Clipe

Mika, eu quero falar sobre você!

imageedit_4_4306803695

O dia tá abafado, meio triste.

Você não aguenta mais aquele trânsito, aquela apostila, tua mesa de trabalho. Cansou!

Então deixa eu resolver teus problemas. ;]

Essa pessoa bizarra da foto se chama Mika. Nasceu no Líbano e foi criado em Londres. Vendeu rios de cópias do seu primeiro cd Life in Cartoon Motion, lá em 2007. Pronto. É tudo o que você precisa saber por enquanto. O que você realmente precisa é ouvir a primeira música de trabalho do cd novo dele, Talk About You:

Agora me diz: como lembrar do chefe? Dos prazos? Do monte de coisa que você tem pra estudar?

A vozinha de Mika tem encanto, faz a gente esquecer de tudo e abrir um sorriso, daqueles de verdade. De repente, tudo o que é importante fica besta e o que é pesado perde o valor. Tudo o que a gente quer é lembrar de como é bom estar apaixonado, como é bom ter alguém pra amar.

Essa música fala daquele momento do amor em que a tua vida tá tão cheia da pessoa que você é todo ela: só fala dela, só pensa nela.

Então dá play e deixa teu coração se encher de alegria!

Walk through the city
Like stupid people do
A million faces
But all I’m seeing is you
I’m stopping strangers
And telling them your name
Convincin’ haters
One day they’ll feel the same

I said you’re the only one I wanna talk about
Yeah it’s true
All I do is wanna talk about you


* O cd novo do Mika vai se chamar No Place in Heaven, a capa é a foto que ilustra esse post. Agora, um recado pro próprio: desde o The Boy Who Knew Too Much que eu espero outro cd decente, homem. Não me decepcione!

** Edit: Saiu o clipe, minha gente! E tá, olha, a coisa mais linda. Uma cidade inteira se montando e desmontando atrás dele, ganhando cores à medida em que o bichinho vai falando de como tá apaixonado, de como não consegue pensar em outra coisa. Repara:

Eric

Anúncios

Análise: Sia – Chandelier

sia

Após uma semana com textos tão inspirados nas palavras de Graciliano, fico numa situação complicada ao escrever a respeito qualquer outro tema que seja. Mas, como esse blog tem a cara de seus donos, optei por dissertar sobre uma música sobre a qual já conversei muito com Eric. A música – Chandelier, de Sia – apesar de aos olhos de muitos parecer mais uma música pop criada para ser comercial, me tocou sobremaneira, principalmente após assistir o clipe.

Se você ainda não assistiu, por favor só continue a leitura após assistir.

Não sou uma pessoa acostumada a falar sobre música, e por sinal entendo muito pouco sobre o assunto, mas essa música e esse clipe falam coisas importantes até para o mais leigo dos ouvintes (estou incluída nesse grupo).

Como Eric, também sou fascinada pelo tema infância, creio pelo fato de ter sido nesta fase que as maiores mudanças da minha vida aconteceram, em diversos aspectos. E o clipe remete muito a esse universo infantil e maduro ao mesmo tempo.

A criança do vídeo nos recepciona na porta de uma espécie de apartamento vazio e frio onde está trancada. Parece que ela está nos esperando, como uma forma de amor que não possui e fica rodando e dançando e pulando e gritando como se aquele fosse o melhor lugar do mundo. Mas ela está completamente sozinha, desnuda e perdida. Em contrapartida, a música tempera o clipe tornando-o mais amargo ainda.

A personagem (que poderia ser eu ou você) toma a decisão de viver como se não houvesse amanhã. A princípio você pode pensar que este rumo que a vida dela vai tomar seja a melhor solução para uma vida feliz, contudo a música revela exatamente o contrário. Ela está vivendo como se fosse o último dia porque no mais profundo do ser é o que deseja de verdade: que haja um fim. Porque está insuportável, inviável e infeliz. Embora ela seja a que todos ligam para festejar por conta de seu alto astral, o seu íntimo não está tão em celebração assim.

Isso me faz pensar: até que ponto conhecemos alguém de verdade? Será que nosso melhor amigo, nossa mãe ou nosso irmão estão vivendo como se fosse o último dia da vida deles? Será que eu mesma não estou fazendo isso? Será que você não já optou por isso?

A criança que eu comentei do clipe eu entendo como a verdadeira alma da personagem da música, aquela que está presa em um apartamento preto e branco, tentando de todas as formas arrumar um sentido para viver ali dentro. Ela quer voar, correr pelo mundo, ter diversão mas tudo que ela consegue é estar presa à vontade de que tudo aquilo acabe. E, mesmo utilizando tudo que o apartamento oferece, ela não consegue ser feliz.

Penso que conosco é a mesma coisa. A todo momento tentamos usar tudo que a vida nos oferece para ser feliz. Pode ser uma pessoa, um carro, uma viagem, um dinheiro ou qualquer outra coisa que não parta de nós mesmos. Parece que a felicidade é simplesmente uma palavra sem sentido que foi inserida na terra de forma dissimulada para iludir os que ainda a buscam. Sei que o mais clichê que se pode dizer é que a felicidade tem que partir de nós mesmos. “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Drummond, Carlos). Mas às vezes essa parece ser a única solução do teorema, quando a variável é o nosso próprio ser.

No final do clipe, a criança faz uma pequena reverência para quem está assistindo, como se agradecesse pela visita ao seu eu verdadeiro. Pois, no fim das contas, o que queremos é que alguém nos conheça de verdade. Assim teríamos mais uma variável para nos ajudar a encontrar a felicidade trancados em um apartamento gélido.

O que mais me deixa angustiada é que eu acabei por acreditar que aquela cena era verdadeira e que eu precisava fazer alguma coisa para ajudá-la.

Essa cena já deve ter acontecido tantas vezes em tantas pessoas no mundo, em amigos meus e até mesmo (isso falo com propriedade) em mim mesma. Quando eu me dou conta da realidade, percebo que tudo se resume ao teorema que citei antes.

Mas quem sou eu para dizer tudo isso?

Porque só estou aguentando firme esta noite, me ajude, estou aguentando firme pela vida.

Te dou a chave, venha me visitar quando tiver vontade. Prometo dançar para que você possa me conhecer.

Quem é você mesmo?

Priscila Queiroz.

 Leia mais: Análise: Sia – Elastic Heart