Rock

A glória de chorar

Olinda, 15 de outubro de 2010.

Já estava tudo certo. Roupa separada, sapato também. Cheguei, entrei na fila. Os amigos já marcavam o lugar. Na frente. Mas que demora, quanta espera. Me compre uma água. Não aguento mais. Será que ninguém tinha reparado no meu tênis novo? Mas não importa, de fato não importa. Importava a vontade imensa que eu estava de ir embora porque as portas simplesmente não abriam.

Todos de pé. Abriram os portões. Todos correram ao entrar pra ficar o mais perto possível. Nossa, como eu estava a fim de ficar lá na frente, bem na frente. Gozando de toda a falta de ar e cheirando todos os sovacos que eu pudesse contar. Sempre sonhei com isso! Enquanto a banda não chega, bota o DJ, cujo nome eu não me lembraria nem quando ele saiu do palco. Até um raio de dois metros de mim, todos se divertiram com o som e faziam uma dança ora se abanando, ora chamando o rapaz que vendia água, dispostos a pagar quanto fosse.

Abre parênteses

Esse rapaz da água, que tanto falavam desde o início do show, para mim, já era alguma miragem de quem estava mais pra lá do que pra cá, sob efeito de algum vento diferente do normal. E ainda diziam que ele cobrava cinco – cinco – reais.

Fecha parênteses

Um telão avisava: Eles estão chegando!

A sensação de tê-los tão perto renovava o fôlego dos amigos lunáticos que resolveram trocar o ar e o sossego pela possibilidade de vê-los de perto. Um letreiro no telão conduzia todo o público imenso, cantando Olha lá quem vem do lado oposto / Vem sem gosto de viver / Olha lá que os fracos/ São escravos sãos e salvos de sofrer / Olha lá quem acha que perder / É ser menor na vida / Olha lá quem sempre quer vitória / E perde a glória de chorar.

Como um coração adolescente pode resistir aos Hermanos? Depois de cantar O Vencedor diversas vezes, a banda entra e cumprimenta o público com a simplicidade de quem ainda está tirando um som na própria faculdade.

Então eu pude entender o motivo de tanto sucesso. Pude entender porque tomei fôlego com a chegada deles. E entendi também o motivo de eu estar ali. Eles falavam de mim. Falavam de cada um ali presente. Falavam de amor, saudade, planos, vitórias, derrotas, passado e luta. Quem não passa por tudo isso? E quem não quer gritar junto? Quem não quer extravasar todas as mazelas que rodeiam a nossa existência?

Sendo assim, que comece a festa!

Neide Andrade

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SE EU FICAR

Sem título

Poucos sons têm mais beleza que os dos músicos apaixonados… Apaixonados, não necessariamente por alguém, mas por qualquer coisa. Quem sabe se expressar com música faz isso muito bem e poucos sabem entender. Mas, quando dois se entendem, a história fica linda! Eu fiquei dividida, sem saber se deveria escrever sobre a trilha sonora ou sobre o filme, então resolvi fazer os dois de uma vez. Vou colocar a música e é pra ler ao som dela.

Mia (Chlöe Grace Moretz) é uma menina quieta, filha de roqueiros, mas que logo na infância descobriu o amor pela música clássica. Tinha uma família perfeita, mas nunca se sentiu da tribo deles, apesar de amá-los. Durante o colégio, enquanto ensaia com o violoncelo, passa a ser observada por Adam (Jamie Blackley), o vocalista de uma banda local. Diferente dos filmes comuns que usam a fórmula menina tímida + menino popular = confusão na escola, não tem confusão e Mia é bem recebida pelos amigos dele.

Adam logo é aceito pelos pais de Mia, que viram seus amigos, afinal, ele também é roqueiro. Mia rompe preconceitos e passa a conviver mais com o mundo e, apesar de continuar apaixonada pelo violoncelo, agora outra paixão rouba o seu tempo: Adam. Os dois já fazem planos pro futuro e  não observam que, mais cedo ou mais tarde, a separação será necessária… Teoricamente, rock não combina com clássico.

Mia é o suporte de Adam. É nela que ele encontra a família que nunca teve, a amizade verdadeira, a confiança. Mas esse relacionamento, apesar de verdadeiro, é constantemente ameaçado. Os dois têm planos diferentes, em lugares diferentes. Mia quer estudar em Nova Iorque, enquanto ele quer correr o país inteiro em turnês com a banda.

O casal se separa. Adam vai para as suas turnês e Mia começa a lutar por uma vaga na renomada escola de música Julliard. Entretanto, apesar de realizar sonhos, não estão felizes um longe do outro.

Em uma manhã de neve, a família de Mia decide sair pra se divertir e, na estrada, sofre um acidente. Enquanto ela está em coma, repensa as suas escolhas e no que importa, de fato. Pensa em quais são os seus sonhos e o que mudou enquanto isso. Ouve histórias da melhor amiga, do avô, até mesmo de Adam.

O filme não passa de mais um drama romântico clichê. Entretanto, um clichê contado de uma maneira fabulosa, linda e apaixonante. Já quero ver de novo!

Neide Andrade