Playlist

Vou pegar o carro, vou sair pra rua

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Destino de hoje: A estrada

Às vezes te dá aquela vontade louca de largar tudo, pegar o carro e sair sem destino por aí?

Eu sei que é segunda-feira e você tá trabalhando, sei também que o trânsito desafia a paciência de qualquer um: como pensar em viajar de carro se a gente mal consegue chegar em casa a tempo pro jantar? Você tá certo, tá certa. Mas será que é impossível tirar prazer dos nossos percursos diários?

Eu acredito que não, por isso tenho uma proposta a fazer: vira a chave na ignição, põe o pé na embreagem, abre a nossa playlist. A gente acredita que música boa tem poder, então esquece os carros na tua frente, e os do retrovisor. Ignora quem se atravessa sem dar a seta e as motos que disputam o espaço na tua faixa.

Só dá play na música e deixa rolar.

Se você tiver ar condicionado, ótimo – verão tá de matar – mas, se não tiver, não se preocupa: “algumas músicas precisam de ar”. Então baixa as janelas, aumenta o som e vem curtir a estrada com a gente.

12 faixas – pop, rock, indie e músicas que precisam de ar: clica aqui.

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Eric

Leia mais: música e amor, em três fases

Música e amor, em três fases

FASE UM: The Sex

E começa o jogo.

Claro que nem todo relacionamento começa com sexo! Na verdade, essa fase representa mais a linguagem não-verbal do amor. Aquele primeiro momento de flerte, de aproximação física, os beijos trocados, o toque das mãos:

[Romeu] – Se com minha mão indigna profano este rico santuário, é esta a gentil multa que me disponho a pagar: meus lábios, dois envergonhados peregrinos, encontram-se prontos para suavizar esse toque rude com um beijo terno.

[Julieta] – Bom peregrino, subestimas tua mão e a ela não fazes jus, que assim demonstrou respeitosa devoção. Pois os santos têm mãos que se deixam tocar pelas mãos dos peregrinos, e o beijo do romeiro dá-se palma com palma.

[Romeu] – Mas os santos têm lábios, e os romeiros também.

[Julieta] – Sim, peregrino, lábios que eles devem usar.

[Romeu] – Ah, então, minha santa criatura, permite que os lábios façam o que as mãos fazem; tens de concordar comigo em que elas se unem em prece, para que a fé não se transforme em desespero.

[Julieta] – Os santos não se movem, tens de concordar comigo, em consideração aos fiéis.

[Romeu] – Então não te movas enquanto minha prece eu executo. Assim, desde meus lábios, através dos teus, meu pecado é absolvido.

{página 45}

Romeu danadão!

Parece que é um fio, um visgo que te atrai àquela pessoa. De repente, estar junto parece tão fácil. Difícil é resistir à força que obriga aqueles corpos a se unirem. Coisa de imã mesmo, magnetismo.

A roupas parecem pequenas demais pra conter aquele corpo em chama. A noite inteira de pé. A noite inteira. Embriagados de amor. Difícil disfarçar a fome que mora nos olhos, nos olhos famintos. E quando tudo parece irremediável, a gente se torna por inteiro uma festa, de um convidado só.

FASE DOIS: The Love

[Romeu] – Como posso ir embora, quando meu coração está aqui? Dá meia-volta, corpo meu, terra insensível, e encontra teu centro de gravidade, o teu coração, fora de mim.

[Julieta] – Como vieste parar aqui, conta-me, e por que razão? Os muros do pomar são altos e díceis de escalar, e, considerando-se quem és, este lugar é sinônimo de morte, no caso de algum parente meu encontrar-te aqui.

[Romeu] – Com as asas leves do amor, superei estes muros, pois mesmo barreiras pétreas não são empecilho à entrada do amor. E aquilo que o amor pode fazer é exatamente o que o amor ousa tentar. Assim sendo, teus parentes não são obstáculo pra mim.

[Julieta] – Se eles te vêem, vão matar-te.

[Romeu] – Ai de mim! Teu olhar é mais perigoso que vinte das espadas de teus parentes. Basta que me olhes com doçura e estou a salvo.

{página 53/54}

Quando menos se espera, a pessoa não tá mais morando fora. Tá dentro da gente.

A noite tá fria, solitária, e tudo o que a gente quer é alguém que nos tome pela mão e nos leve pra um lugar diferente. Perto daquele sorriso que nos deixa besta, que faz a pulsação parecer montanha russa. A chuva cai. Dois amantes se deitam numa cama sem lençóis – o quarto tá quente – e a gente tenta não se perder, manter o controle. Controlar os sentimentos do outro. Mas é bom parar de tentar. Cabe ao amor o que há de vir.

FASE TRÊS: The Pain

[Romeu] – Olhos, um último olhar! Braços, o derradeiro abraço!  E lábios, ah, vocês, portais da respiração, selem com um beijo justo este acordo.

{página 145}

Nada dura pra sempre. Ao menos não aqui na terra.

Cecília Meireles já dizia que “sempre” é uma palavra grande demais pra caber no tempo humano. Não cabe. Um dia, de algum jeito, vai acabar.

É um sinal de humanidade. É quando as coisas dão errado. Os socos parecem beijos. E os beijos, o contrário.

Não dá pra evitar o sentimento de que aqui não é o lugar que gostaríamos de estar. A gente se arrepende do que fez, mas é tarde demais. Somente em sonho, nossos braços envolvem de novo aqueles ombros queridos. A boca murmura: você é minha? Volta! Eu não sei se você se importa, mas eu me importo!

E a gente acorda. Sozinho.

E Deus, é estranho! É estranho ser o único com quem dançar, com quem falar. Ser sozinho.

AS TRÊS FASES, UMA PLAYLIST:

Clica aqui


I) Obrigado, Shakespeare, por Romeu e Julieta. Obrigado, Tove Lo, pela idéia de dividir o romance em três fases.

II) Os parágrafos em itálico têm uma razão de ser:

Juntei trechos da letra de cada uma das músicas que eu coloquei na playlist e fiz esses textinhos. Tudo o que tá em itálico é pista pra vocês adivinharem o que coloquei na playlist.

Será que alguém consegue adivinhar pelo menos uma das músicas?

Eric

Leia mais: Esquenta