Tina Turner

Lista: cinco músicas delícia

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Feita a prévia do tema dessa lista, dado o recado (obrigado Fly Art pela graça alcançada!), venho aqui fazer uma breve introdução (como é do meu feitio) e discutir rapidamente um problema com vocês, um problema seríissimo.

ENEM 2015 acabou de dar as caras e muito se falou da prova de português. Ah, é muito texto, é pouco tempo, português é uma língua difícil. Sim, concordo. Português é uma língua complicada de aprender, cheia de regras e não poupa na quantidade de palavras – são inúmeras. Beleza. Mesmo assim, acho que ainda falta. Calma, eu explico: sabe quando tu ouve aquela música gostosa, envolvente, cheia de malemolência? Daí você vai indicar pros amigos e acontece tipo assim: Ei, tu tem que ouvir tal música! / Por quê? / Ela é massa, é muito… (…cadê o adjetivo certo? nenhuma palavra parece se adequar).

Pra resolver esse problema (e justificar as falhas do meu vernáculo), apresento a vocês: as músicas-delícia. Sim, no singular. E concordo, é jegue mesmo. Mas tamos aí pra isso, né? Pra que ser cool se a gente pode ser jegue? Músicas-delícia, esse gênero subestimado do cancioneiro popular, compreende aquelas canções cheias de molejo, borogodó, ousadia&alegria. É o tipo de música que pega você no ato e te deixa no chão, sem ar, sem palavras. On the first night. Já pensasse? Pois é. Vem, get down comigo:  (mais…)

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5 músicas pra aprender a ser mulher

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“Não se nasce mulher: torna-se.”

Simone de Beauvoir ousou dizer essa frase em 1949, no seu livro O Segundo Sexo. Para ela, observar os genitais de uma pessoa pra falar de gênero era muito pouco: ser mulher envolveria muito mais do que ter uma vagina. Desde muito cedo há brincadeiras de menina, brinquedos de menina, comportamento de mocinha – uma série de regras que vão moldando a pessoa com os anos e a enquadrando em determinados padrões ou papéis. Então, é impossível deixar de reconhecer que a sociedade tem um papel reservado pra mulher, um papel que ela precisa desempenhar.

Mas e quando a carapuça não serve? E quando o padrão te mutila enquanto pessoa? – Você deixa de ser considerada mulher?

Muito já foi conquistado por aquelas que saíram às ruas. Hoje vocês podem votar, ser votadas, usar minissaia, ser responsáveis por seus próprios atos. Mas ainda falta uma coisa essencial: o respeito. Respeito não só pra mulher que se encaixa perfeitamente naquele papel que a sociedade lhe impõe, mas pras que são diferentes, que têm vontades diferentes.

Não há duas pessoas idênticas nesse mundo, todos os homens não são iguais e as mulheres têm diversos tipos de corpo, de mente e de ideologia. Aceite isso.


5) JoJo – Too Little Too LateVocê não tem que se diminuir pra que alguém te ame

Com certeza essa música já esteve no seu mp3. Pode dar play e deixar aquela lágrima de saudade rolar pelo seu rosto! hahah A coisa aqui é simples: você se entregou naquele relacionamento, deixou de ser quem é, diminuiu-se. Tudo isso pra ter o amor daquela pessoa. Nada adiantou e, tempos depois, ela volta… E aí? Como lidar com isso?

Jojo diz numa frase: é tarde demais. Não é dela que o cara gosta, ele gosta do jogo. E isso simplesmente não é o bastante. In letting you go, I’m loving myself.

4) Tina Turner – Proud Mary | Você pode ser quem você quiser

Foi o Creedence Clearwater Revival que escreveu essa música em 1969, mas dois anos depois Tina Turner a toma pra si e torna sua versão infinitamente mais conhecida do que a original. A letra fala de emancipação, de quando você sai de casa, larga aquele emprego miserável e refaz sua vida do zero. Tudo pra ser quem você é.

Left a good job in the city | working for the man every night and day | And I never lost one minute of sleeping | Worrying ‘bout the way things might have been.

3) Beyoncé – ***FlawlessAceite quem você é e aprenda a se amar por inteiro

Eu tenho uma amiga (alô Manu) que vive dizendo como ***Flawless é estranha: alguém aí já viu uma música que tem um discurso no meio? Certo, tem aquelas em que o próprio cantor fala umas coisas jogadas, mas você já ouviu um discurso aleatório inteiro inserido no meio de uma música? ***Flawless é assim e deixa eu te dizer por que isso funciona.

A letra fala de empoderamento, de encontrar o próprio poder. O mundo vive dizendo que você é gorda demais, branca demais, negra demais, crespa demais, velha demais e Beyoncé simplesmente afirma: você é perfeita, você já acorda perfeita. E olha: perfeição aqui não significa ausência de defeitos, mas completude. Você é assim, como é. Ame isso, ame quem você é, com todos os seus defeitos.

Como um complemento perfeito da mensagem da cantora, a filósofa Chimamanda Adichie diz no seu discurso:

We teach girls to shrink themselves to make themselves smaller. We say to girls: “You can have ambition but not too much. You should aim to be successful but not too successful otherwise you will threaten the men.” Because I am female I am expected to aspire to marriage, I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. Now marriage can be a source of joy and love and mutual support but why do we teach girls to aspire to marriage and we don’t teach boys the same? We raise girls to each other as competitors not for jobs or for accomplishments – which I think can be a good thing – but for the attention of men. We teach girls that they cannot be sexual beings in the way that boys are. Feminist – the person who believes in the social, political, and economic equality of the sexes.

Em tradução livre: Nós ensinamos as garotas a se retraírem pra se tornarem menores. Nós dizemos às garotas: “Você pode ter ambição, mas não demais. Você deve buscar ser bem-sucedida, mas não tanto, senão você vai ameaçar os homens.” Porque eu sou mulher, espera-se que eu queira me casar, espera-se que eu faça minhas escolhas na vida sempre tendo em mente que o casamento é a mais importante delas. O casamento pode ser fonte de alegria, amor e apoio mútuo, mas por que nós ensinamos as garotas a ansiar pelo casamento e não ensinamos aos garotos o mesmo? Nós ensinamos as meninas a se verem como concorrentes, não por empregos e conquistas – o que eu acho que seria algo bom – mas pela atenção dos homens. Nós as ensinamos que elas não podem ser seres dotados de sexualidade, como os homens são. Feminista – pessoa que acredita na equivalência social, política e econômica dos sexos.

2) Cyndi Lauper – Girls Just Wanna Have Fun | Não é errado querer se divertir!

Melhor clipe, sim ou claro? hahah Aqui Cyndi diz uma coisa simples, mas profunda: as mulheres querem se divertir. Nos anos 80 era comum ver as mulheres em casa, tomando conta dos filhos – sua vida girando em torno daquelas pequenas criaturas. O homem casava com aquela mulher bonita, tomava ela pra si e a afastava do mundo. Às vezes, anos depois, a personalidade minguava, o riso ia morrendo… Cyndi diz: eu não quero ser escondida, eu quero ser aquela que anda na rua, sob o sol.

I come home in the morning light my mother says “When you gonna live your life right?” | Oh mother dear we’re not fortunate ones, oh girls they wanna have fun | When the working day is done | girls just wanna have fun.

1) Aretha Franklin – Respect | Você sabe que merece respeito, então comece a exigi-lo!

Em plenos anos 60, Aretha toma uma música em que um homem pede respeito e grita com a sua voz gigante: R-E-S-P-E-I-T-O, eu é que quero isso. Chega de humilhação, de se sentir menor, de ser desconsiderada, feita de vítima, enquadrada em modelos que me sufocam!

A resposta foi o primeiro lugar na lista das mais ouvidas Billboard Hot 100, em 1967.

Como eu disse no começo, muita coisa mudou, mas o que persiste é uma demanda só.

Respeito pra você mulher, independente da simetria do seu rosto, da agudeza da sua ideologia ou do tamanho da sua calça.

Eric