam os “clientes” do seu pai. Ela convive com a morte todos os dias. Mas a vida ainda prova que ela não é capaz de se acostumar.

Eu gosto de assistir ao filme, porque me agrada a maneira como o amor de Vada (Anna Chlumsky) e Thomas (Macaulay Culkin) acontece: de maneira simples, sem muito glamour ou caixas de som, como a vida deve ser.

Eu gosto de filmes que me fazem experimentar sentimentos e este é um deles. Não considero como trágico ou totalmente dramático, porque ele fala de fases: Fase de saudade, como ela sente da mãe. Fase de ciúme, como ela sente quando o pai começa a namorar. Fase de paixão, quando ela faz de tudo pra ficar junto do professorzinho. Fase de amor, que é o que ela sente pelo seu amigo Thomas. Fase de dor, que é – tantas vezes – provocada pelo amor, quando Thomas se vai.

Se Vada não amasse, não sofreria tanto. Mas também não teria sido tão feliz, não teria uma história pra contar, nem muito menos seria capaz de emocionar as nossas tardes.

Eu gosto do jeito como a vida é tratada: como absolutamente onipotente diante de nós. Gosto de sentir a dor, de perceber que não somos nada e gosto mais ainda de acreditar que essa dor é só de mentirinha, só durante o filme.

Eu acho linda a maneira como o filme é contado, amo a simplicidade e o cheirinho de infância, principalmente quando ouvimos “Versão brasileira… Herbert Richers”! hahaha, quem nunca quis falar na frente do narrador?

E é pra isso que a gente te chama hoje: Pra gritar de novo “Herbert Richers”, pra sofrer de novo, ter medo de novo e amar de novo. Afinal, o tema é hoje é puro amor!

Neide Andrade

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O amor está no ar

vozinho e vozinha

A imagem não poderia ser outra: Um casal que soube amar até o fim: Ésten e Olineas… Vozinho e vozinha, pra mim.

Ah, o amor! Há quem tente definir, há quem tente expressar, mas o bom mesmo é “vivê-lo em cada vão momento”. O amor, necessariamente, traz felicidade? Como já dizia o apóstolo Paulo, “É sofredor”. Eu gosto de dizer que o amor está em todos os lugares e funciona como uma rede de compartilhamento. Basta que as luzes da cidade se apaguem e você já se treme todo e pega na mão do seu amor pra não correr perigo. Se um ficar nervoso, o outro fica também. Se um chorar, o outro chora junto. Se um correr, o outro não fica atrás.

Amor foi o que fez Romeu e Julieta viverem juntos para sempre – digo viver, porque é esse o sentimento que nos traz vida. O amor levou Bentinho à loucura e a falta dele fez a madrasta má envenenar a maçã.

O amor é o maestro que rege as nossas histórias e comanda os nossos sonhos, mesmo que escondidos. Se o amor não estiver presente, não tem audiência suficiente. Ele está em tudo: No sorriso, na lágrima, na euforia e na fúria.

A partir da próxima segunda, vamos falar, aqui no Escrevo Apenas, só sobre amor! Amor na música, na literatura, no cinema… Em tudo! Você não pode perder, porque amar – sendo bom ou ruim – é inevitável.

Enquanto a segunda não chega, a gente se diverte com esta playlist. só com música brasileira. E, convenhamos, nós amamos como ninguém! Bom fim de semana e vamos celebrar o amor neste lindo dia 21!

Neide Andrade – Neidinha, pra quem amo (;

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