Lana del Rey

Lista: cinco músicas delícia

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Feita a prévia do tema dessa lista, dado o recado (obrigado Fly Art pela graça alcançada!), venho aqui fazer uma breve introdução (como é do meu feitio) e discutir rapidamente um problema com vocês, um problema seríissimo.

ENEM 2015 acabou de dar as caras e muito se falou da prova de português. Ah, é muito texto, é pouco tempo, português é uma língua difícil. Sim, concordo. Português é uma língua complicada de aprender, cheia de regras e não poupa na quantidade de palavras – são inúmeras. Beleza. Mesmo assim, acho que ainda falta. Calma, eu explico: sabe quando tu ouve aquela música gostosa, envolvente, cheia de malemolência? Daí você vai indicar pros amigos e acontece tipo assim: Ei, tu tem que ouvir tal música! / Por quê? / Ela é massa, é muito… (…cadê o adjetivo certo? nenhuma palavra parece se adequar).

Pra resolver esse problema (e justificar as falhas do meu vernáculo), apresento a vocês: as músicas-delícia. Sim, no singular. E concordo, é jegue mesmo. Mas tamos aí pra isso, né? Pra que ser cool se a gente pode ser jegue? Músicas-delícia, esse gênero subestimado do cancioneiro popular, compreende aquelas canções cheias de molejo, borogodó, ousadia&alegria. É o tipo de música que pega você no ato e te deixa no chão, sem ar, sem palavras. On the first night. Já pensasse? Pois é. Vem, get down comigo:  (mais…)

RISÍVEIS AMORES

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Do dicionário: É o tipo de amor que dá vontade de rir.

Não que seja engraçado! É só ridículo. Dá pena.

Pensei que esse ia ser um texto fácil. Li a obra que dá título a esse post há uns dois anos e lembro de ter gostado muito. Mas sabe quando passa o tempo e você não lembra mais por que gostou, só tem a sensação vaga de que aquilo é bom? Eu estava me sentindo assim, até que peguei Risíveis Amores pra reler essa semana. Lembrei por que o livro é bom, e por que é tão difícil falar sobre ele. Daí, resolvi dividir esse post em dois: a parte objetiva e a subjetiva. Vem comigo, que vale a pena:

❖ PARTE OBJETIVA

Milan Kundera, autor tcheco premiado, reúne em um livro só 7 contos, cada um falando de um tipo de amor diferente.

Sei que já parece metido a besta, né? Autor desconhecido + tcheco + contos + cult = aff. Olha, nem é. Milan escreve de um jeito fácil, palavras simples, assuntos do dia-a-dia. Mas sabe quando a pessoa fala de um jeito fácil sobre coisas extremamente delicadas? Você tá entendendo perfeitamente o que ele quer dizer, mas nunca tinha pensado a fundo sobre coisas tão subjetivas, nunca tinha encarado o amor e os relacionamentos tão de frente.

Vou confessar uma coisa aqui: normalmente odeio livro de contos! Sou meio disperso, então pra mim é horrível encerrar uma história num capítulo e no outro já ler sobre personagens diferentes, contextos diferentes. Sempre demoro a me conectar à próxima história. Com Risíveis amores, isso não aconteceu, e a razão é simples: todos os contos tratam de um tema só – relacionamentos. Mas cada um dos 7 traz um tipo de amor diferente, problemas completamente diferentes. Só pra dar uma idéia, vou falar uma frase sobre cada um deles:

1 – O pomo de ouro do eterno desejo – Dois amigos e a ânsia louca de pegar mulher – a conquista e as ficadas de uma noite só

2 – Ninguém vai rir – O papel da mentira na vida da gente – por que tem horas que simplesmente escolhemos não dizer a verdade?

3 – O jogo da carona – Uma brincadeira entre dois apaixonados – como um joguinho besta pode revelar tanta coisa sobre mim e o meu amor?

4 – O simpósio – Dr Havel, 2 amigos e 2 amigas – como interpretar os sinais que o outro dá? E, meu Deus, como a gente se acha às vezes!

5 – Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos – O passar dos anos, a chegada da idade – por que envelhecer é morrer um e nascer outro?

6 – O Dr Havel dez anos depois – A idade chega e, com ela, angústias novas

7 – Eduardo e Deus – Como o teísmo e o ateísmo podem parecer tanto um com o outro em algumas situações – qual o tipo de amor que as pessoas devotam a Deus?

❖ PARTE SUBJETIVA

Por que os amores são risíveis? – Essa é a parte difícil.

Você já parou pra analisar os relacionamentos da sua vida, tipo um a um? Cada beijo, cada amizade, as ficadas, os namoros? Claro que não! Ninguém faz isso com todo mundo que já passou pela vida! O normal é escolher as que marcaram mais, as que não dá pra esquecer – por uma razão boa ou uma ruim. A sacada desse livro de Milan é justamente pegar certos amores que a gente já teve, certos comportamentos, o jeito da gente se relacionar, pegar tudo isso e ver de cima, sem todo o sentimento que um amor costuma envolver. Analisar as coisas como elas são.

E aí Milan fala sobre dois amigos – um deles casado – que saem paquerando por aí. Eles desviam a rota do caminho, contam mentiras, fazem tudo pra ficar mais tempo dando em cima de desconhecidas, tentando levá-las pra cama. Aliás, o casado diz que tem um relacionamento feliz, uma esposa boa, e mesmo assim não desiste das novas conquistas.

Ele fala também da passagem do tempo, da juventude e de como a gente interpreta os sinais que a outra pessoa dá de um jeito errado, normalmente a nosso favor. Nem sempre aquele carinho a mais é um convite, nem toda amizade fiel é respeitosa e até o striptease (!) pode não ser um convite pro sexo, mas uma coisa triste. Olha:

Você se lembra do strip-tease, lembra de como ela o vivia? Chefe, foi o strip-tease mais triste a que já assisti. Despia-se com paixão, mas sem se livrar da cobertura detestada de seu uniforme de enfermeira. (…) Chefe, ela não se despia, ela celebrava seu ato de se despir, lamentava a impossibilidade de se despir, a impossibilidade de fazer amor, a impossibilidade de viver! [122]

Todos os contos são bons. Bons de verdade! Mas dois me tocaram de um jeito especial:

“Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos” Os anos passam, e um jovenzinho tímido de vinte e poucos anos começa a se ver quarentão, careca, solteiro. De repente, no meio da rua, ele encontra a mulher mais linda com quem transou quando era jovem – ela era graciosa, madura e perfeita demais pra qualquer um, muito mais pra ele. Mas, se a velhice tinha chegado pro jovenzinho, os anos tinham sido muito mais cruéis com a mulher, que já era mais velha naquele tempo. As rugas são tantas e a pele tá tão diferente que ele quase não a reconhece. Mas a chama pra um café em casa e eles começam a conversar.

As coisas que você aprende com esse conto não dá pra contar. De verdade. Como a gente valoriza a juventude! A dos outros e a nossa própria. O valor que damos a quem a gente era, a como costumávamos ser. O passar do tempo é muito mais dolorido do que calendários se sucedendo, parece que cada ano a mais é algo que se perde, não que se ganha. O conhecimento adquirido, os aprendizados, é tudo besteira perto do rosto jovem que vai morrendo, da sensualidade que vai minguando, da coragem que vai nos deixando. Por que a gente ama tanto a juventude? Pra Milan, esse amor dá vontade de rir. Porque, né: ele acaba.

“O jogo da carona”: Um casal de jovenzinhos finalmente tira férias do trabalho! Férias de amor, a dois, nas montanhas. Ela, inocente, envergonhada e extremamente ciumenta. Ele, rodado, vivido, mas agora apaixonado. Eles começam a jogar um jogo. Depois de abastecerem, ele senta no banco do motorista e ela se convida pra entrar no carro. Como se fosse uma estranha, daquelas mulheres experientes, que sabem o que querem. Safadeza no olhar – a inocência tinha desaparecido. Mas era só um jogo… Os dois começam a brincar e, o que era pra ser uma diversão besta na estrada, começa a revelar mais deles do que gostariam.

Incrível esse conto! Acho que um dos melhores que eu já li. Impressionante como o jogo traz tudo à tona: as razões do ciúme dela, o que ele mais amava na namorada, as dificuldades de lidar um como o outro, os desejos secretos e o tipo de amor que eles mais gostavam de fazer.

Já eram comprometidos, já se amavam há um tempo, mas o jogo bagunça tudo:

O que acontecia agora era o que ela sempre temera mais que tudo no mundo, o que sempre evitara: o amor sem sentimento e sem amor. Sabia que atravessara a fronteira proibida, além da qual se comportava sem a menor reserva e em total comunhão. Apenas experimentava uma espécie de medo ao pensar que nunca sentira tal prazer e tanto prazer como dessa vez – além dessa fronteira. [90]


Os personagens são muito bem desenvolvidos, o texto é bom, ele escreve muito bem, mas o que realmente fica na cabeça depois desse livro é: será que eu também não vivi um amor risível, desses ridículos, de que dá vontade de rir? Será que em alguns relacionamentos eu não amei mais a mim que a outra pessoa?

E o que eu realmente senti? Será que foi amor de verdade, ou só uma vontade louca de amar aquela pessoa, de sentir aquilo que eu não estava sentindo?

É quando você tá junto e na verdade quer separar, ficar só. Ou quando você não consegue desgrudar mais, protagonizar a própria vida. É esse amor gasto que a gente dá às vezes, um amor substituto:

“Uma alegria que tem a obrigação de substituir outras alegrias torna-se rapidamente uma alegria gasta.” [179]

Parafraseando Milan: “Um amor que tem a obrigação de substituir outros amores torna-se rapidamente um amor gasto.”

Faz sentido?

You’re falling hard, I push away / I’m feelin’ hot to the touch / You say you miss me the mustAnd I wanna say I miss you so muchBut something keeps me really quiet Your love, your love, your love.

Eric

Prainha indie

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A gente criou esse blog de tarde, no fim da tarde.
Finalmente um espaço em que a gente pudesse escrever livremente! Longe do academicismo do direito e da impessoalidade do jornalismo.
Queríamos ver cinema, literatura, música – tudo o que a gente ama – se misturando e interagindo entre si. Conseguimos!

Acabamos de montar layout e proposta do blog no fim do dia: o sol sumindo no céu e o mar de Recife castigando as pedras do calçadão. Ou pelo menos é assim que eu me lembro. Minha memória às vezes pode ser meio inverossímil.

De todo jeito, estamos aqui.

E pra começar da melhor maneira, a primeira playlist da Vitrola. (Dizem os editores que ela vai ser mensal, veremos)
O tema é Prainha indie – fim de tarde

É isso. Praia. Pôr-do-sol. Você sozinho.

Quer pensar na vida?
Só clicar aqui e dar play.

Eric