Literatura

Quem ama mais é o mais fraco, merece sofrer

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O namoro da gente acabou e foi tão fácil.

Eu disse umas palavras, apontei descontentamentos. Você retrucou, choramos, discutimos. Acabou. E, pelo que vi nos seus olhos, doeu muito mais em você do que em mim.

Recentemente um casal de amigos reviveu essa experiência tão comum a todos, tão nossa – o fim de um relacionamento. Alguém virou pro outro e disse: acabou. E isso me fez lembrar de um trecho do menor livro mais incrível de Thomas Mann – Tonio Kroeger:

“Aquele que mais ama é o mais fraco e tem que sofrer” (14).

Que horror, né?

É. Mas, ei, pode ser verdade também. (mais…)

Madame Bovary sou eu!

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O livro, ao ser publicado,  gerou um processo por “ofensa à moral pública e religiosa e aos bons costumes”. Começou a caça pra saber quem era a devassa retratada na história, qual a verdadeira identidade de Madame Bovary? Pressionado, finalmente o autor responde: “Sou eu! Madame Bovary sou eu!”

Tem certos livros que a gente nunca vai saber por que teve de ler na época do colégio. Quem aí não lembra daquele clássico que seu professor de literatura mandou estudar porque caía no ENEM/vestibular? (mais…)

Vale tudo: uma carta de saudade de Motta para Tim

Tratar com a impessoalidade do jornalismo uma história em que o autor é uma das principais fontes não é uma tarefa fácil. Em Vale tudo: O som e a fúria de Tim Maia, o biógrafo, jornalista e produtor musical Nelson Motta conta a história do amigo, desde a sua infância até a sua morte. Lançada em 2007, a biografia de Tim Maia traz uma linguagem que vem descritiva, com a influência dos anos de jornalismo do autor, peca um pouco pela falta de análise psicológica, mas ganha com a pessoalidade expressa por Nelson Motta do início ao fim do texto, usando, inclusive o “eu” em determinados momentos. Nelson conta o que viu de Tim, além do que descobriu. Ele foi testemunha ocular da história.

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Enlouquecer é preciso (passo a passo)

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Um dia desses, tenta olhar pras pessoas a tua volta. Pra quem vai contigo no ônibus, quem corre apressado na rua, pras mães acalentando seus filhos. Olha em volta e repara naquele homem de paletó, camisa e calça social. Gravata, em plenos trinta e tantos graus de Recife. Esse cara tá indo pro escritório, voltando do trabalho, defendendo um cliente, fazendo uma entrevista, dirigindo uma empresa, desempenhando um papel.

Todos estamos.

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Confissão de Adultério

Em nome de um amor Casmurro

Eu volto a conjugar verbos, mas me enxergo cada vez mais desejando colocar o passado no futuro. Só pra ter de novo o prazer daquela gargalhada, de te ver lutando por mim e me chamando na janela. Mas por estar presa aos encantos e desencantos, que me faziam felizes de maneira independentes, coloco-me a disposição do destino, só que não consigo largar o volante… Apesar de passiva, tenho me comportado como um agente extremamente ativo em toda a situação que diz respeito a nós dois. Mas, no fim das contas, não sou eu que decido o nosso “sim” de cada dia.

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Sobre o Romantismo…

Se houve alguém nesse mundo que foi capaz de se eternizar, esse alguém foi o nosso grande escritor Machado de Assis. Descrevendo tantas personalidades, duas ficaram cravadas: Bentinho e Capitu, que viveram um amor intenso, mas não eterno. Maravilhoso, que terminou na desgraça da incredulidade, da saudade e, principalmente, da dúvida.

O amor dos dois já nasceu banhado pelo medo: alguém poderia impedir. E se não desse certo? Se a distância separasse os dois… se. Bentinho se desenvolveu e tornou-se um homem casmurro, o Dom Casmurro, que temia o tempo inteiro que cada segundo fosse convertido em distância da sua amada. Na realidade, um dos dois não soube amar. E nunca poderemos dizer quem foi o verdadeiro culpado.

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Batismo de fogo

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O que leva a gente a querer escrever sobre um livro?

Não sei.

Sei o que me leva a ler um: a vontade.

No caso de Batismo de Fogo, tive que insistir. Senti com esse livro a mesma dificuldade inicial que enfrento quando leio um livro de contos. Pra mim, é difícil acabar uma história em um parágrafo e no seguinte começar outra, com outros personagens, outros narradores. Em Batismo de Fogo não há contos: é uma história só, mas – ao mesmo tempo – são várias.

Em resumo, o livro trata do cotidiano de um colégio militar para adolescentes – aliás, pare e pense um pouco nesse conceito: colégio. militar. para. adolescentes. Sentiu o drama? Pois é. O Leôncio Prado recebe só meninos, todos os anos e fica próximo ao mar de Lima, no Peru. Aí a gente pensa: por que – e por quem – esses adolescentes foram obrigados a estudar num colégio interno (e militar)? Como é a vida lá dentro? Como eles lidam com a disciplina?

Várias vozes se alternam no texto pra responder essas perguntas: ora quem fala é o narrador impessoal, onisciente; ora é um dos alunos em primeira pessoa; um dos professores; outro aluno… Alguns parágrafos se passam no presente, páginas depois lemos sobre anos anteriores; descrições de eventos emendam com fluxos de consciência… Enfim: uma zona, mas uma zona escrita por Mario Vargas Llosa. Então tudo faz sentido e é bem feito.

Superada a dificuldade inicial com a alternância das vozes e do tempo, o livro pega você. Muito. Ver aqueles alunos adolescentes lutando pra se impor num ambiente hostil traz uma nostalgia danada. Lógico que tem situações tensas demais, que a gente como aluno comum dificilmente viveria, mas é muito fácil se identificar com os sentimentos, os diálogos e até algumas das situações vividas por esses meninos. Saudades oitava série do fundamental.

Mas Mario vai além: mais que criar um ambiente de identificação absurda, ele escreveu personagens lindos nesse livro. Desde os mais destemidos e subversores da ordem – como Jaguar – até os doces e mansos, que sofrem nas mãos dos outros – feito Ricardo Arana, o Escravo. Todos são escritos bem delicadamente, com cuidado. Não tem unilateralidade aqui – ninguém é vilão, ninguém é mocinho (não o tempo todo). Dá vontade de saber cada vez mais sobre a vida desses meninos. E Mario vai nos satisfazendo, contando pra gente aos pouquinhos, alternado – capítulo a capítulo – o personagem que fica sob o foco.

O Tripé, Crespo, Cava, Tenente Gamboa, Alberto, Jaguar, o Escravo, Tereza e até a danada da Mal-Paga têm seu momento de brilhar nesse livro. E como brilham! Adolescentes comuns, pais e mães comuns, problemas cotidianos de quem vive nos subúrbios da América Latina, mas retratados de um jeito sensível. As brigas, os amores, a amizade, pais e filhos, os conflitos morais: tá tudo lá, e difícil é não se importar com a vida de cada um desses meninos.

Quer um resumo? Vou te dar:

Imagina O Ateneu, de Raul Pompéia, casando com Capitães da Areia, de Jorge Amado. Tira a formalidade e adiciona sangue. Pronto!

* Imagem: do filme Conta Comigo, que eu assistiria, se fosse você.

Eric

A sangue frio – Capote

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Família Clutter: Nancy, Bonnie, Kenyon e Herb

Uma bolsa caída no chão e aberta em frente à escada, três quartos ocupados no primeiro andar. O primeiro, uma bagunça organizada. Coisas de menino. Um rádio, materiais de esporte. No último, um local ainda não totalmente habitado, um quarto de quem chegou, mas volta logo, ao contrario do segundo quarto que veio todo em um tom rosa, branco e azul bebê. Uma escrivaninha com um diário contendo os segredos mais loucos de uma adolescente comum, apesar de rica. Um urso de pelúcia ofertado pelo namorado no meio da cama expressava o desejo de ter o rapaz, ainda, por muito tempo. No porão, a sala de jogos guardava, consigo, um ar de pouca diversão: Tristeza. Um tom rubro vestia a casa: O sangue da família Clutter, derramado na madrugada daquele domingo, 15 de novembro de 1959.

Herb Clutter, um dos agricultores mais ricos e importantes do Kansas, naquela época, covardemente assassinado, junto com a sua esposa – Bonnie – e os seus dois filhos mais novos – Nancy, de 15 anos e Kenyon, com 9 anos.

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Sr. Herb Clutter

A família Clutter era conhecida na cidade Holcomb pela boa convivência que tinha com todos. A menina, Nancy, apesar de ser bonita e se destacar em todos os lugares que frequentava – igreja, escola, reuniões de família etc – sempre foi muito humilde. Teve “a sorte de um amor tranquilo” e, apesar de o Senhor Clutter não concordar muito com a ideia do relacionamento com aquele rapaz, Nancy e Bobby ficaram juntos até poucas horas antes do crime. O Senhor Clutter também, sempre muito atencioso com os empregados, tratando a todos com cordialidade, acreditava que esse comportamento era um dever dele enquanto cristão. O menino, Kenyon vivia em uma órbita secundaria, apenas dele. Apesar de não tratar ninguém mal e de não ser vitima da soberba cuja maioria dos ricos perecem, Kenyon não se comunicava muito bem e isso fazia com que ele fosse um pouco discrepante do pai e da irmã, mas muito parecido com a Sra Bonnie Clutter, que enfrentava, há anos, doenças psicológicas e há poucas semanas descobrira a causa real, o que poderia mudar a historia e a relação da família para melhor.

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Nancy Clutter, segundo o depoimento de um dos seus assassinos, Perry, manteve a calma e a simpatia até o momento da morte.

Paralelo à vida dos Clutter, dois amigos conseguiram a liberdade condicional e um deles tinha um plano: Assaltar a casa de um certo ricaço agricultor, no Kansas, tirar todo o dinheiro do cofre e refazer a vida no México: Obviamente, sem testemunhas. Dick, um belo moço de olhos azuis e cabelos claros, tinha o rosto um tanto torto devido a um acidente de moto. Ele provocava bem estar em quem estivesse por perto, sempre muito simpático e, claro, esperto. Dick planejou tudo, era o cabeça da situação. Perry, um baixinho frouxo e forte, sofrera um acidente de carro e sentia muitas dores nas pernas deformadas – tomava muito aspirina por causa disso, a ponto de ser um viciado. Perry foi o verdadeiro anti-herói da história, que levou um tanto de paz antes de disparar a arma para cada um dos membros da familia Clutter.

Pausa.

Como Capote enxergou qualquer tipo de coisa boa em um assassino covarde como o dos Clutter? Perry não era simpático, não era querido, mas tinha uma história que esse escritor esmiuçou. E a história de Perry estava estampada em cada corpo daquele: Uma posição melhor para O Sr. Clutter morrer e os nós em Nancy Clutter, que a protegeu de algo que, para muitos, pode ser pior que a morte. Apesar de ter disparado a arma, Perry salvou Nancy.

garden-city-telegram-bxOs dois bandidos se uniram e foram à casa dos Clutter naquela noite atrás do cofre para roubar uma quantia mínima de 10 mil dólares, que se converteu em cerca de 50 dólares, porque, como todo o Kansas sabe: Os Clutter pagam tudo em cheque.

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A história é real e virou uma reportagem escrita por Truman Capote no livro A Sangue Frio, que lhe rendeu a lembrança por quase um século depois: Apuração impecável, sem dúvidas ao leitor, um respeito imenso ao falar da família, dos amigos, dos assassinos e de quem ama os assassinos. Capote soube observar e entender que eles eram mais que personagens de um romance: Eram todos personagens de uma realidade cruel que precisava ser eternizada em uma obra prima como este livro.

A narrativa é avassaladora e altamente descritiva, nos projeta ao local da cena, de maneira que os sentimentos experimentados pelos personagens chegam até nós – eufemizados, obviamente. É uma leitura que vale o tempo, o livro e o que mais precisar!

Neide Andrade

Capitu em 5 atos

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Apresento-lhes a obra de Machado de Assis contada através de um mundo lúdico, porém realista. Como em primeira pessoa, a adaptação obedece igualitariamente as páginas do livro de Assis. De início é possível perceber uma mistura de épocas, confundindo prazerosamente os séculos e nos exibindo de imediato quem iria narrar a história que ali se iniciara.

Bentinho ou, se preferir, Dom casmurro nos leva à particularidade de sua vida e com uma linguagem irônica, rebuscada e debocha do passado e da sua atual existência, que logo nos faz premeditar seu fim trágico e melancólico  diante uma  maquiagem suja e preta escancarada no seu rosto.

O autor assiste à sua obra assim como nós, e atrás de cortinas teatrais está sempre a espera de alguma resposta ou do próximo capítulo. Não menos merecida do que a obra escrita no livro, esta, oferece-nos bem mais que palavras: cinema, teatro e ópera aos olhos nus.

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A história é contada em 5 atos com tempos preenchidos e vividos simetricamente, sem direito a buracos vazios. A narração é interrompida, às vezes, para ser contada por danças mudas, o que nos faz apreciá-la com uma visão ainda mais fantasiosa. Mas a realidade com o mundo moderno aparece para chocar o telespectador. Nós, e o que talvez seria o certo para nos confundir ainda mais, serve também  para encontrarmos as respostas ainda menos.

O conto já seria por si só, algo bom de ser assistido, mas foi na música escolhida para protagonizar a história que lhe deu uma vida mais eterna aos nossos olhos e as canções mescladas por estilos fez do destino da obra um favor aos nossos ouvidos.

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Capitu foi a coadjuvante do seu título dando chance à Dom Casmurro acreditar que seria o dono da sua história. E como as palavras não terminam, não seria aqui que as cortinas iriam se fechar, dando a Bentinho, ao menos agora, o direito à última frase por ora: “O destino não é só dramaturgo, é também o seu próprio contra-regra, isto é, designa a entrada dos seus próprios personagens em cena”.

Renata Cavalcanti

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN

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– Nós somos felizes, você não acha?

– Acho.

– Então qual é o problema?

– Talvez a gente seja feliz demais.


imageedit_15_7358108073É com esse diálogo curto que a gente começa a entender de que realmente fala essa obra-prima de Lionel Shriver. É a partir daí que a gente descobre que, na verdade, não é só sobre o Kevin que a gente precisa falar. Precisamos falar sobre nós mesmos, sobre as nossas culpas.

Tudo começa com uma mãe apática que finalmente aceitou seu destino terrível: o filho é um assassino. Dos mais frios. Logo nas primeiras páginas, a gente conhece o massacre causado por Kevin na sua escola: vários dos seus colegas de classe assassinados premeditadamente.

Tá lindo, mas o que o livro sobre um assassino tem a ver com a minha vida? Tudo, meu amigo, minha amiga. Tudo.

Através de cartas ao seu ex-marido Franklin – pai do Kevin – Eva (a mãe) nos conta a história de seu filho desde o começo, desde antes de ela estar grávida. Nessas páginas, vemos uma empresária bem-sucedida (e rica), casada com um marido amoroso e dona do emprego dos sonhos: ela viaja o mundo todo pra escrever aqueles guias de viagem, sabe? Emprego melhor tá pra nascer.

Eva é bem alegre, feliz mesmo, mas tem um momento em que aquela felicidade toda começa a incomodá-la um pouco. Tudo parece perfeito demais, monótono demais. E, porque ela estava entediada, resolveu ter um filho.imageedit_5_8731316186

Num instante, tudo mudou.

O amante ardente, sensual vira um paizão e a viajante libertina começa a observar horários, ficar em casa e amamentar uma criança – criança, aliás, que rejeita o peito da mãe e a sua própria presença, como se desde cedo já dissesse a que veio.

Kevin nasce, e Eva se arrepende – o que fazer agora?

Inevitável é não perceber a metáfora que grita nesse nome, nessa expressão. EVA. Eva se arrepende. Como a personagem bíblica, ela se arrepende do fruto do seu ventre, das expectativas depositadas naquele serzinho que chora o tempo inteiro. O que ela faz? Finge. Retira de si outra persona e vira a dona de casa, a mãe amável que faz biscoitos, confere a lição de casa e ensina a tabuada.

O problema é que Kevin finge também.

Pro pai, ele é o “filhão”, o “garotão alegre” e que “só precisa de um pouco de carinho, Eva!”. Com a mãe, ele é dolorosamente verdadeiro: rejeita o seio que o amamenta, a mão que o afaga e a voz que o repreende. Despreza tudo, absolutamente tudo. E o pior: ele é cruel. Assustadoramente cruel. Pequenas coisas começam a acontecer, várias delas, mas nenhuma parece ser culpa do menino. Eva percebe. O marido diz que é loucura, injustiça.

Carta a carta, essa mãe vai lembrando Franklin dos detalhes da infância, da adolescência de Kevin, das coisas que ela disse, das que deveria ter dito… Ela vai assumindo sua parte na culpa, apontando onde Franklin também errou e no final, dolorosamente, ela conclui: nunca gostei do meu filho.

Ninguém gosta de mães que “não gostam” dos próprios filhos.

Também não gosto muito dessas mães.

Eu tinha infringido a mais primitiva das regras, profanado o mais sagrado dos laços.

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imageedit_19_3377545386Aí está. A coragem de assumir os erros, os arrependimentos. Aquilo que a gente guarda bem escondido, como poeira velha embaixo do nosso tapete. Eva traz tudo à tona, tudo o que uma mãe, uma mulher, um ser humano nunca teria coragem de dizer. Ela diz, e de peito aberto. Parece que não há mais nada a perder.

Eu me rendo. Poderia passar o dia todo falando e não conseguiria mostrar pra vocês o quanto esse livro é incrível. Não é só sobre a mãe de um assassino, sabe? Vai além. Fala da hipocrisia nossa de cada dia, do falso perdão, das nossas insatisfações e da culpa. Da culpa dolorosa e do que a gente faz com ela. Comecei o livro achando bom, no meio me cansei um pouco dessa narradora egocêntrica e, no final, estava apaixonado pela sinceridade dela e pela força dessas páginas.

Quando o livro acaba, a sensação é de perfeição, de completude: a gente tá diante de uma obra-prima. Mais do que isso: levamos um tapa na cara. No meu caso, um tapa que vibra até agora. Dolorosamente.


Só para raros:

Vi o filme também.

As cenas são muito bem-feitas, bem filmadas. O tempo todo a cor vermelha persegue a mãe de Kevin, como um lembrete constante do que o filho fez e da dor que aquela história traz.

Ezra Miller [As Vantagens de Ser Invisível – post aquitá incrível como o Kevin: o desprezo no olhar, o jeito de se mover, tudo. Tilda Swinton faz uma boa Eva: fria, fisicamente parecida com a descrição do livro, mas muito unilateral. Senti falta da complexidade que a personalidade de Eva tem. Na verdade, se eu fosse usar uma palavra só pra definir o filme, seria essa: falta. 110 minutos não foram suficientes pra contar essa história.

Não me entenda mal: sei que filme e livro são formatos diferentes e é muito difícil condensar tudo pra fazer caber numa tela. Mas cara, não dá. O livro é INFINITAMENTE superior em todos os sentidos.

Enquanto o filme te impressiona, o livro te derruba, acaba com a tua raça e te faz pedir mais.

Eric

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