Eu amo Recife

Amar a cidade é a melhor alternativa

Essa semana foi de intensos pensamentos sobre a cidade e sobre o que ela pode nos proporcionar. Quando pensávamos que o movimento Ocupe Estelita estava derrubado, fadado a virar história, uma bomba estoura e todos os jornais passam a dar voz – mesmo que pouca, é melhor do que nada – ao movimento que busca preservar as raízes históricas da cidade e, mais que isso: busca devolver a cidade aos seus moradores e reestabelecer o relacionamento, para que o povo do Recife conheça e faça história no Cais.

Com esse gancho de conhecer e fazer história no Cais, eu reflito: temos vivido o que o Recife tem para nos oferecer? Temos amado o Recife, ou isso é apenas mais uma campanha da Prefeitura? Com qual Recife nos relacionamos? O dos shoppings ou o das marés? Qual é a história que o Recife sabe da gente? Eu poderia listar lugares como o Parque da Jaqueira para falar de várias épocas: na minha infância, eu tinha o meu brinquedo preferido. Na adolescência, eu ia fazer piquenique com os amigos. Hoje, eu tenho um banco específico que guarda um milhão de histórias.

E por aí vão vários lugares, com várias histórias. Cinema da Fundação, Sorveteria Fri Sabor, Marco Zero, Parque das Esculturas, Rua Gervásio Pires, Avenida Conde da Boa Vista, Rua do Príncipe, Livraria Cultura etc. Quem vive no Recife desde cedo entende o que eu estou falando: é bom cuidar dessa cidade, é bom preservar cada história que se tem, é bom cuidar bem dos lugares que são queridos porque estamos falando de identidade, de vidas que passaram por esse chão e, por isso, é essencial viver o Recife do jeitinho que ele é: calorento, barulhento, cultural e com pipocão no ônibus.

Neide Andrade

Anúncios