Abrace alguém agora!

imageedit_3_4723661120Ando com uma vontade louca esses dias.

Sabe aquelas pessoas que vão pra um lugar movimentado no meio da cidade e penduram uma placa no pescoço? A frase varia: abraços grátis, free hugs, ganhe um abraço; a intenção é a mesma: pôr os braços ao redor do corpo de estranhos sem receber nada por isso. Certo, lindo. Mas a coisa toda me parece louca, por várias razões.

Primeiro: a vergonha. Não sei você (não te conheço (acho)), mas eu sou tímido, não gosto de chamar atenção dos outros. Portanto, a ideia de pendurar uma placa no pescoço e ir pro meio da rua convidando as pessoas a me abraçarem não é exatamente meu tipo de diversão.

Além disso, tem outra coisa: como assim eles não recebem nada em troca? Quando se abraça alguém, adivinha o que você ganha de volta? … Um abraço, uai. Então quem se dispõe a fazer isso automaticamente já recebe algo em retorno, um carinho. E pensa comigo: será que – inconscientemente, pelo menos – não era bem isso que aquela pessoa queria? Estou carente e preciso de um abraço, ponho uma placa no peito e vou à rua mais próxima.

É, estou soando amargo, mas admita: empatia e bondade gratuitas parecem coisas muito raras nos dias de hoje. Só perdem pra confissão de fraqueza, essa aí quase não existe. E quando alguém admite: sou fraco nisso, tenho tal defeito, nunca faz gratuitamente. Sempre espera aquele like, o olhar de pena, uma voz doce que diga… coitado.

Pois é. E é exatamente por isso que resolvi fazer a placa.

Estou carente, preciso de um abraço.

E não exponho isso aqui porque quero o seu aplauso ou a sua pena (mas secretamente – infelizmente – quero sim). Trouxe essa minha minha vontade íntima a um espaço público pra também publicizar o que se passa aqui dentro, pra perguntar: será que não estamos todos carentes e precisando de um abraço?

Sim, eu sou muito pouco pra representar toda uma sociedade e não é porque eu sinto que todo mundo sente também. Afinal, as pessoas são muitas e eu um só. Mas, veja bem, mesmo consciente disso tudo, arrisquei a identificar toda a humanidade com minha carência. Por quê?

Nem filosofia, nem egocentrismo – uma investigação empírica. Ou seja, basta olhar em volta. Temos os mesmos sintomas.

Excluímos fotos porque saímos menos magros, menos bonitas que poderíamos. Tiramos print de momentos constrangedores de alguém só pra termos do que rir naquele grupo durante o dia. Deixamos de curtir uma foto feliz porque não ficou perfeita o suficiente ou porque a pessoa da foto não é importante. Publicamos uma imagem torcendo pro número de corações vermelhos crescer, não importa vindos de quem (mentira, às vezes importa). Usamos o anonimato pra magoar, porque é gostoso. Excluímos famílias do conceito de família. Passamos ao largo de alguém chorando no meio da rua, no ônibus. Não por maldade, a gente só não vê. A gente só não se importa. Ao mesmo tempo, queremos fazer do mundo um espetáculo das nossas tristezas, palco pras nossas mágoas e andamos numa busca louca por expectadores. Pra quê?

Estamos todos carentes, precisamos de um abraço.

Então vem pra Recife, passa em Boa Viagem, eu te abraço. Vira pra alguém do teu lado, ampara quem tá chorando, sorri pra quem tá sozinho. Elogia. Curte sem pudor, compartilha, clica no coraçãozinho, mas acima de tudo abraça. Abraça com gosto. E, se emocionar, chora também. Porque a gente é tão diferente, mas é tão inseguro, tão medroso, tão carente, tão frágil igual.

A gente é tão igual.

Eu não sei você, mas vou comprar cartolina e tinta num ato de fé. Ainda preciso tomar coragem – é difícil ficar exposto.

Mas, de algum jeito, já não estamos?


❖ foto minha do carinho de duas pessoas especialistas no assunto

Um abraço do tamanho do mundo,

Eric.

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