Faixa

Amanhã é 23

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As entradas no meu rosto | e os meus cabelos brancos | aparecem a cada ano | no final do mês de Agosto.

Quando a gente começa a contabilizar as primeiras rugas, os primeiros sinais de idade?

Lembro que fui uma criança muito atenta pra algumas coisas e muito desatenta pra outras. Sempre perdia coisas, esquecia onde tinha colocado as chaves, os cadernos, os óculos e, ao mesmo tempo, observava demais as pessoas – suas expressões, os detalhes do rosto. Observava primeiro elas, pra depois observar a mim mesmo.

E com que atenção! Desde muito pequeno sempre me olhei no espelho de um jeito diferente: não pra conferir se meu cabelo estava arrumado ou se meu olhos ainda estavam sujos de manhã. Eu procurava alguma coisa a mais, um indício, uma marca deixada pelo tempo ao passar pelo meu rosto. Sempre fui fascinado por linhas de expressão e marcas de idade. Observava meu pai rir e as marquinhas surgirem nos seus olhos, tias que eu não via há tempos voltando envelhecidas de viagens, da vida. E eu esperava acontecer comigo.

Repare: não desejava, ansiava – só esperava. Poque não se deseja o que parece inevitável.

E é assim que eu lembro do primeiro risco que surgiu abaixo dos meus olhos e dos outros três que o seguiram. Lembro da minha primeira barba e do riso que parecia dividido nas inúmeras linhas que meu rosto formava. Como se só riso de criança fosse inteiro. O do eu adulto já parecia viciado, repartido em mil pedaços, em traços que iam dos olhos fechando à boca que se abria.

Envelhecer é ficar mais gasto, mais fosco. Perder o brilho de coisa perfeita, bem acabada. É abandonar o perfil viçoso, imaculado e ir assumindo os traços, os rasgos que a vida faz quando caminha pelo corpo, pelo nosso corpo.

Nessa quase adolescência, percebendo-me envelhecer, descobri uma música que virou amor, uma tradição. Amanhã é 23.

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de Agosto

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo

Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou?

Amanhã! Amanhã!
Amanhã! Amanhã…

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez…

Não coincidentemente, amanhã realmente é 23 – são oito dias para o fim do mês. E desde o fim da infância, todos os anos eu contabilizo a minha vida, o passar do tempo, nesse mesmo dia. Fico pensativo, me olho diferente no espelho, acompanho o traçar de diversos caminhos na minha cara. É como se, por alguma mágica, eu envelhecesse todo o montante anual nessas 24 horas. Não dá pra evitar.

É inevitável a passagem do tempo pela nossa vida, pelo nosso rosto. Mas esse texto besta é pra dizer que não somos totalmente reféns, sabe? A gente pode escolher se o que risca a nossa cara nos enfeia ou nos enfeita, que marcas a gente deixa ficar, que arrependimentos. Às vezes, no final de agosto, me imagino na posição da mulher descrita nessa letra. E é tão triste quando a gente não reconhece o outro, não se reconhece mais. O tempo passou e a gente preso, feito refém. Da vida, do tempo, de nós.

Mas, calma. Amanhã é 23, então hoje ainda é 22. Dá tempo de mudar, de ser melhor, de amar mais. Ainda é tempo da gente escolher o que fica

e o que vai embora.

Eric

Foto: flickr

 

6 músicas de verdade (ou Por que Amy Winehouse foi importante?)

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Hoje, 23 de julho de 2015, faz exatamente quatro anos que ela foi embora. Acabou a esperança de um cd novo – talvez tão bom quanto Back to Black – e, junto, acabou também a angústia de esperar os novos vexames que ela invariavelmente protagonizaria. Um documentário inglês lançado agora, no mês de aniversário da sua morte, promete trazer todas essas memórias de volta. A história de uma vida contada através de vídeos caseiros e depoimentos. Mata um pouco da saudade, mas não muda o fato: Amy Winehouse morreu. Vítima de causas indeterminadas, do álcool, de si mesma.
Certo, e o que te importa tudo isso?

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Vale tudo: uma carta de saudade de Motta para Tim

Tratar com a impessoalidade do jornalismo uma história em que o autor é uma das principais fontes não é uma tarefa fácil. Em Vale tudo: O som e a fúria de Tim Maia, o biógrafo, jornalista e produtor musical Nelson Motta conta a história do amigo, desde a sua infância até a sua morte. Lançada em 2007, a biografia de Tim Maia traz uma linguagem que vem descritiva, com a influência dos anos de jornalismo do autor, peca um pouco pela falta de análise psicológica, mas ganha com a pessoalidade expressa por Nelson Motta do início ao fim do texto, usando, inclusive o “eu” em determinados momentos. Nelson conta o que viu de Tim, além do que descobriu. Ele foi testemunha ocular da história.

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A glória de chorar

Olinda, 15 de outubro de 2010.

Já estava tudo certo. Roupa separada, sapato também. Cheguei, entrei na fila. Os amigos já marcavam o lugar. Na frente. Mas que demora, quanta espera. Me compre uma água. Não aguento mais. Será que ninguém tinha reparado no meu tênis novo? Mas não importa, de fato não importa. Importava a vontade imensa que eu estava de ir embora porque as portas simplesmente não abriam.

Todos de pé. Abriram os portões. Todos correram ao entrar pra ficar o mais perto possível. Nossa, como eu estava a fim de ficar lá na frente, bem na frente. Gozando de toda a falta de ar e cheirando todos os sovacos que eu pudesse contar. Sempre sonhei com isso! Enquanto a banda não chega, bota o DJ, cujo nome eu não me lembraria nem quando ele saiu do palco. Até um raio de dois metros de mim, todos se divertiram com o som e faziam uma dança ora se abanando, ora chamando o rapaz que vendia água, dispostos a pagar quanto fosse.

Abre parênteses

Esse rapaz da água, que tanto falavam desde o início do show, para mim, já era alguma miragem de quem estava mais pra lá do que pra cá, sob efeito de algum vento diferente do normal. E ainda diziam que ele cobrava cinco – cinco – reais.

Fecha parênteses

Um telão avisava: Eles estão chegando!

A sensação de tê-los tão perto renovava o fôlego dos amigos lunáticos que resolveram trocar o ar e o sossego pela possibilidade de vê-los de perto. Um letreiro no telão conduzia todo o público imenso, cantando Olha lá quem vem do lado oposto / Vem sem gosto de viver / Olha lá que os fracos/ São escravos sãos e salvos de sofrer / Olha lá quem acha que perder / É ser menor na vida / Olha lá quem sempre quer vitória / E perde a glória de chorar.

Como um coração adolescente pode resistir aos Hermanos? Depois de cantar O Vencedor diversas vezes, a banda entra e cumprimenta o público com a simplicidade de quem ainda está tirando um som na própria faculdade.

Então eu pude entender o motivo de tanto sucesso. Pude entender porque tomei fôlego com a chegada deles. E entendi também o motivo de eu estar ali. Eles falavam de mim. Falavam de cada um ali presente. Falavam de amor, saudade, planos, vitórias, derrotas, passado e luta. Quem não passa por tudo isso? E quem não quer gritar junto? Quem não quer extravasar todas as mazelas que rodeiam a nossa existência?

Sendo assim, que comece a festa!

Neide Andrade

Mika, eu quero falar sobre você!

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O dia tá abafado, meio triste.

Você não aguenta mais aquele trânsito, aquela apostila, tua mesa de trabalho. Cansou!

Então deixa eu resolver teus problemas. ;]

Essa pessoa bizarra da foto se chama Mika. Nasceu no Líbano e foi criado em Londres. Vendeu rios de cópias do seu primeiro cd Life in Cartoon Motion, lá em 2007. Pronto. É tudo o que você precisa saber por enquanto. O que você realmente precisa é ouvir a primeira música de trabalho do cd novo dele, Talk About You:

Agora me diz: como lembrar do chefe? Dos prazos? Do monte de coisa que você tem pra estudar?

A vozinha de Mika tem encanto, faz a gente esquecer de tudo e abrir um sorriso, daqueles de verdade. De repente, tudo o que é importante fica besta e o que é pesado perde o valor. Tudo o que a gente quer é lembrar de como é bom estar apaixonado, como é bom ter alguém pra amar.

Essa música fala daquele momento do amor em que a tua vida tá tão cheia da pessoa que você é todo ela: só fala dela, só pensa nela.

Então dá play e deixa teu coração se encher de alegria!

Walk through the city
Like stupid people do
A million faces
But all I’m seeing is you
I’m stopping strangers
And telling them your name
Convincin’ haters
One day they’ll feel the same

I said you’re the only one I wanna talk about
Yeah it’s true
All I do is wanna talk about you


* O cd novo do Mika vai se chamar No Place in Heaven, a capa é a foto que ilustra esse post. Agora, um recado pro próprio: desde o The Boy Who Knew Too Much que eu espero outro cd decente, homem. Não me decepcione!

** Edit: Saiu o clipe, minha gente! E tá, olha, a coisa mais linda. Uma cidade inteira se montando e desmontando atrás dele, ganhando cores à medida em que o bichinho vai falando de como tá apaixonado, de como não consegue pensar em outra coisa. Repara:

Eric

Quando você vai me deixar sair?

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Levanta. Forra a cama. Lava o rosto.

Olha no espelho.

O que você vê?

Os cabelos castanhos, lisos, loiros, cacheados, os olhos escuros, fechados, abertos.

Olha com mais atenção. Olha pra dentro. Tenta se reconhecer no reflexo. Você consegue?

sia-elastic-heart-video-1-1280Lembra da época de criança e de como tudo era mais fácil? Os seus gestos eram naturais, você não tentava impressionar ninguém. Na verdade, sua maior ambição era abrir a lancheira e encontrar seu sanduíche favorito (e um chocolate). Opiniões, regras, expectativa – quando foi que tudo surgiu na nossa pequena vida?

A escola ensinou muito mais que álgebra, ela impôs comportamentos. A família foi além do amor, nos mostrou os limites (ou não). Os relacionamentos cruzaram a fronteira do carinho, nos ensinaram a agradar. E, de repente, ser ficou muito mais complicado. Ser natural não parecia mais bastar: era pouco demais. Não atendia às expectativas.

shia-labeouf-elastic-heart_article_story_largeAnos depois, a gente mira o espelho e eu te pergunto: o que o reflexo mostra? O quanto você está mudado, está mudada?

As fotos desse post são de um clipe, de uma música composta por Sia. Mais do que a voz distinta, essa cantora é conhecida pelas letras, pela sinceridade com que ela rasga o coração e se mostra pra gente. A vida às vezes pode ser difícil e pra ela não foi diferente: depressão, álcool, problemas de família. A dor era tanta que coube em doze faixas, em um cd chamado 1000 Forms of Fear. Uma dessas músicas se chama Elastic Heart e é do clipe dela que a gente vai falar hoje.

991769-c851f628-9735-11e4-9bd9-740a91fb6db7Uma gaiola gigante: Um homem. Uma menina.

Os dois presos, lutando um contra o outro o tempo todo, pra ver quem prevalece. Eles se estapeiam, se provocam, pulam sobre as costas. Pedofilia – alguns falaram. Sia disse que, na verdade, não. As duas pessoas representam ela: o homem e a menina. Como se, com o tempo, ela tivesse se dividido em duas. Em duas metades que se odeiam.

Em algum momento da vida, Sia esqueceu quem é.

O espelho – ao invés de mostrar uma só, inteira, limpa – refletiu duas imagens: inimigas, enlameadas. Foram relacionamentos demais, sofrimentos demais, vida demais. O coração bom, gigante, deixou de ser elástico, parou de esticar. E num determinado dia ficou mais difícil lidar com a depressão, com as várias personalidades do pai doente, com o álcool. Tudo desmoronou e ela deixou de ser a criança, abandonou aquilo que a fazia ser… ela.

E eu não sei você mas, pra ser bem honesto, às vezes olho pro quadrado em cima da pia do banheiro e ele não me reflete. Eu não me reconheço.

Mas, veja bem, não acabou! Você ainda pode se levantar, sacudir a poeira, fugir de dentro de si.

É tempo de tirar o cheiro de guardado da nossa alma, de tirar nosso coração da gaiola e colocá-lo de volta no peito.

Hoje é tempo de ser.

[E de ver esse clipe lindo:] 

Eric

 Leia mais: Análise – Chandelier (Sia)

Pra esquecer que sinto sua falta

zzz Encho minha cara de vodka. Pego o primeiro que aparecer. Vou pro puteiro. Me drogo. Esvazio a garrafa de uísque, e faço coisas de que vou me arrepender amanhã. Amanhã. Só pra esquecer você. Porque sóbrio, eu me lembro.

Basicamente, essa é a letra de Habits (Stay High), de Tove Lo. [Nunca ouviu falar desse mulher? Clica aqui] Ela faz um monte de coisa – as mais absurdas – pra tentar esquecer o cara. Ele foi embora, e agora ela tem que ficar bêbada. Veja, não tem escolha aqui. Não é uma música que fala do álcool como escape ou como consolo. Mais do que isso: o álcool e a loucura parecem os únicos caminhos possíveis pra ela. É quando teu corpo tá tão impregnado de alguém que a única saída é fugir dele, fugir da tua essência. Deixar de ser gente e virar bicho. Nesses momentos, tu pode fazer as coisas mais loucas. Coisas que nunca achou que teria coragem. – São os Wildest Moments, feito Jessie Ware diz:

Baby in our wildest moments / we could be the greatest, we could be the greatest.

Baby, in our wildest moments / we could be the worst of all.

Às vezes se desprender de si pode ser bom, perder o controle pode ser bom. Não pensar em nada… Fazer e pronto. Aí os problemas fogem da gente, e as preocupações, os arrependimentos – tudo vai pra longe, pra um lugar isolado. Ali, não dá pra ouvir o barulho que eles fazem. Não dá pra lembrar. Tove Lo abre o peito pra gente e diz assim:

You’re gone, and I gotta stay high. All the time.

to keep you of my mind.

Spend my days locked in a haze

tryin to forget you babe

I fall back down.

High. All my life. To forget I’m missing you.


Pois é, rapaz. Os wildest moments fazem a gente esquecer. Mas, veja só, um dia a gente lembra.

E eu sei, Tove Lo sabe, todo mundo sabe que não dá pra ficar chapado sempre. Não dá pra fugir pro álcool ou pra leitura ou pra cozinha toda vez. Uma hora você pára. E aí você lembra.

Você lembra do que fez. Do que disse. Você lembra dele, lembra dela. E aí?

Aí não tenho solução. Nem pra você, nem pra mim.

Só tenho duas músicas boas, olha elas aqui:

Eric

Análise: Sia – Chandelier

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Após uma semana com textos tão inspirados nas palavras de Graciliano, fico numa situação complicada ao escrever a respeito qualquer outro tema que seja. Mas, como esse blog tem a cara de seus donos, optei por dissertar sobre uma música sobre a qual já conversei muito com Eric. A música – Chandelier, de Sia – apesar de aos olhos de muitos parecer mais uma música pop criada para ser comercial, me tocou sobremaneira, principalmente após assistir o clipe.

Se você ainda não assistiu, por favor só continue a leitura após assistir.

Não sou uma pessoa acostumada a falar sobre música, e por sinal entendo muito pouco sobre o assunto, mas essa música e esse clipe falam coisas importantes até para o mais leigo dos ouvintes (estou incluída nesse grupo).

Como Eric, também sou fascinada pelo tema infância, creio pelo fato de ter sido nesta fase que as maiores mudanças da minha vida aconteceram, em diversos aspectos. E o clipe remete muito a esse universo infantil e maduro ao mesmo tempo.

A criança do vídeo nos recepciona na porta de uma espécie de apartamento vazio e frio onde está trancada. Parece que ela está nos esperando, como uma forma de amor que não possui e fica rodando e dançando e pulando e gritando como se aquele fosse o melhor lugar do mundo. Mas ela está completamente sozinha, desnuda e perdida. Em contrapartida, a música tempera o clipe tornando-o mais amargo ainda.

A personagem (que poderia ser eu ou você) toma a decisão de viver como se não houvesse amanhã. A princípio você pode pensar que este rumo que a vida dela vai tomar seja a melhor solução para uma vida feliz, contudo a música revela exatamente o contrário. Ela está vivendo como se fosse o último dia porque no mais profundo do ser é o que deseja de verdade: que haja um fim. Porque está insuportável, inviável e infeliz. Embora ela seja a que todos ligam para festejar por conta de seu alto astral, o seu íntimo não está tão em celebração assim.

Isso me faz pensar: até que ponto conhecemos alguém de verdade? Será que nosso melhor amigo, nossa mãe ou nosso irmão estão vivendo como se fosse o último dia da vida deles? Será que eu mesma não estou fazendo isso? Será que você não já optou por isso?

A criança que eu comentei do clipe eu entendo como a verdadeira alma da personagem da música, aquela que está presa em um apartamento preto e branco, tentando de todas as formas arrumar um sentido para viver ali dentro. Ela quer voar, correr pelo mundo, ter diversão mas tudo que ela consegue é estar presa à vontade de que tudo aquilo acabe. E, mesmo utilizando tudo que o apartamento oferece, ela não consegue ser feliz.

Penso que conosco é a mesma coisa. A todo momento tentamos usar tudo que a vida nos oferece para ser feliz. Pode ser uma pessoa, um carro, uma viagem, um dinheiro ou qualquer outra coisa que não parta de nós mesmos. Parece que a felicidade é simplesmente uma palavra sem sentido que foi inserida na terra de forma dissimulada para iludir os que ainda a buscam. Sei que o mais clichê que se pode dizer é que a felicidade tem que partir de nós mesmos. “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Drummond, Carlos). Mas às vezes essa parece ser a única solução do teorema, quando a variável é o nosso próprio ser.

No final do clipe, a criança faz uma pequena reverência para quem está assistindo, como se agradecesse pela visita ao seu eu verdadeiro. Pois, no fim das contas, o que queremos é que alguém nos conheça de verdade. Assim teríamos mais uma variável para nos ajudar a encontrar a felicidade trancados em um apartamento gélido.

O que mais me deixa angustiada é que eu acabei por acreditar que aquela cena era verdadeira e que eu precisava fazer alguma coisa para ajudá-la.

Essa cena já deve ter acontecido tantas vezes em tantas pessoas no mundo, em amigos meus e até mesmo (isso falo com propriedade) em mim mesma. Quando eu me dou conta da realidade, percebo que tudo se resume ao teorema que citei antes.

Mas quem sou eu para dizer tudo isso?

Porque só estou aguentando firme esta noite, me ajude, estou aguentando firme pela vida.

Te dou a chave, venha me visitar quando tiver vontade. Prometo dançar para que você possa me conhecer.

Quem é você mesmo?

Priscila Queiroz.

 Leia mais: Análise: Sia – Elastic Heart