Sky Ferreira

Pra gostar de: Sky Ferreira

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Não, ela não é brasileira. O pai dela que é. E eu sei que você provavelmente nunca ouviu falar dessa criatura. Mas, ei, a proposta dessa seção “Pra gostar de” é justamente essa: falar de coisa boa – que normalmente eu ouço sozinho – pra vocês conhecerem e, quem sabe, ouvirem junto comigo.

Então, paciência, que eu vou (tentar) te convencer a gostar de Sky Ferreira.

Minha história com essa pessoa foi singular: ouvi a primeira vez uma música dela, achei estranha, fechei o vídeo. Meses depois, ouvi de novo. Achei estranha. Salvei o blog que falava dela nos meus favoritos. Fechei o vídeo. Tempos depois, ouvi, reconheci, gostei e me apaixonei. Baixei os dois EPs e o CD dela e hoje sou fã. Obrigado, internet!

Vamo deixar de conversa e aprender logo a gostar dessa mulher? Listo 5 músicas pra tentar te convencer.

A primeira que ouvi de Sky – e que desencadeou a coisa toda – foi essa aqui:

1) Eveything is Embarrasing

Entendem o meu estranhamento? A música começa com uma batida marcada e – do nada – um acorde bem triste dá início à melodia. Ou seja, é uma música triste com uma batida dançante – poucas coisas são tão indie. Mas, depois do estranhamento inicial, o que fica é a idéia legal da letra e a vontade de dar play nisso numa festa qualquer. Imagina as pessoas se movendo no ritmo da batida e pensando nas desventuras dessa vida! <3

2) Red Lips

Daí que depois de já viciado na primeira música, fui caçar o EP em que ela estava (o Ghost) pra ver se gostava de mais alguma. E eis que escuto uma canção de rock. Sim! Guitarra e bateria bem marcadas, letra provocadora e clipe… Meu deus, o clipe. É simplesmente ela de roupa de baixo enquanto uma aranha caranguejeira anda em cima dela. hahahah E, veja bem, isso não é o mais surpreendente! Vale o play. A música é uma delicinha e o clipe é bem interessante, por assim dizer.

3) Sad Dream

Ok, já tinha gostado de duas músicas e já simpatizava com Sky. Faltava só alguma coisa que me convencesse a ficar, a acompanhar de verdade o trabalho dela. E eis que, não mais que de repente, abro o clipe da primeira música do EP Ghost: Sad Dream. O clipe é muito bonito, delicado, suave, cheio de melancolia e vazio de pieguice, mas a música… Linda demais! É uma baladinha simples, com o baixo bem marcado e muito destaque pros instrumentos acústicos, mas te pega tanto que não sei dizer. Deve ser o jeito como a voz dela soa desprotegida sob os instrumentos, ou a letra. Ou as duas coisas. Destaque pra uns graves lindos que Sky dá no fim dos refrãos.

Gosto tanto de Sad Dream que incluí na minha lista de 10 músicas mais tristes do mundo.

4) Sex Rules

Depois de ouvir o Ghost até furar, fui ouvir o EP anterior dela: o As If!. Nele encontrei o que faltava pra completar o pacote. Quem disse que as músicas dessa mulher são todas tristes? Nesse EP tem uns dancezinhos legais – tipo minha querida 108 – e músicas mais raivosas/divertidas. Minha favorita desse álbum é justamente uma bem engraçadinha e o nome dela é… Sex Rules. hahah Imagina! A música é gostosa demais. Dá vontade de dançar e ser feliz, ou de fazer o que a letra dela sugere. Vê só: We are animals / No matter what we deny. / Our bodies strong like magnets / In the darkening sky. / Sex rules/ Use your God-given tools / Sex Rules / I pity the fools / Who realize too late / Love, sex, and God are great / Oh-oh, oh-oh / Sex rules.

5) You’re not the One

Ouvi os dois EPs, gamei e tal mas CADÊ O CD, MULHER? Demorou anos pra essa pessoa lançar um CD e todo mundo (eu) estava curioso pra saber qual vertente de som ela ia explorar, já que nos EPs ela foi do indie ao dance-pop sem nenhuma vergonha na cara, e competentemente. You’re not the one foi o primeiro single do CD dela, que chama Night Time, my Time e, olha: coisa linda! Pega aquela vibe dance, mistura com o rock de uma guitarrinha nervosa, bota uma letra bem provocativa (you. are. not. the. one.) e tá feito o sucesso. Delícia de música e certeiro pra um primeiro single!

6) Bônus: Heavy Metal Heart

Se eu gostei do primeiro single, eu ENDOIDEI com essa aqui. Nem é single, mas é minha favorita do CD inteiro, de todos os trabalhos de Sky. Delícia de rockzinho! Uma pegada bem 80’s, tipo Blondie e Joan Jett, mas com uma letra bem bobinha, bem a minha cara. Às vezes eu tô no chuveiro e dá vontade de gritar YOU MAKE ME FEEL THE PULSE OF MY HEAVY METAL HEART / YOU MAKE MY HEAVY METAL HEART BEAT BEAT OH OH. E, olha: se a música dá vontade de gritar no chuveiro, é porque ela é boa mesmo. Esse é o melhor termômetro! Totalmente despretensiosa e extremamente acertada. Ponto pra Sky. De novo.


Pra finalizar: de todos os trabalhos dela, tenho que dizer que o meu favorito foi o EP de 2012 (Ghost). É o mais tristinho e o que mais é a minha cara. #gueba O cd dela eu não amei não, mas achei consistente/coerente, e gostei mais dele que do ep de 2011 (As if!). De músicas ainda não mencionadas, destaco a tristeza de Ghost; a rave de Lost in my bedroom; o dance delícia de 108 (de novo!) e a construção perfeita que é I Blame Myself (cujo clipe, aliás, também é ótimo!). Enfim: Sky, vem cá. <3

Eric

Todo carnaval tem seu fim

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Tem coisa mais clichê que esse título? Difícil. Mas lide com isso.

Lide também com essa sensação pós-carnaval. Cadê a festa agora? Cadê os dias alegres, o descanso? Pois é, carnaval acabou e a rotina parece mais pesada do que nunca. Infelizmente (mesmo) não é sempre que a gente pode ter um fim-de-semana de cinco dias. ;/

Pensando nessa deprezinha pós-carnaval, a gente resolveu postar hoje uma lista muito especial: as 10 músicas mais tristes do mundo. Sim, nada de animação, hoje a barra vai ser pesada!

10) The National – Pink Rabbits

De todas, essa é a música mais hipster da lista. Eu nunca tinha ouvido falar sobre essa banda e muito menos dessa música; uma dia, um amigo meu twittou sobre ela, dizendo que era a música mais triste do mundo. Fui ouvir e, olha, ele tá certo. É uma delas. Começa logo com a voz desse cara que é assim… Parece que você tá entrando num outro mundo, sabe? Ela é grave e delicada ao mesmo tempo e a melodia segue a mesma ideia: combina a fragilidade do piano com a força da percussão, mais o reverb ao fundo. O efeito é sombrio, encantado. E a letra… uma paulada! Aliás, uma não, várias: “It wasn’t like a rain, it was more like a sea. I didn’t ask for this pain, it just came over me” (putz) | “I’m so surprised you want to dance with me now. I was just getting used to living life without you around” (chorando) | E o melhor, um dos versos mais incríveis do mundo: “You didn’t see me I was falling apart. I was a television version of a person with a broken heart.”

9) Sky Ferreira – Ghost

Sky eu já conheço há um ou dois anos. Acompanho o trabalho dela desde a incrível Everything is embarrassing e já ouvi os dois EPs (As if! e Ghost) e o cd, “Night time, my time”. Inclusive, ela apareceu no blog nesse post aqui. Mas sabe quando você ouve tantas vezes um disco que acaba enjoando das favoritas e começa a se apaixonar pelas “lado b”?

Aconteceu exatamente isso comigo: me apaixonei pelo EP Ghost (gosto mais dele que do cd, que veio depois) e ouvi à exaustão todas as músicas, só depois que enjoei de todas é que fui prestar mais atenção na faixa três do EP, que dá título a ele. E Ghost finalmente me tocou. Os acordes iniciais dão logo a dica de que… não tem solução. A letra fala de alguém que era importante e cuja presença era necessária, mas que, de repente, perdeu a consistência, se tornou um fantasma. “I loved you most and now you’re a ghost I walk right through.”

8) Elton JohnDaniel | I Guess That’s Why They Call It The Blues | My Father’s Gun

Já falei desse homem com muito carinho aqui, mas um post não é suficiente, dois não são, esse blog inteiro não seria. =~ Amo Elton demais, o jeito dele cantar, as letras, as melodias, tudo. Sou fã mesmo. Por isso tudo, não poderia deixar de citá-lo nessa minha lista, mas o problema é (sempre será) o seguinte: qual música escolher? Fiquei dividido entre três e resolvi citar todas. Me julgue.

Daniel fala de um amigo-irmão querido que se vai – sempre lembro do meu irmão quando ouço essa | I Guess… o próprio título já entrega tudo: é só uma música, mas também é o que se pode chamar de tristeza | My Father’s Gun fala de quando seu pai morre e você tem que começar a tocar a sua vida, sozinho.

As três são incríveis. Sei nem o que dizer mais… Clica em play aqui embaixo, por favor. ;]

7) Stênio Marcius – Alguém Como Eu

Um dos maiores problemas das músicas de louvor hoje em dia é o foco: os cantores tentam escrever coisas legais, instigantes e esquecem que a essência era pra ser outra, era pra ser simples. E “Alguém como eu” é justamente isso: essência. Mais do que problematizar a questão de como Jesus poderia ser homem e Deus ao mesmo tempo, a letra fala da amizade entre uma pessoa comum e alguém não tão comum assim.

Olha, tá pra nascer música mais delicada e mais tocante que essa. Chorei tanto da primeira vez em que ouvi que dava pra encher um balde.

6) Padre Zezinho – Utopia

Mantendo a vibe do número 5, não tem como não citar essa pessoa. Minha gente, esse padre acaba com o meu coração. As melodias são simples, a voz não é grande coisa, mas as letras… Gosto de várias dele, mas Utopia sem dúvida é a minha favorita. Ela é cheia de nostalgia – saudade mesmo – e fala daquela época em que os pais e filhos se sentavam ao redor de um rádio pra dividir as vidas uns com os outros. É o tipo de música que dá um aperto no peito e deixa a gente sentindo falta do que nunca viveu, sabe?

5) Roberto Carlos – Proposta

Me julgue mais uma vez: eu amo esse homem. A despeito de toda breguice e da pessoa bizarra que ele parece ser, o conjunto da obra de Roberto é precioso. Esqueça “Emoções”, “Esse cara sou eu” e o especial de fim-de-ano da Globo! Ouça Desabafo, Você não sabe, Cavalgada: vá além. Não deixe seu preconceito te impedir de conhecer coisas novas, coisas boas.

“Proposta” era uma música banal pra mim. Até eu voltar no banco de trás de um carro, com a cabeça encostada no ombro do meu ex-amor. Enquanto eu fingia dormir, essa música tocava e a letra soava alto pelas janelas abertas. “Eu te proponho nós nos amarmos, nos entregarmos. Nesse momento, tudo lá fora deixar ficar…” Que proposta ambiciosa a que eu tava fazendo! Ambiciosa demais pras minhas possibilidades naquele momento.

4) Bruce Springsteen – Stolen Car

Essa música é clássico Bruce: a história da nossa vida + voz + violão. Nessa aqui, a letra vai descrevendo a história de dois namorados, como eles se conheceram, se apaixonaram e acabaram se casando. Tem como não se cativar? Pois é. Aí vem o cara e diz: Then little by little we drifted from each other’s heart. PAM. Acabou-se. E Bruce passa as outras cinco estrofes falando das expectativas que os dois tinham e de como, uma por uma, elas foram substituídas por decepções. Te lembra alguma coisa?

3) Scott Matthew – Abandoned

Essa não precisa justificativa. Dá play e deixa a voz quebrada dessa pessoa acabar com teu coração.

2) Anthony and the Johnsons – Hope There’s Someone

Mencionei essa música aqui. Ela é cruel porque, no fim das contas, fala exatamente do que a gente espera da vida: que haja alguém. Alguém que tome conta do nosso coração e que seja bom pra encostar, quando a gente estiver cansado. É o tipo de música que se basta.

1) The Carpenters – Goodbye to Love

A minha música mais triste do mundo é também uma despedida. E, aqui, o adeus não se destina a alguém: é do amor que Karen se despede. Eu poderia falar mil coisas agora: como sou fã dessa banda, o quanto eles já falaram comigo, como nos identificamos… Resolvi não fazer nada disso. Vou só pedir uma coisa a você que resistiu até aqui: abre as janelas da tua casa, senta no chão e deixa essa música tocar.

Repara na suavidade da voz e no solo de guitarra. Repara na letra. Ou só ouve e pronto, porque esse é o tipo de música que entra pelo ouvido e vai direto pro coração.


Oi, você que resistiu a esse texto gigante! =]

Essa é a minha lista, as músicas que mais tocam o meu coração. Num ato de amor, dividi com você.

Agora, quero saber: quais são as tuas músicas mais tristes do mundo?

Feliz fim de carnaval!

Eric

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